Pelo resgate de um Porto mais Alegre

Em Porto Alegre, o papo no almoço de domingo em família era o parcelamento de salário. Em setembro, o governo do Estado pagou 350 reais a primeira parcela dos vencimentos da maior parte dos funcionários públicos. Já o município, que também parcelou, deu R$3.500,00 para os que recebem acima disso. O restante será desembolsado ao longo do mês. Fora essa situação, outras pautas que tenho ouvido muito por aí são a insegurança, casos de assassinatos, roubos e como a cidade está atirada, mal cuidada, suja.

Paira no campo energético da metrópole dos gaúchos — que já foi chamada de Capital ambiental do Mercosul, pois já teve arborização bem cuidada, tendo quase uma árvore para cada habitante — um clima de desconforto, de desamino, até desespero. Tem gente que não sai mais de casa com medo de assalto. Isso sem falar na situação do Brasil, da Amazônia, da gestão ambiental do Rio Grande do Sul, das nossas reservas, como Parques Nacionais, do Temer etc.

Cenários desoladores pra quem, como eu, ajudou a construir a Secretaria do Meio Ambiente do Estado, prestou serviços para quase extinta Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Porto Alegre (agora mudou o nome, foi acrescentado o “e da Sustentabilidade”, pois a atual gestão está fazendo um desmonte do Sistema Municipal de Meio Ambiente). Também estive lado a lado em tantas campanhas e mobilizações em projetos na Amazônia e na Mata Atlântica que perderam completamente a relevância para os governantes. E isso não é um problema só nas esferas governamentais.

Umbu, árvore nativa do RS, foi abatida com autorização do órgão ambiental estadual, porém não se sabe o porquê, pois está longe de qualquer fio em Porto Alegre

Está duro de viver enfrentando as notícias de corrupção, desmatamento, governos sem noção e sem respeito ao povo. Já resolvi não ver mais telejornais como uma forma de me proteger. Precisamos, sem dúvida, criar mecanismos para ficar com um bom astral, apesar de tudo. E uma das coisas que eu tenho feito, é procurado colocar em prática os preceitos da Fluxonomia 4D. A “Flux”, como é conhecida pelos seus praticantes espalhados pelo Brasil, é uma ferramenta que catalisa possibilidades de se encarar a vida nesse momento de transição. Ela proporciona que se vislumbre e viabilize futuros desejáveis através de ações de novas economias — Criativa, Compartilhada, Colaborativa e Multimoedas. Pra isso, a Flux, criada pela Lala Deheinzelin, diz que precisamos comunicar, colocar na roda nossos projetos que exigem participação.

O negócio é não se deixar abater e se retroalimentar com boas energias e alto astral . E, principalmente: em grupo. Só assim se pode potencializar ações e dar sentido. E só o que é sentido, faz sentido, diz a Lala. Essa é a ordem. Tudo pode melhorar se houver convergência de ações com estratégia e participação.

Por isso, conversando com a amiga Lúcia Achutti, também jornalista e inconformada como eu — que atravessa por situações parecidas com a minha na vida — surgiu a ideia de unirmos esforços para fazer alguma coisa para amenizar esse momento tão desconcertante que estamos vivendo. Lúcia chegou a semana passada aqui em casa muito incomodada com um assassinato que ocorreu perto da sua casa.

“Não interessa se era bandido, o que não pode acontecer é as pessoas simplesmente serem mortas no meio da rua,” sentencia Lúcia.

Então resolvemos criar um espaço na web para colocarmos na roda nossas ideias para fazer alguma coisa diante do estado atônito e de marasmo da esmagadora parte da população do Rio Grande do Sul atravessa. Moramos em um tradicional bairro de Porto Alegre, próximo do Centro. Queremos fazer com que as pessoas despertem, não fiquem de braços cruzados diante do atual momento, que exige ações de cidadania.

Lucia e eu ainda não sabemos ao certo o que fazer. Por isso, coloco na roda nossa inquietação. Tens alguma sugestão? Escreva pra nós. Vamos encontrar juntos uma solução. Tenho absoluta certeza de que será divertido e revigorante para quem participar. Entre em contato comigo, por aqui ou pelo pelo facebook Silvia Franz Marcuzzo.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Silvia Franz Marcuzzo’s story.