Uma coleção de experiências e o que isso tem a ver com o futuro dos Relações Públicas

Como é minha (Muriel Felten) primeira publicação no blog, é claro que vou aproveitar para que vocês me conheçam um pouco :)

Caso seja verdade que a profissão de relações públicas proporciona muitas possibilidades, eu sou a prova viva disso. Mesmo antes de entrar na faculdade, já havia experimentado várias atividades envolvendo atendimento, eventos e pessoas em geral. Durante o curso, a média foi de um estágio por ano, sempre em áreas completamente diferentes, e após, já formada, continuei a manter a tendência, atuando em organizações diferentes, até chegar ao ponto de ter a minha própria empresa.

Falo com o maior orgulho desse meu comportamento aventureiro porque sei que, por meio dessas tantas apostas, fui adquirindo consciência profissional e de vida e buscando o que a universidade não te mostra: o conhecimento da vivência (um assunto complicado e pouco debatido). A característica do curso de RP, muito mais do que qualquer outro, é justamente, formar o profissional para atuação em diversas áreas da comunicação, o que acaba, muitas vezes, se traduzindo em nenhuma específica.

Mas, calma! não estou dizendo que os RPs não sabem fazer nada, mas sim que, em meio a tantas opções, ficamos perdidos sobre o caminho que realmente devemos seguir. Vivemos o que, adiante, será a nossa dor de cabeça para planejamento de marketing: o paradoxo da escolha. Essa teoria diz que, sempre que compramos um produto, em meio a uma enorme variedade de opções, temos a sensação incômoda de que não escolhemos o perfeito. Muitas possibilidades produzem uma sensação de paralisia e de falta de liberdade, gerando muita ansiedade. Como uma consumidora curiosa e inquieta, eu fui comprando um produto por vez e provando o que mais gostava, o que não gostava tanto, qual era a sensação que me agradava em todos aqueles produtos na prateleira e, assim, fui me conhecendo. Mas e aqueles que não têm esse tempo? ou dinheiro? Ou “cara de pau”mesmo?

Está na hora das universidades se atentarem para isso e ajudarem o aluno a identificar qual a sua real habilidade e onde ele deve investir, pois, do contrário, sempre será mais ou menos bom em qualquer atividade da comunicação, e isso, meus amigos, é um prato cheio para que outros profissionais “roubem” nosso espaço. E não há CONRERP que resolva o problema.

Mas o que o RP faz que o administrador formado em marketing não aprendeu a fazer? Que eventos diferenciados saem das nossas mãos e não podem sair das mãos da vizinha psicóloga que perdeu o emprego e sempre adorou organizar festinhas? Por que as empresas devem nos contratar para fazer planejamento e não um publicitário que não gosta muito de criação? Por que o RP é melhor assessor de imprensa que o jornalista?

Acredito que a chave para responder a todas essas perguntas é a conexão. Não me considero somente uma comunicadora, pois hoje, com as redes sociais, todos são, mas sim uma conectora, e esse foi o ponto convergente de todas as experiências que tive. Conectar a verdade da organização (sua identidade) com a verdade do público-alvo (suas expectativas).

É fato que ser conector é um talento, ou seja, a capacidade de motivar e mobilizar pessoas, despertar seu interesse, sua curiosidade, sua admiração, fazê-las opinar, discutir e melhorar pode ser um dom, mas isso também pode ser aprimorado. É nesse ponto que acredito estar o futuro das relações públicas. Não existem outros conectores no mercado, mas o mundo precisa desse profissional mais do que nunca. E nós, relações públicas, há décadas incompreendidos por trabalhar com a sensibilidade e o intangível, temos a nossa grande chance de sermos reconhecidos como indispensáveis no dia a dia das organizações.

O porquê o mundo está precisando mais do que nunca de conectores é visível e é tema para outro texto. Por hora, acho que já temos uma boa reflexão para a semana ;)

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