Método Cuevas (CME) Trabalha com o potencial da criança e não coma patologia

Criança “preguiçosa”, “molinha”, “isso é preocupação de mão de primeira viagem”… Quantas famílias já ouviram isso até em consultórios de pediatras ? O atraso no desenvolvimento motor provocado, por exemplo, por Síndrome de Down e paralisia cerebral, deve ser enfrentado desde os três meses de idade, segundo os adeptos do Método Cuevas Medek Exercises (CME), criado por Ramón Cuevas, fisioterapeuta chileno, durante a década de 70. As técnicas não podem ser aplicadas em doenças neurodegenerativas, fragilidade óssea importante (Osteogenesis Imperfecta), e casos de crises convulsivas sem controle, além de serem restritas a terapeutas que são formados no método.

O Brasil tem em torno de 120 terapeutas especializados que participaram dos cursos realizados no país e dos tutoriais dados diretamente no Chile International Centro Cuevas que trabalha até hoje rotineiramente em sua clínica, além de visitar vários países divulgando seus ensinamentos. Aqui no Brasil, a introdutora foi a fisioterapeuta Renata Marques, que tem uma clínica em São Paulo: www.clinicarehabilitar.com.br. Seu primeiro curso foi em 2006, em Nova York (EUA) e, já no ano seguinte, ela organizou um treinamento por aqui, ministrado pelo próprio Cuevas.

Renata considera que a principal diferença do CME está descrita em sua própria definição: trabalhar com o potencial da criança e não com a patologia, através do conceito de “provocar” ao invés de “facilitar”, utilizar mais o “acreditar” do que “ver as limitações”. “O que vemos muitas vezes no meio neuro pediátrico são profissionais preocupados em alongar músculos, corrigir padrões, então se inicia um ciclo de cirurgias, aplicações muitas vezes precipitadas de botox/fenol, uso abusivo de órteses, indicação precoce de andadores. Aqui no Brasil se criou um conceito equivocado que o método CME é contra todos esses recursos. Na verdade, somos contra essa padronização que foi instituída: alteração motora = órtese, coletes, talas, andador… cada caso precisa ser analisado individualmente”, acredita a fisioterapeuta.

O método — O mais importante é a intervenção precoce, acredita Renata. Apesar de mundialmente falada e reconhecida, essa intervenção ainda não é uma prática comum nos consultórios de pediatria. Por causa disso, Cuevas desenvolveu três marcos motores importantes, baseados na avaliação do método para detectar atraso motor: bebê até 4 meses — na posição de barriga para cima, quando é exposto o pescoço para fora da cama, o bebê, responde com uma flexão de pescoço, se protegendo do movimento; bebê até 7 meses — senta sozinho, com apoio dos braços no chão; bebê até 10 meses — se mantém em pé, com apoio horizontal (por exemplo apoiado de frente para o sofá).

Em média é possível aplicar o CME em crianças de até 10 anos e peso de até 30 a 35 kg. Nesses casos extremos, é importante uma avaliação inicial para verificar se o método poderá ser aplicado na sua totalidade. “Os alongamentos são integrados aos exercícios. O choro e falta de cooperação da criança não são impeditivos para a aplicação do método que é dinâmico e propõe exercícios desafiadores”, explica Renata. “Temos uma mesa de atendimento que é produzida de acordo com a altura e comprimento de braço de cada terapeuta, para melhor postura e alavanca durante a execução dos exercícios, e um conjunto de caixas de madeira que permitem uma variedade muito extensa de exercícios”.

Resultado — Erika Martins é mãe de Caio, que tem paralisia cerebral e está com 9 anos. Ele se tratou aqui no Brasil e já foi duas vezes ao Chile para atendimento com o próprio Cuevas. No momento ela está fazendo uma nova campanha para angariar fundos e passar mais uma temporada de dois meses com o menino na clínica chilena, a partir de dezembro. “A Renata sempre nos incentivou a levarmos o Caio para o tratamento intensivo com o fisioterapeuta, devido às respostas positivas e às melhoras que notávamos no dia a dia dele”, conta. Ela já recorreu a rifas, bingos beneficentes e doações espontâneas para as temporadas chilenas.

“Desde que começou com este método ele teve uma melhora muito boa”, atesta a mãe. “Caio tem conseguido grandes evoluções. Os principais benefícios foram sentar sozinho e melhor controle de tronco. As pessoas entendem com mais facilidade o que ele fala, sua postura está muito melhor… é como se hoje ele tivesse mais conhecimento e controle do seu corpo”, conta Erika, ao afirmar que, em relação a sua deficiência ele é super bem resolvido, frequentando escola de ensino regular com ótimas notas e fazendo curso de inglês, além de usar computador com destreza.

A fisioterapeuta brasileira apoia a viagem: “o Ramón Cuevas é o criador do método e isso faz ele ser único nesse mundo. É um privilégio termos a oportunidade dele continuar atendendo pacientes, diariamente ele cria novos exercícios e novas formas de executá-los, e isso faz toda diferença”, afirma.

“Quando descobrimos que temos um filho com essas características, entramos em um mundo desconhecido e, com o tempo, vamos nos adaptando. As clínicas de reabilitação passam fazer parte do nosso dia a dia e tentamos buscar o melhor. Sempre falo que Ramón Cuevas, com este método que criou, revolucionou a reabilitação neurológica. O que sentimos e vivemos na sala dele é algo inexplicável e podemos ver a melhora no dia a dia do nosso filho”, conclui a mãe.

Extraído da Revista Reação — Ano XVlll — Nº 104 — Maio/Junho 2015

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.