Economizar não é fazer voto de pobreza

Sempre que começo a falar de planejamento financeiro e consumo consciente, vejo meus alunos se arrepiarem. A impressão é que querem fugir, fingir que não é com eles, mudar de assunto o mais rápido possível por favor, afinal, ninguém quer fazer voto de pobreza.

Mas, não é contraditório pensar em voto de pobreza quando o que se busca é exatamente a riqueza?

É a mesma coisa do que falar que dieta alimentar significa não comer. Sim, alguns escolhem esse caminho. Mas ele não é a solução inteligente e muito menos a que te permite manter essa realidade no longo prazo.

Da mesma forma que a pessoa que restringe sua alimentação ao extremo para emagrecer corre o risco de desenvolver compulsões alimentares, a pessoa que se pressiona a fazer uma economia absoluta pode por tudo a perder em um momento de gasto impensado (muitas vezes baseado no “eu mereço", como já falamos nesse post).

Por isso, é necessário pensar, repensar, buscar agir de forma sensata. Existem muitas técnicas que favorecem a economia inteligente e hoje quero destacar uma: a compensação.

Se um gasto é alto, mas é extremamente importante para você, negocie com você mesmo qual será a troca e cumpra-a como se fosse uma obrigação. Mas cuidado para não enganar a si mesmo! Faça as contas, coloque no papel e recorde que, no final, você está fazendo tudo isso para você mesmo.

Por exemplo: Ana e Maria são amigas e possuem condições financeiras similares. Ana frequenta um salão de beleza de bairro e não entende de onde Maria tira dinheiro para ir no melhor salão da cidade. Ana está certa de que ela tem um consumo muito mais consciente do que Maria e que economiza bastante indo nesse salão mais simples. Será?

Ana vai semanalmente ao salão fazer a unha: faz a mão toda a semana e faz o pé de 15 em 15 dias. Na média, gasta uns 20 reais por semana. Todo mês, faz as sobrancelhas por 30 reais. De 3 em 3 meses, corta o cabelo e faz luzes, gastando mais 250 reais. No total, Ana gasta em média 180 reais por mês com salão.

Maria faz um pouco diferente. Ela frequenta sim um dos melhores salões da cidade. Gosta muito das luzes que fazem lá pois elas são tão naturais que ela consegue fazê-las de 9 em 9 meses. O corte de cabelo também é muito bom, o que faz com que ela consiga ficar 6 meses sem cortar. Os serviços são caros: ela paga 400 reais nas luzes e 100 no corte. Por outro lado, Maria economiza bastante ao fazer suas próprias unhas e sobrancelhas. Com isso tudo, seus gastos com salão são em média 60 reais por mês.

Mesmo Maria utilizando serviços que custam o dobro dos de Ana, seus gastos mensais representam um terço dos da amiga.

Não é o caso de dizer que uma está certa e a outra está errada, mas esse exemplo mostra como a aparência das coisas nem sempre demonstra a realidade financeira e que você pode sim ter seus “pequenos caprichos” sem que isso tenha um impacto relevante em seu orçamento.

Você não precisa se privar de tudo o que você gosta, precisa apenas pensar e agir de forma inteligente, refletindo e ponderando o que é realmente importante para você hoje e no futuro.

Por isso, economizar não é fazer voto de pobreza, é uma oportunidade de garantir um vida mais rica no curto, médio e longo prazo.


Gostou do post? Inscreva-se aqui para receber mais dicas sobre economia e nos acompanhe também no instagram!

Aproveite para nos contar nos comentários quais as técnicas que você usa para economizar de forma inteligente!

Like what you read? Give Lilian Byrro a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.