Investidor individual: os erros de julgamento que você comete sem saber

Lilian Byrro
Apr 10, 2017 · 4 min read

Não há dúvidas de que o cérebro e a mente humana são ferramentas poderosas. Porém, precisamos ficar muito atentos para os erros que eles podem nos levar a cometer. Por exemplo, veja as duas retas abaixo. Qual delas é maior?

Mesmo você, provavelmente, já conhecendo essa ilusão de ótica e sabendo que ambas possuem o mesmo tamanho, é muito difícil olhar para a figura e não ter a sensação de que a segunda é maior do que a primeira, não é mesmo?

A mesma coisa acontece em outros aspectos do comportamento humano. Mas, quando o assunto interfere em suas decisões financeiras futuras, é preciso tomar cuidado.

Veja, então, os quatro principais erros de julgamento cometido pelo investidor individual.

O que você acha que vai acontecer com o Ibovespa no próximo mês? Quão certo você está de sua estimativa?

Todo investidor possui uma estimativa para o futuro e um nível de confiança em sua própria estimativa. O problema é que esse nível de confiança normalmente não é bem calibrado.

Pesquisas mostram que quando as pessoas manifestam ter 99% de certeza sobre a ocorrência de um evento, ele provavelmente tem uma chance de ocorrência de 85%.

Como fazer, então, para recalibrar seu nível de confiança? Para isso, você precisa viver situações similares de projeção diariamente, realizar previsões probabilísticas explícitas e obter um feedback preciso e rápido dos resultados. Se esse não for o caso, leve sempre em consideração o fato de que você pode estar confiando mais em sua previsão do que o adequado.

Otimismo é a tendência de supervalorizar suas qualidades e subestimar prováveis resultados negativos. Por exemplo, você sabia que 80% das pessoas se consideram motoristas acima da média? E que a maioria dos estudantes acreditam ter uma chance menor de desenvolver um câncer aos 50 anos do que seus colegas de quarto? Além disso, o otimismo pode levar à falsa crença de controle e a subestimação da sorte ou do azar nos resultados.

Essa tendência pode ter consequências sérias na vida do investidor, fazendo-o crer que ele é melhor do que a média, que consegue prever com facilidade o futuro e que coisas ruins não irão acontecer. Para combater essa tendência, esforce-se para: ver o negativo das situações, pensar no que pode dar errado, manter uma lista de suas vitórias e de suas derrotas.

A retrospectiva diz respeito ao julgamento de um fato após o seu ocorrido e à nossa dificuldade de recordar com clareza a visão que tínhamos anteriormente. É um problema muito comum no meio financeiro. Após um fato inesperado, aparecem diversas pessoas demonstrando como era óbvia a ocorrência e como era fácil sua previsão.

Esse viés tem duas consequências negativas. Primeiro, pode criar o excesso de confiança na crença de que se poderá prever ocorrências similares no futuro. Segundo, pode-se criar a falsa noção de desapontamento por não haver previsto algo que agora parece tão óbvio.

Em um jogo de roleta, os resultados variam entre preto e branco. Veja abaixo duas sequências que ocorreram em jogos diferentes:

PBPBPBP ou PPBPBBP

Qual das duas parece mais aleatória? Em qual jogo você se sentira disposto a prever o próximo resultado? Embora ambas as sequências sejam aleatórias e tenham a mesma probabilidade de ocorrência em um jogo de roleta, as pessoas tendem a acreditar que a segunda é mais aleatória e que o próximo resultado da primeira sequência será branco.

Essa é a tendência da mente de procurar padrões mesmo quando eles não existem. Ela também faz com que as pessoas acreditem que estão em um período de sorte ou em um período de azar.

Além disso, a característica seletiva da mente faz com que a tendência se reforce ainda mais, já que recordamos apenas os elementos que reforçam o padrão e ignoramos qualquer outra informação no sentido contrário.

Por isso, procure razões reais do porquê você acredita que o mercado seguirá por um caminho ou outro, levando, inclusive, em consideração a possibilidade do mercado se basear em fatores aleatórios.

Já observou alguma dessas características em seus investimentos? Nos conte nos comentários! Em breve, trataremos sobre os erros de preferência do investidor.

Baseado no artigo de Kahneman e Riepe, intitulado “Aspects of Investor Psychology”, publicado no Journal of Portfolio Management, Vol. 24, №4, 1998.

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Lilian Byrro

Written by

Professora de Finanças

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