Sonhos, amor, felicidade e La La Land

A pouco tempo assisti a um musical chamado “La La Land”. O filme em si é muito bonito visualmente falando, tem atores ótimos, cenas típicas de musicais perfeitas, cor e brilho. O filme concorreu ao Oscar e foi aclamado pelo público. E embora as opiniões sobre ele sejam bem divergentes, um filme que causou tanta comoção e amor e ódio dessa forma, tem que ter algo de especial. E foi esse “Q” do filme, que ninguém soube explicar. Por quê “ La La Land” é tão especial? O que há de tão fantástico em uma história tão clichê? Tenho minha teoria.

Não se preocupe, esse não é mais um texto falando sobre o filme e como ele é perfeito, ou não é. Mas com o final do filme, me vieram tantas questões à mente. Como a história de um musicista apaixonado por Jazz e uma talentosa, porém insegura aspirante a atriz, poderiam me fazer me questionar e sofrer tanto? O que descobri, é que me vi neles. Nos sonhos, nas frustrações, nos medos. Afinal, quem não os tem? Quem não os sente? E quem não já se tornou vítima, deles?

Em algum momento desse filme, Mia e Sebastian se encontram, no meio de um turbilhão de incertezas e “nãos!”. E nesse momento, uma paixão repentina, um amor, lhes dá a confiança que faltava para realizarem o que parecia impossível. E eles enfim, se veem prontos para alçarem voo atrás da glória tão sonhada. Mas em determinado momento, o amor começa atrapalhar. E então, o que fazer? O que vale mais? O amor, ou os sonhos?

Eu não posso responder por você. Essa nunca será uma verdade absoluta, ou uma resposta absoluta. Mas a questão aqui, é fazer você pensar o que o filme me fez entender. É tudo uma questão de perspectiva, valores. E quando digo valor, não é no sentido de caráter ou personalidade, ou nada disso. É do que lhe é mais válido, o que você mais valoriza. Ou melhor, o que te faz feliz.

Com o término do filme, me coloquei no lugar dos personagens. O que eu faria? Como agiria? O que fazer quando os sonhos se tornam maiores que o amor? O que seria da vida sem sonhos? Mas o que seria da vida sem amor? São ambos imprescindíveis… E o jeito, é escolher. Cada escolha ou caminho, sempre trará em sua cola uma consequência. Isso é inevitável. Mas podemos escolher da melhor forma possível. Podemos escolher a consequência com qual daremos conta de lidar a vida toda, sem arrependimentos.

Eu teria escolhido o amor, sem dúvidas. Mas em uma situação como essas, o jeito é colocar a vida na balança e ver para onde seu coração pende. A vida é movida à sonhos. Eles são o combustível da alma. Mas não se deve parar a vida por um sonho. Claro que se deve sonhar, o tempo todo, a vida toda. Sem sonhos a vida não tem graça! Mas não se deve esquecer que só temos o hoje, o amanhã ainda é ilusão.

Então não jogue o hoje “pra lá”. Viva intensamente, e busque seus sonhos, porque melhor que sonhar é realizar. Mas lembre-se sempre que a vida é mutável, nós mudamos, nossos pensamentos e ações mudam, crescemos e amadurecemos. Os sonhos também mudam! E não realizar um sonho, não representa a infelicidade eterna. Não nos cabe buscar algo obsessivamente, sem se importar com mais nada, porque fomos feitos para viver o hoje. E não esperar por um futuro que talvez, eu disse talvez, nunca virá.

Meu objetivo não é desanimar ou entristecer ninguém, espero apenas que nós possamos pensar com mais sutileza sobre a vida. Sem colocar tanta pressão em cima dela. Vivamos o hoje, sonhemos hoje, realizemos hoje, amemos hoje. Mas façamos tudo isso em conjunto. Vamos manter tudo bem equilibrado e diminuir as chances de se decepcionar. E que se algum dia houver uma situação como a de “La La Land” em nossas vidas, possamos escolher entre os sonhos e o amor, a felicidade. Porque conviver com aquilo que te faz feliz, não tem preço. Não há nada melhor! E desse jeito, não tem como dar errado.