Como me casei sem uma vida financeira folgada

O nosso alto padrão de consumo e a busca por uma vida de conto de fadas fazem com que o casamento seja um sonho difícil de alcançar. O que mais se ouve hoje em dia são jovens justificando os longos anos de namoro com a desculpa de que não têm dinheiro para casar.

Eu também era assim. Também acreditava que precisava estar com a vida financeira toda encaminhada para, depois, casar. Mas descobri que o casamento é ótimo para a vida financeira: cria foco, prioridades e estímulos.

Quando meu marido me pediu em casamento, ele estava desempregado e eu estava no meio de uma mudança profissional. Mesmo assim, nos sentimos preparados para realizar essa jornada que tem nos feito cada dia mais felizes.

Vou então contar para vocês como nós fizemos para casar sem estar com a vida financeira ou profissional totalmente encaminhada.

1º passo: verificar o gasto mensal

A primeira coisa que fizemos foi projetar a nossa despesa mensal. Devido a divergências de visões, trabalhamos inclusive com um orçamento otimista e outro pessimista. Nesse momento, foi extremamente importante nos mantermos dentro da realidade e refletir sobre o que realmente era essencial.

Identificamos em nós uma tendência muito comum nos jovens atuais: a ideia de que devemos começar a vida a dois com o padrão que nossos pais possuem hoje. Isso, logicamente, é uma grande ilusão, já que nossos pais levaram 30 anos para construir essa realidade. Assim, nos dispusemos a exercitar a adaptação.

2º passo: foco na receita

Sabendo quanto iríamos gastar, passamos a projetar como poderíamos cobrir aquelas despesas mensais. Lembrando sempre que fluxo se cobre com fluxo. Ou seja, é preciso de uma receita mensal para cobrir as despesas mensais.

No nosso caso, tivemos os 10 meses de noivado para resolver essa questão. Faltando seis meses para o casamento, percebemos que os nossos rendimentos juntos cobriam apenas 2/3 das despesas projetadas. Aceitamos o desafio de buscar novas fontes de receita e assim o fizemos.

Tenho certeza de que a existência de uma data limite e de um objetivo foi essencial para que realizássemos esforços que não faríamos se estivéssemos esperando a situação econômica perfeita para casar.

Quando se trabalha em prol de um objetivo comum, os esforços ficam mais leves e passam a ter outro valor.

3º passo: analisando a poupança

O terceiro passo foi verificar o que já tínhamos acumulado de poupança ao longo do tempo e como iríamos distribuí-la entre montagem de casa, festa de casamento e poupança para situações inesperadas.

Tanto eu quanto o meu marido sempre tivemos o hábito de poupar e por isso já tínhamos uma pequena poupança com a qual poderíamos trabalhar. Caso esse não seja o seu caso, faça o caminho contrário: projete o que precisa para esses três itens e depois planeje como irá juntar esse dinheiro.

A nossa prioridade inicial era a poupança para situações inesperadas.

Queríamos casar com uma poupança que nos desse segurança financeira caso alguma dificuldade aparecesse. Trabalhamos com metas vinculadas à nossa despesa mensal. Por exemplo, queremos ter guardado o equivalente a 3 meses de despesa mensal. O multiplicador pode variar, mas ele te mostra o período de manobra que você terá caso o panorama profissional mude inesperadamente.

O segundo foco era a montagem da casa onde iríamos morar.

Nesse aspecto, buscamos nos ater aos itens que considerávamos essenciais e inadiáveis. Aproveitamos muitos itens usados de familiares e amigos, que estavam se desfazendo deles. Sofá, pufes, mesa de centro, mesa de escritório, foram muitas as economias que tivemos nesse sentido. Trocamos o sonho da casa toda decorada pela alegria periódica de poder ir montando a casa aos poucos. Até hoje, vivemos momentos de alegria ao adquirirmos mais um item importante para o nosso lar.

Por fim, fomos pensar sobre a festa de casamento.

A partir de todas as prioridades anteriores e sabendo que não queríamos nos endividar para casar, determinamos qual era o valor razoável para gastarmos em uma festa de casamento. Decidimos que aquele seria o nosso limite e que ficaríamos satisfeitos com o que conseguíssemos fazer.

Nessa época, eu ainda não tinha nenhuma noção de quanto custava uma festa, mas estava decidida a me virar com o que tinha determinado como sensato, mesmo que isso significasse fazer algo bem simples e pequeno.

Com o auxílio de nossos familiares e com um controle orçamentário pesado conseguimos nos manter em nosso orçamento e viver momentos muito especiais!

Uma última correção:

Ouço muito por aí que casar é caro. Mas, a verdade é que caro são os caprichos e ilusões que tanto valorizamos e que nos afasta cada dia mais de viver uma realidade feliz!

(Nota do editor: se quiserem, posso fazer um post específico sobre dicas financeiras para realizar festas de casamento. É só deixar o seu comentário abaixo!)


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