Histórico local ameaça autoatendimento em supermercados

Postos de combustíveis e ônibus tiveram interferência de legisladores após debates que opuseram tecnologia e emprego

Por Eduardo Rocha e Evandro de Assis

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Nada repercutiu mais nesta semana do que a criação de caixas de autoatendimento na nova loja da Cooper, na Vila Nova. Numa primeira olhada, isso parece bobagem perto dos R$ 28 milhões investidos e dos 220 empregos gerados pela cooperativa neste momento ruim da economia. Mas há duas razões para supermercadistas e entusiastas da ideia ficarem atentos.

Em primeiro lugar, a repercussão nas redes sociais resgatou a relação tensa entre emprego e tecnologia. Esse post do Jaime no Facebook teve mais de 500 comentários. Os dois que mais repercutiram sintetizam a questão: Jader Rocha manifestou preocupação com o desemprego, especialmente durante a crise. Maurício Lemos procurou ver o lado cheio do copo, tarefas repetitivas sendo eliminadas em benefício de outras que exigem maior qualificação.

Em segundo lugar, Blumenau tem precedentes em casos assim. Puxamos o Fio da memória e, em ao menos duas situações, a proteção do emprego venceu o desenvolvimento tecnológico. Vinte anos atrás, a Câmara aprovou e o então prefeito Décio Lima (PT) sancionou lei que até hoje proíbe equipamentos de autoatendimento em postos de combustíveis. Era o emprego dos frentistas que estava em jogo. Três anos mais tarde o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sancionaria lei federal semelhante.

No transporte coletivo, basta alguém falar em retirar os cobradores dos ônibus para instalar confusão no Legislativo e no Executivo. Viu-se esse climão na recente alteração feita na lei que desde 2003 protege esses trabalhadores. A ementa da lei em vigor é clara: “Dispõe sobre a manutenção do nível de emprego em razão da implantação do sistema eletrônico de passagens no transporte coletivo urbano”.

Claro, a questão como um todo é global, e não local. Em Joinville e centenas de cidades mundo afora não há cobradores nos coletivos. Postos sem frentistas e caixas sem atendentes são comuns em países europeus e nos Estados Unidos.

Seja em caixas, catracas ou bombas, a questão é igual: a tecnologia reduz a necessidade de mão de obra. Hoje, a discussão é sobre supermercados. Amanhã, pode ser sobre a sua atividade profissional. Nós jornalistas falamos com conhecimento de causa.

Se os empregos perdidos surgem em outras pontas da economia, é questão em aberto. Há análises otimistas sobre a chamada destruição criativa: substituição de tarefas braçais por empregos qualificados. Exemplo prático: o autoatendimento da Cooper foi desenvolvido por uma empresa de tecnologia local.

Porém, a intensidade das transformações tecnológicas em curso levanta dúvidas sobre a validade dessa tese no futuro. Se você se interessa pelo assunto, este colunista do Estadão abordou o problema de modo didático em uma série de textos no início deste ano.


A Cooper tem acompanhado a repercussão e considera a divergência “saudável”. O objetivo é seguir “as tendências e inovações tecnológicas do varejo alimentar”. Existe a possibilidade de ampliar a rede de autoatendimento a mais unidades da rede. Vai depender do resultado dos quatro terminais à disposição do público a partir de hoje, data da inauguração.

Curtas

O vereador Jovino disse ao Pancho que as mulheres devem pagar meia entrada em baladas e eventos culturais porque gastam mais para se arrumar. Justificou (?!) o projeto de lei abordado pelo Fio semana passada.

A proposta de fracionamento da cobrança nos estacionamentos privados de Blumenau foi rejeitada pela quarta vez desde 2013, mostra o Santa.

Temos uma nova ciclofaixa na cidade, na Benjamin Constant. Mas ela tem só 90 metros de extensão. Aliás, você já reparou que uma das faixas de toda aquela rua é bem mais larga que a outra? Pois é. Planejaram uma ciclofaixa ali há mais de 10 anos, mas comerciantes são contra. A prefeitura informa que não há previsão para seguir com a obra.

A licitação de R$ 1,3 milhão para o “cafezinho” servido na Justiça de Santa Catarina foi cancelada. A justificativa para dar fim ao gasto com a versão gourmet do grão foi o “interesse público”.

Fim de semana

A onda de frio que nos congelou dos ossos à alma vai dispersando aos poucos. Mas as mínimas seguem abaixo dos 10 ºC no fim de semana. Ao menos fará sol.

O palco do Teatro Carlos Gomes recebe 30 atores, bailarinos, cantores e orquestra ao vivo no espetáculo A Bela e a Fera, em duas sessões amanhã.

Sábado começa a Semana da Imigração Alemã, com programação que inclui apresentações, desfiles, exposições de carros e comida típica em vários pontos da cidade.

Se você gosta de motocicletas e acrobacias, sábado tem Arena Freestyle Show no estacionamento do Norte Shopping.

E a Festitália se despede do setor 2 da Vila Germânica neste domingo.

Para se programar

Dia 30 tem a 24ª edição da Cãominhada na Vila Germânica.

A Vila também recebe entre 4 e 6 de agosto o gastronômico Sabores de Santa Catarina.

O Roteiro Blumenau Gastronômico retorna em agosto com opções de inverno em 26 bares, restaurantes, docerias e cafeterias. Pratos de R$ 9,90 a R$ 69,90.

E ainda:

O Estadão publicou reportagem sobre roteiros de pedal integrados com cervejarias artesanais da região. Está caindo de madura a ideia de um roteiro cicloturístico integrado à rota da cerveja.

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    Eduardo Santos Matos Rocha

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    Jornalista, estudante de direito

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