Boogie Oogie: mais uma novela das seis que é a melhor em exibição

Trama ágil, história bem contada, personagens carismáticos e ganchos matadores fazem de Boogie Oogie uma novela imperdível


Boogie Oogie começou meio sem jeito, desengonçada, escorregando na pista no primeiro capítulo. Mas foi só um susto. Os capítulos seguintes mostraram que a novela da show na pista e é a melhor dançarina — quer dizer, melhor novela — atualmente no ar. (Excluo O Rebu por ser um produto completamente diferente de uma novela, ainda que receba essa denominação).

A novela das seis se beneficia principalmente de seu tempo de arte. Os capítulos de Boogie Oogie tem no máximo 35 minutos, tempo suficiente para se contar (muito) bem uma história. A trama ganha em agilidade e, consequentemente, qualidade. Cabe dizer que as novelas das seis tem o padrão de ter duração menor. Novelas das nove tem, em média, entre 50 a 55 minutos, se arrastando no ar.

Outro acerto de Boogie Oogie é a edição e direção. A agilidade da trama é acompanhada pelas cenas, que são rápidas e precisas o suficiente para contar uma boa história. Mesmo com as “tiradas” constantes referentes aos anos 1970, o roteiro encontrou seu caminho, e Boogie Oogie poderia ser, com um pouco mais de ação ou drama, uma novela das nove — pensando que o horário é o mais nobre da TV. Coisa que, hoje, se torna cada vez mais obsoleta: as tramas das seis são as que tem entregado os melhores produtos nos últimos anos.

A agilidade da história é acompanhada de atuações seguras, convincentes. A Madalena de Betty Faria é um show à parte. Ver Francisco Cuoco, através de Vicente, fazendo referência à novela O Astro foi sensacional: o personagem assistia à novela, que passava na época, e queria saber “quem matou Salomão Hayalla?”. Cuoco era o protagonista Herculano Quintanilha. Foi uma das boas sacadas em Boogie Oogie, que usa e abusa delas, mas que se tornaram mais digeríveis e menos forçadas.

A história não anda em círculos. Em poucos capítulos, a trama principal — troca de bebês — já envolve vários personagens, inclusive as trocadas Sandra (Ísis Valverde) e Vitória (Bianca Bin). A cada capítulo, um novo fato para culminar na revelação às principais interessadas, por volta do 50º. Isso sem voltas, sem barrigas e com algo essencial: os ganchos.

Os ganchos de Boogie Oogie são matadores. E não estão lá somente nos finais dos capítulos. Ou nos finais de cada bloco. Muitas, se não a maioria das cenas, tem ganchos. Isso é um feito para um produto como uma telenovela e, desde o início, o diretor Ricardo Waddington já dizia que o autor Rui Vilhena era “o rei dos ganchos”. Além de uma boa história e boas atuações, esse é um item essencial para prender o telespectador.

Boogie Oogie é a melhor novela no ar. Em nada lembra a contemporânea Pecado Mortal, da Record. As duas fazem parte de um mesmo universo, mas cada uma com suas características. A única coisa em comum, talvez, são os ganchos, que Pecado Mortal usava muito bem. A trama da Globo falha apenas na caracterização por vezes exagerada, na ânsia de mostrar que é realmente dos anos 1970. Um detalhe que é perdoado.

Boogie Oogie dá show e arrasa na pista.


Atualização em 26/09, às 16:35: Boogie Oogie, além de todas as qualidades descritas acima, tem causado algo que fazia tempo que não acontecia em uma novela: raiva dos personagens. Pedro (José Loreto) e Cristina (Fabiula Nascimento) são a pedra no sapato de Sandra (Ísis Valverde), e estão insuportáveis. E isso é sensacional. Ele por sua obsessão doentia pela ex-namorada, e ela por se meter na vida do sobrinho, Rafael (Marco Pigossi), e impedir a todo custo o envolvimento dele com Sandra, preferindo sempre Vitória (Bianca Bin).
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