
Você já pensou em voltar para o universo acadêmico?
Mestrado e doutorado na área de comunicação são portas para repensarmos nossos processos
A UFRGS abrirá, nas próximas semanas, as inscrições para mestrado e doutorado do Programa de Pós Graduação de Comunicação — PPGCOM, para início em 2018. Como filha da casa, há anos venho namorando a ideia de voltar à academia para aprofundar os questionamentos acerca dos processos de comunicação que vivemos atualmente. Esta vontade, porém, sempre esbarrou em duas questões: o meu receio, como atuante do mercado, em embarcar nesta viagem teórica e reflexiva e, por outro lado, as ressalvas da instituição em aceitar alunos que não tenham bagagem acadêmica. Digo isto porque um dos critérios de classificação é, justamente, o curriculum lattes, ou seja, o histórico de participações em eventos científicos e artigos publicados.
A situação me levou a pensar em uma certa divisão criada entre os dois universos, o mercadológico e o acadêmico. No mundo atual, com a sociedade carente de ações que tragam mudanças efetivas e em curto prazo, os chamados makers ganham cada vez mais força. São aqueles que empreendem uma ideia e a colocam em prática, seja dentro de organizações ou de forma autônoma, acertando o passo a partir da execução, testando resultados positivos e negativos. É o que define a expressão “antes feito do que perfeito”, tão valorizada hoje em dia. Apesar de impulsionar o desenvolvimento, esta tendência ansiosa e sem estudo prévio de cenários e comportamentos, que não vai à origem dos problemas, parece nivelar o mercado por baixo, criando uma atmosfera rasa de soluções.
Por outro lado, temos as instituições acadêmicas de comunicação desenvolvendo pesquisas antropológicas e culturais interessantíssimas no que diz respeito à compreensão do comportamento de grupos e suas interações e influências no campo social. O grande problema é que, em muitos casos, essas descobertas são pouco aproveitadas de forma prática, ou seja, não se traduzem em mudanças significativas na nossa realidade. Neste contexto, os estudos poderiam contribuir para tornar o mercado de comunicação mais embasado e com alternativas mais efetivas. Da mesma forma, levar o dia a dia das empresas para dentro das universidades tornaria o processo de pesquisa mais dinâmico e atualizado.
Felizmente, já existem muitos movimentos para interação entre estes distintos mundos. São vários os RPs com mestrado e doutorado que atuam no mercado privado, como Suzel Figueiredo,diretora da Ideafix, e Viviane Mansi, gerente global de Branding e Comunicação da Votorantim, para citar apenas alguns. E, cada vez mais, as empresas incentivam seus funcionários a esse retorno, com a disponibilização de horas mensais para academia.
No meu caso, o olhar de mercado despertou a necessidade da pesquisa acadêmica. Há dois anos, fiz um plano de branding para posicionamento de uma cidade como turística. Ainda na etapa de pesquisa de imagem com os moradores, percebi a baixa auto-estima da população e a falta de engajamento com os projetos, o que invialibizaria o plano criado. Para resolver esta questão, é preciso entender por que ela ocorre, e somente os autores da nossa área e muita pesquisa de campo podem ajudar. Agora, precisarei convencer a banca do PPGCOM de que, mesmo sem artigos científicos, tenho um trabalho muito legal a desenvolver. Torçam por mim ;)

