Guia Detalhado: como investir em CDB

Lilian Byrro
May 23, 2017 · 6 min read

CDB, ou Certificado de Depósito Bancário, é um título emitido pelos bancos para captação de recursos. Em linguagem simples: é uma forma de você emprestar dinheiro para o banco.

E porque você gostaria de emprestar dinheiro para os bancos? Porque trata-se de um bom rendimento de renda fixa com baixo risco!

Em alguns casos, o CDB é tão seguro quanto o Tesouro Direto (empréstimo para o governo) e costuma pagar uma taxa melhor.

Os CDB’s possuem garantia do Fundo Garantidor de Crédito (http://www.fgc.org.br/), que cobre o pagamento do seu investimento, até o limite máximo de 250 mil reais, caso o banco entre em falência.

Diferentemente da poupança, é uma aplicação na qual incide o imposto de renda de rendimentos financeiros. Porém, como já expliquei nesse post, ainda assim o CDB paga bem mais do que a poupança, ok? Além disso, é um investimento no qual não incide taxas bancárias.

O CDB mais comum, o pós-fixado, costuma estar vinculado a um percentual da taxa do CDI. Particularmente, considero que o CDB pós-fixado atrelado ao CDI é o tipo mais seguro de CDB. Qualquer outro tipo, pré-fixado ou vinculado à inflação, exige do investidor previsões sobre o comportamento da taxa de juros e da inflação.

Mas, como investir em CDB? Depende! Para mim, existem dois tipos de CDB’s: os de bancos grandes e os de bancos médios/pequenos. Essa divisão diz respeito ao risco e ao retorno que você terá com o investimento, o quanto precisa para investir e o cuidado que deve ter na hora de investir.

CDB’s de bancos grandes

São os mais seguros. Pense o seguinte: o que aconteceria caso do Banco Itaú quebrasse? Sendo um dos maiores bancos do Brasil, provavelmente o país quebraria junto. Isso significa que a chance do Itaú quebrar é quase a mesma do país como um todo quebrar. Mesmo que ele estivesse em uma situação financeira difícil, o governo provavelmente o ajudaria, pois o mal social causado por sua falência seria imenso. É, então, um investimento seguro.

Por outro lado, os bancos grandes costumam exigir um valor mínimo de investimento maior (algo em torno de 20 mil) e a apresentar taxas menores.

A título de exemplo, há pouco tempo verifiquei um CDB de um banco grande para 20 mil reais que estava pagando 91% do CDI. Contudo, esse valor varia muito ao longo do tempo e com a taxa de juros.

Caso você tenha investimentos significativos, é possível conseguir quase 100% do CDI. Nesse caso, a palavra-chave é negociação!

Mesmo não chegando a 100% do CDI, o CDB de banco grande pode sim ser uma boa opção. Comparando com o Tesouro Direito, por exemplo, o máximo que você conseguiria investindo em um Tesouro Selic é 97% do CDI.

Alguns bancos grandes também apresentam o CDB progressivo, no qual o percentual pago vai aumentando a medida em que o dinheiro fica mais tempo investido (até um limite de dois anos, mais ou menos). Essa pode ser uma boa opção para quem não precisa do dinheiro no curto prazo, saindo de um percentual de 93% a 101%, por exemplo.

CDB’s de bancos médios/pequenos

Os bancos médios/pequenos tem a vantagem de pagar taxas maiores do que os bancos grandes e a exigir investimentos menores (a partir de 5 mil reais, mais ou menos). Por outro lado, são bancos mais arriscados e que têm uma probabilidade maior de falência.

Para se ter uma ideia, nos últimos vintes anos, 25 bancos foram liquidados no Brasil. Isso significa a falência de mais de um banco por ano.

Por isso, o investimento de bancos médios/pequenos pode ser considerado mais arriscado e exige mais atenção. Existem alguns indicadores que podem te ajudar a verificar a qualidade do banco como:

Índice Basileia — mede a alavancagem do banco, ou seja, quanto seu Capital Base representa do valor total de empréstimos do banco. Quanto maior, mais seguro é o banco. No Brasil, o Banco Central determina um valor mínimo do índice é 11%, o que significa que o banco pode emprestar o equivalente a 9 vezes seu capital e reservas.

Índice de Imobilização — mede quanto do Patrimônio Líquido Ajustado está comprometido em ativos imobilizados. Valores muito altos indicam que a empresa tem menor liquidez para a gestão de suas obrigações, ou seja, quanto menor, melhor. O Banco Central determina um valor máximo de 50%.

Nota de risco das agências de ratings — demonstram o risco financeiro do banco do ponto de vista das agências especializadas em avaliação de risco. Particularmente, é um indicador que eu uso com parcimônia. Isso porque essa nota é apenas uma “opinião” e a agência não tem nenhum tipo de responsabilidade frente a ela. Juntando a isso o fato de que é a própria empresa quem paga a agência de rating para emitir sua nota, pode-se entender o porquê da minha desconfiança. Experiências anteriores mostram que um título com rating bom não significa, necessariamente, um título seguro. Por isso, uso-o mais como ponto de corte: se o banco tem nota de risco ruim, considero um mal sinal.

Dados acessórios — existem outros dados e informações que podem ser úteis nessa análise do banco para investimento. Buscar notícias do banco em questão ajuda a verificar se ele está passando por alguma situação peculiar. Além disso, dados financeiros como Ativo Total (que te dá noção do tamanho do banco) e Lucro Líquido (que te diz sobre o resultado da empresa nos últimos tempos) podem te indicar em que estado o banco se encontra.

Duas boas fontes de dados para buscar esses indicadores são: o banco de dados do Banco Central e o site BancoData.com, que, pelo que verifiquei, apresenta dados bem confiáveis.

Outro aspecto importante é que as boas taxas dos CDB costumam ser para títulos sem liquidez, ou seja, títulos que não podem ser resgatados antes do prazo de vencimento. Embora existam algumas opções de títulos com vencimento de 6 meses, o mais comum e mais rentável são os CDB’s com 2 a 5 anos de carência.

Considerando, pois, o maior risco de falência e a iliquidez dos papéis, sugiro usar o CDB de banco médio/pequeno como um investimento de risco médio, ou seja, no qual você irá investir apenas aquele dinheiro que você não corre o risco de precisar no médio prazo.

Investir direto ou via corretora

Hoje em dia, muitas corretoras oferecem opções de CDB’s de bancos médios/pequenos sem qualquer custo ou taxa. O fato de ter todas as opções na tela do computador em apenas um clique parece mesmo ser muito interessante e promissora. Porém, sugiro tomar dois cuidados:

Primeiro, não deixe que a ilusão de ter todas aquelas opções disponíveis o faça esquecer dos riscos diferentes que cada uma delas pode ter. Realize a sua pesquisa sobre o banco no qual deseja investir.

Segundo, definido o banco, procure fazer contato direto e descobrir qual a taxa paga quando o investimento é feito diretamente. Em minhas pesquisas, encontrei que, muitas vezes, as corretoras acabam oferecendo um percentual um pouco mais baixo do que quando se investe direto com o banco.

Além disso, esses bancos médios/pequenos estão aprimorando muito o processo de abertura de conta, sem burocracia, à distância e sem custo algum. Em 24 horas, a sua conta pode estar aberta e pronta para que você realize o seu investimento.

Vamos investir?


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Lilian Byrro

Written by

Professora de Finanças

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