Por que você não deve confiar em seu gerente de banco

Lilian Byrro
Nov 23, 2015 · 3 min read

Outro dia, recebi uma mensagem do meu gerente de banco me sugerindo realizar uma aplicação. Ele dizia:

“Devido à projeção de queda na taxa de juros, sugiro um CDB pré-fixado. O risco desse produto é o mesmo do CDB normal e ele é mais interessante por ter um prazo menor e uma rentabilidade bem atrativa.”

Esse é apenas um exemplo das diversas recomendações que recebemos de nossos gerentes frequentemente e que, se não ficarmos atentos, podem nos levar a decisões equivocadas.

Por isso, penso que a melhor dica para o relacionamento com o seu banco é: não confie cegamente no seu gerente.


Vamos explicar melhor

Não estou dizendo que o seu gerente é uma má pessoa e que você deve desconfiar dele a todo momento. Porém, é necessário que você entenda que ele sempre cumpre dois papeis: de prestador de serviço e de vendedor.

Na parte de prestação de serviço, ele é ótimo! Vai te ajudar a resolver muitas questões burocráticas e vai te facilitar a vida em muitos momentos.

Na parte de vendedor, ele também cumpre o papel de lhe mostrar o que existe no banco e que pode atender às suas necessidades. Mas, como todo vendedor, a sua posição costuma ser enviesada. E é nesse ponto que você precisa ficar atento.

Se você for comprar uma roupa no shopping, você sabe que a vendedora provavelmente vai falar que a roupa ficou ótima. Isso não faz dela uma má pessoa, mas você também não leva a opinião dela tão em conta.

O gerente é funcionário do banco. É o banco que paga seu salário e é a ele que o gerente deve atender em primeiro lugar. É o banco que determina o que o gerente deve vender, quais as metas ele precisa bater e quais as projeções o gerente vai usar na hora de oferecer um produto financeiro, como no meu caso.


Na prática

Dito isso, destaco os principais pontos de divergência para os quais você precisa ficar atento:

1. Tarifas bancárias: o simples fato de você ter dinheiro em uma conta no banco, principalmente em uma aplicação, já é sinônimo de lucro para o banco. Gerentes costumam justificar as tarifas bancárias dizendo que são necessárias para remunerar o serviço bancário, mas a verdade é que elas são apenas uma fonte extra de receita. Existe no Brasil uma resolução do Banco Central que obriga os bancos a oferecerem serviços essenciais de conta corrente e de poupança sem qualquer cobrança de tarifa. Assim, fique esperto para não pagar tarifas desnecessárias.

2. Títulos de capitalização, seguros e previdência: os gerentes costumam ter metas de venda desses produtos. Assim, quando te ligarem oferecendo um título de capitalização, procure pesquisar um pouco antes de aceitar essa proposta.

3. Produtos financeiros : fique atento às ofertas de produtos financeiros que vem logo após uma projeção econômica. Procure fontes de projeções mais isentas e lembre-se de que o banco nunca irá propor uma transação na qual ele perderá dinheiro.


Concluindo

Sugiro, pois, que você reveja essa tendência de considerar o seu gerente de banco como sua referência em assuntos financeiros.

Você pode pedir a opinião dele, mas busque outras fontes imparciais para se embasar. Lembre-se, ainda, que o banco é uma empresa, que tem um objetivo de lucro e que possui metas para alcançar esse objetivo. De novo, isso não faz do banco um entidade maldosa, mas implica que saibamos lidar com ela com inteligência.


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Lilian Byrro

Written by

Professora de Finanças

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