Porque você não consegue poupar e o que fazer para mudar essa realidade

Muita gente acha que poupar é uma questão de ganhar o suficiente. Mas, isso não é verdade. Pode até ocorrer de sua situação financeira te impossibilitar a poupança. Contudo, não é isso o que acontece na maioria dos casos.

Existem duas causas principais (provadas cientificamente) pelas quais as pessoas não poupam. Apresento-as abaixo e aproveito para dar dicas de como contorná-las.

1) O conflito dos “Eu’s”

Não há quem manifeste que não gostaria de ter um futuro tranquilo e feliz. Isso todos querem. Porém, muitos não querem, ou não se dispõem, a realizar os esforços necessários para isso.

Na hora de planejar o que se pretende viver, todos sabem da importância da poupança e conseguem projetar uma atitude adequada. Porém, quando surge uma tentação, começa uma luta interna entre a parte que quer se manter fiel a esse plano e a parte que quer desfrutar do prazer imediato.

Muitas vezes, as pessoas não poupam porque o benefício da poupança no futuro parece algo muito longe, incerto e distante, enquanto que o prazer imediato está logo ali. Em outras, existe uma dificuldade geral de auto-controle que dificulta a realização dos planos em quaisquer situações.

Mas, como superar essa situação?

A primeira dica é materializar o máximo possível o seu plano e benefício futuro. Tenha claro o que você quer alcançar do ponto de vista financeiro, como e porquê. Faça metas menores e acompanhe o seu desenvolvimento ao longo do tempo. Quando surgir a tentação, projete o que isso vai significar no alcance de seu objetivo. Verifique como o “ceder à tentação” ocorre com frequência e como essa ocorrência te impede de avançar.

É como fazer dieta e não poder comer o que se gosta. Você precisa ter a imagem de onde quer chegar e ir acompanhando os resultados. Só assim terá estímulos para seguir em frente.

Importante: um benefício que as pessoas que não poupam esquecem de considerar é a segurança de possuir uma reserva. Viver com reserva financeira é uma condição completamente diferente de quem vive com dívida. Isso interfere na confiança, alegria e na qualidade de vida, diminuindo medos e preocupações.

A segunda dica é criar mecanismos de controle contra você mesmo. É a mesma ideia da pessoa que paga os seis meses de academia para tentar garantir que ela não vai desistir de malhar.

No caso da poupança, o uso dos mecanismos de controle vai depender do seu nível de auto-controle. Quanto mais auto-controle, menos você precisará utilizá-los.

Em alguns casos, por exemplo, basta possuir uma conta corrente separada, onde você irá enviar periodicamente o dinheiro reservado para poupança. Em outros, é necessário utilizar de investimentos com menor liquidez, para garantir que o dinheiro não será tocado. Embora existam mecanismos melhores ou piores do ponto de vista de retorno financeiro, penso que o melhor é aquele que se adeque à sua capacidade de poupança e de auto-controle, mesmo que isso signifique perder um pouco no rendimento.

Você também pode inserir mecanismos de controle que te ajudem a gastar menos como um cartão de crédito com limite reduzido, o pagamento de compras com dinheiro, ou até um envelope específico para cada conta do seu orçamento.

2) A aversão à diminuição do padrão de consumo

Como disse, a justificativa mais comum à dificuldade de poupar é que as pessoas não têm dinheiro. Dizem que as receitas são a conta para cobrir as despesas e que seria impossível diminuir os gastos.

Porém, não é interessante verificar que tanto a família com renda de R$3.000,00 quanto a com renda de R$10.000,00 acredita na mesma coisa? Não está aí a evidência de que existe algo errado?

O fato é que à medida que nossa renda aumenta, a tendência natural é aumentar o nosso padrão de consumo de forma inconsciente. A partir desse ponto, é muito difícil projetar viver com menos do que a referência atual. Parece que não tem de onde tirar.

Eu entendo essa realidade, vivo essa realidade e não estou aqui para negá-la. Mas, tenho duas dicas que podem te ajudar.

Primeiro, comece do pequeno. Mesmo que a sua meta pessoal seja economizar 30% da sua renda, comece com o que você consegue hoje e projete aumentar esse percentual ao longo do tempo. Se hoje as suas despesas se igualam à receita, procure diminuí-las em 5%, projetando que no próximo ano você gostaria de chegar a 10%.

Essa mudança gradual é menos dolorida e te garanto que lhe fará chegar onde você quer. Tem sim um grande impacto, se não financeiro, mas no cultivo do hábito.

Importante: outra justificativa muito usada para não poupar é a que o valor seria muito pequeno. Essa justificativa é uma grande falácia. As coisas vão do pequeno ao grande e se você não começar, você nunca chegará em lugar algum. Além disso, assim como na dieta ou no exercício físico, a formação de hábito cumpre um papel fundamental no resultado de longo prazo.

Segunda dica: poupe a qualquer indicativo de aumento de receita. Quando as pessoas têm um aumento de receita, seja pontual ou definitivo, o primeiro movimento interno é o de gastar. Porém, esse é o momento ideal para você poupar sem precisar sofrer com a diminuição do seu padrão de consumo, então, não deixe ele passar.

No caso da receita pontual, a poupança pode te ajudar muito no momento em que você não consegue guardar um percentual significativo da sua renda. No caso do aumento permanente, verifique o quanto você poderá aumentar do seu percentual de poupança com esse aumento, para depois verificar se é possível aumentar o padrão de consumo.

Um exemplo prático

Suponhamos que hoje você ganhe 4 mil reais líquido por mês e que, depois de muito apertar, verificou que consegue economizar 5%, ou seja, 200 reais por mês. Essa economia, ao final de cinco anos, valerá aproximadamente 15 mil reais. Não é muito dinheiro, mas é o suficiente para te sustentar por quatro meses, caso você perca o emprego e precise se reposicionar.

Vamos supor que você consiga um aumento e que seu salário passará para 5 mil reais líquido. Se você não sentir necessidade alguma de aumentar seu padrão de consumo, poderá aumentar sua poupança para R$1.200,00 ou 25% da sua renda. Ou seja, sem mudar nada em seu padrão, você passou a ter uma poupança dentro dos padrões considerados ideais. Essa poupança, em 5 anos, lhe renderia aproximadamente 90 mil reais.

Mas, digamos que você quer fazer uma gracinha e aumentar em 10% o seu padrão de consumo. Mesmo assim, você conseguiria economizar 820 reais (16%) e teria mais de 60 mil ao final de cinco anos.


E você? Como tem feito para poupar seu dinheiro! Conte-nos abaixo as suas estratégias!

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