Relações Públicas sem vaidade

Como encarar os números e conquistas de forma realista!

Em junho de 2016, há 1 ano exatamente, minha vida virou de cabeça para baixo. Uma cirurgia inesperada, uma demissão, mudança de casa e tudo o que eu, como Relações Públicas que sou, planejei nos mínimos detalhes me vi obrigada a parar e gerenciar uma crise pela qual nunca havia me preparado.

Aos poucos a poeira foi abaixando e pude me reestruturar novamente. Fazer parte do Fantástico Mundo RP foi uma das conquistas da nova Mary que estava nascendo, você revê um pouco dessa trajetória no meu post de estreia no blog “Como ser RP de mim mesma e gerenciar uma crise chamada Desemprego?”.

Calma, esse post não se trata de um texto piegas de auto-ajuda. Essa reflexão que faço constantemente me lembra do quanto somos vaidosos e o perigo que mora nesse pecado capital.

Nós enquanto RPs, os guardiões da Marca e gestores da Reputação, corremos o grande risco de nos blindar com uma película da vaidade quando estamos navegando em mares calmos.

Essa vaidade, geralmente, é construída com indicadores que nós nos apoiamos para confirmar o quanto somos relevantes e necessários para as organizações, são os indicadores da vaidade. No post da Nicola, T. da semana passada, Jefferson Zysko, da Mind School, ela já citou, brevemente, as métricas da vaidade e como esse mantra precisa mudar.

Eu mesma me vejo apegada aos likes dos posts e percebo o quanto isso pode ser prejudicial no momento de pensar a estratégia do negócio.

Mas o que são métricas da vaidade?

Em resumo, métricas da vaidade são indicadores que não ajudam a tomar decisões, seja no seu próprio negócio ou na gestão da comunicação nas empresas.

Não significa que você não possa olhar para elas, mas elas não podem definir sua estratégia por si só. Vamos a alguns exemplos:

  1. Número de leads: muito comum no Inbound Marketing as máquinas de vendas serem gerenciadas pelo número de leads. Ok, mas quantos são convertidos em algum negócio, relacionamento ou resultado?
    Já me vi comemorando com uma landing page que trouxe vários e-mails e contatos diferentes. Mas poucos eram qualificados e a conversão foi zero, um desastre.
  2. Likes, curtidas na página, ❤ e etc. no Twitter, Facebook, Instagram e afins: de novo o questionamento aqui é o quanto de resultado para a organização esses números podem trazer. É comum vermos páginas e blogs com milhões de curtidas, mas pouca interação nas postagens e zero conversão. É preciso dar mais atenção aos chamados “micro blogs” com pessoas mais reais, menos montadas e que convertem e “vendem” de forma mais realista e natural. Tem sido comum grandes marcas vincularem o seu negócio a essas métricas da vaidade no momento de definir uma estratégia de relacionamento com os influencers.
  3. Número de novos clientes: calma, eu não estou doida. Em um curso com a Suzel Figueiredo, Relações Públicas e proprietária do IdeaFix e, numa palestra com Clayton Guimaraes, empreendedor, Diretor do Found Institute e Co-founder do Sevna Seed de Ribeirão Preto, reforçaram o mesmo ponto.
De nada adianta olhar apenas para o número de novos clientes adquiridos, se você deixar de lado a taxa de churn.

Ou seja, todos os meses você conquista mais 100 novos clientes e não entende porque a receita não cresce na mesma velocidade. Ou então, a página que você gerencia tem 1000 novas curtidas por mês, mas o alcance só diminui. Se você não olha a taxa de churn, a taxa de evasão e perda de clientes/curtidas, toda e qualquer decisão a ser tomada estará baseada numa métrica da vaidade. Muito cuidado!

4. Presença em eventos: essa é a métrica da vaidade preferida dos RPs, na minha opinião. Por um período, eu era responsável por organizar a festa de final da empresa e sempre avaliávamos quantas pessoas iam ao evento. Depois de alguns anos percebi que eu estava avaliando uma métrica totalmente vaidosa. Eu apenas olhava quantos estavam presentes, mas não comparava ao número de convidados e, pior, não havia qualquer investigação do porquê as pessoas não iam. Todos os anos as mesmas pessoas davam as mesmas notas na pesquisa de satisfação e o evento nunca iria evoluir. Simplesmente porque estávamos fazendo perguntas para as pessoas erradas. O principal indicador, nessa situação, era levantar quantos e o porquê os ausentes não participavam dos eventos.

Conclusão

Os indicadores podem nos iludir se olharmos com uma visão romântica e desatenta ao que eles nos dizem. É importante sim acompanhar o número de curtidas, os likes, saber a quantidade de pessoas presentes no evento e ter anotado o número de clientes novos adquiridos, mas nenhum indicador, sozinho, pode ser o responsável na definição da estratégia.

É preciso tirar a película que a euforia da conquista e dos bons números colocam nos nossos olhos e analisar cada indicador de forma realista. 
Pense nisso! ;)

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