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Para refletir: o valor das coisas e a felicidade

Lilian Byrro
Mar 21, 2017 · 3 min read

Recordo-me como se fosse hoje de um lençol que eu tinha quando era pequena. Ele era azul e tinha muitos bonequinhos desenhados. A lembrança que tenho de estar deitada na cama, observando o lençol, deve ser de quando eu tinha uns 3 ou 4 anos, mas parece extremamente atual.

Uns 10 anos depois, minha mãe decidiu dar esse lençol para a minha avó. Ela o havia pedido porque seu uso tinha feito com que ele ficasse extremamente fino e macio. Minha mãe, muito generosa, deu o lençol, e eu quase morri quando descobri.

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Um tempo depois, passeando na casa da minha avó, vi meu lençol sendo usado como pano de chão. Para ela, aquilo era apenas um pano velho, para mim, era um dos poucos objetos que eu possuía da minha infância.O fato de eu ainda me recordar do lençol e dessa situação deixa claro o valor que aquele lençol tinha para mim. Ele valia muito, embora custasse tão pouco.

O valor e o preço são coisas totalmente diferentes. Embora muitos acreditem que a satisfação do consumo provém de ter coisas com preço alto, estou convencida de que é mais importante ter coisas com valor alto. O valor das coisas nos proporciona alegria, o preço não.

Surge então, a dúvida: como interferir no valor que as coisas têm para mim? Essa é uma resposta complexa, mas algumas reflexões podem nos ajudar:

Se você tem tanta coisa que não sabe nem tudo o que tem, como você pode valorizá-las?

Se você compra algo “mais ou menos”, simplesmente por estar barato, que valor aquilo pode ter para você?

Se você “namorou” a aquisição de algo durante anos e depois de comprá-lo não deu mais atenção, qual era o valor real dessa compra?

Se você fez muito esforço para adquirir algo, que valor aquilo deve ter para você? Como você deve se comportar frente a essa aquisição no futuro?

Embora as coisas sejam coisas, elas expressam bem mais do que isso. Elas se relacionam com a nossa vida, com o que fizemos para consegui-las, com o que fizemos com elas, com o que podemos fazer. Se relacionam, também, com a vida dos outros: com os que as produziram, as comercializaram, as idealizaram. Se relacionam com o nosso planeta: de onde os materiais vieram, para onde vão, o que foi consumido nesse processo.

Dessa forma, desvalorização das coisas se vincula com uma desvalorização da vida de forma geral e com uma necessidade de rever esse pensamento consumista e imediatista que transforma tudo em coisas descartáveis.

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Se você se interessou por essas reflexões, sugiro assistir o documentário “The True Cost”, disponível no Netflix. Embora o enfoque do documentário seja as lojas de “fast fashion”, ele nos permite refletir sobre o quanto nossas atitudes e a nossa cultura tem gerado um estilo de vida insustentável e infeliz.

E você? Como tem feito para dar mais valor para o que você tem? Conte-nos nos comentários!

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