Trabalhar na Alemanha: aprendizados e desafios

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Encontrar um bom trabalho dentro do Brasil demanda tempo. Fora dele, já fica um pouco mais difícil. E encontrar um trabalho em Comunicação fora do Brasil então, nem se fala. Além de barreiras como a língua, as diferenças culturais e a burocracia, a carreira em Jornalismo, Marketing, ou qualquer outra área de Comunicação, oferece vários desafios e aprendizados e para quem se arrisca a mudar de país.

Eu sempre estive muito ciente sobre as dificuldades de trabalhar na minha área quando vim para a Alemanha, em 2008. Comecei fazendo um estágio em Marketing Digital em Berlim, aí fiz outro estágio também em uma empresa online em Munique e só depois de dois anos consegui achar um emprego que se aproximasse o máximo possível da área em que eu gostaria de atuar. Hoje, trabalho para a STYLIGHT, uma plataforma de moda alemã presente no Brasil e em outros 13 países.

Como eu trabalho com toda a parte da Comunicação relativa ao Brasil para a minha empresa, eu posso dizer que sou uma espécie de mediadora entre o Brasil e a Alemanha, e essa tarefa, acredite se quiser, não é das mais fáceis. Depois de 3 experiências de trabalho em Comunicação fora do Brasil, separei algumas dicas que eu mesma gostaria de ter escutado antes de fazer as malas. Confira:

- Inglês fluente é, mesmo, imprescindível. Sei bem que isso não é nenhuma novidade, mas quando se trata de comunicação, dominar esse idioma é realmente obrigatório. Aqui na Alemanha, há basicamente duas opções de trabalho: ou você concorre lado a lado com nativos e, portanto, tem que falar e escrever super bem o idioma local, ou você se candidata para empresas que investem no mercado brasileiro, como é o meu caso. E é aí que entra o inglês. Geralmente, nessas empresas internacionais, falar a língua local é um plus, mas não obrigatório. Portanto, dominar pelo menos o inglês é fundamental.

- As entrevistas de emprego são um pouco mais complexas do que no Brasil. Já passei por situações no Brasil em que eu me perguntava se estava mesmo em uma entrevista ou em uma conversa informal. Aqui é um pouco diferente. Na Alemanha, por exemplo, todas as entrevistas seguem uma lógica estruturada e abordam diferentes aspectos (inclusive, na maioria delas, você precisa resolver até algumas questões de lógica). Fui sempre questionada se eu tinha conhecimento básico em SEO e se eu tinha experiência com mídias sociais. Quanto menor a empresa, mais multi-task o profissional precisa ser. Antes de entrar na STYLIGHT, passei por duas entrevistas de emprego e um assessment day (um dia de testes desempenhando a função na empresa).

- O currículo precisa seguir o padrão, e a cover letter (carta de apresentação) também. Os alemães adoram seguir uma estrutura definida. Enquanto no Brasil nós somos um poucos mais “criativos” na hora de escrever o próprio currículo, aqui a regra é clara: no máximo uma página (2 só se você já for sênior) e sempre com foto. A carta também é super importante. Nela você precisa convencê-los de que é bom o suficiente para a vaga. E em no máximo 3 parágrafos. Quanto mais direto ao ponto melhor.

- Quase toda empresa tem um departamento de comunicação. Enquanto no Brasil a tendência é que algumas companhias terceirizem esse trabalho com agências, eu percebo que aqui as empresas (até as bem pequenas) entendem mais o valor de ter esse profissional in-house. Nos três escritórios que eu trabalhei, sempre havia pelo menos um profissional responsável pela Comunicação.

- O networking varia muito do ponto de vista cultural. Enquanto por aqui os profissionais da área separam bem os relacionamentos profissionais das relações pessoais, no Brasil é comum ficarmos amigos de clientes, de colegas de trabalho, etc. Muitas vezes, um bom relacionamento pessoal é a porta de entrada para novas parcerias e oportunidades. Entretanto, aqui na Alemanha, os comunicadores não se envolvem muito pessoalmente e fazem questão de separar bem a vida privada dos contatos profissionais.

Conheça um pouco mais a Thalita Milan:

Thalita Milan tem 25 anos e é formada em Jornalismo, pela UEPG (Paraná). Ela se mudou para a Alemanha, logo depois da faculdade, para ganhar experiência de trabalho no exterior (e também viajar um pouco, hehe). Hoje, Thalita trabalha para a empresa de moda STYLIGHT, em Munique, na Alemanha.