Projeto da UFPB estimula a percepção musical de deficientes auditivos

Pesquisadores do projeto Auris transmitem as sensações da música para surdos por meio de equipamentos

Realização de teste na cadeira “Auris Chair” desenvolvida para o projeto. (Foto: Divulgação/Projeto Auris)

Por Daiane Lima

Você já pensou em poder sentir a música apenas através de vibrações? Essa é a ideia do Projeto Auris, desenvolvido pelo Laboratório de Vídeo Digital (Lavid) da Universidade Federal da Paraíba. A iniciativa promove a percepção musical e traz as sensações da música para pessoas surdas.

De acordo com Carlos Eduardo Batista, professor do Centro de Informática (CI) e coordenador do projeto, o Auris é baseado em estudos que mostram que estímulos táteis em pessoas surdas podem simular a audição.

Além de Carlos Eduardo, a equipe do projeto é formada pelo estudante de Ciência da Computação, Felipe Alves, e outros quatro pesquisadores que trabalham no desenvolvimento e aprimoramento do estudo.

No trabalho, são utilizados um conjunto de equipamentos que permitem a tradução dos elementos principais da música: harmonia, melodia e ritmo, promovendo assim uma experiência completa. Uma cadeira denominada “Auris Chair”, que possui quatro alto-falantes e um subwoofer, possibilita a saída do áudio das músicas, e consequentemente as vibrações; um bracelete denominado “Auris Bracelet” conta com vibracalls que aumentam a vibração; e um capacete monitora os estímulos cerebrais e as reações. Também é utilizado o “Auris Interface”, um monitor que transmite visualmente a letra da música através de um intérprete de libras ou de um avatar.

“Por meio de pesquisas, observamos que as pessoas conseguem sentir frequências médias e graves de outras formas além da audição. A vibração sonora faz com que os nossos órgãos internos vibrem, e sentimos a música também através disso. Assim, colocamos na cadeira alto-falantes que servem para fazer esse tipo de estímulo. Criamos também o bracelete para ter uma parte da tradução da música sendo passada pelo tato. O monitor serve para levar informações de músicas que tenham letras para os usuários surdos”, destaca.
Carlos Eduardo Batista, coordenador do projeto. (Foto: Daiane Lima)

Também foi desenvolvido um capacete que permite capturar informações cognitivas direto do cérebro. “A partir do capacete, começamos a direcionar os testes para que pudéssemos atingir os extremos da música. Hoje, selecionamos músicas que tem um apelo emocional maior em todas as direções e que estimulam sensações extremas, assim fazemos um mapeamento para que elas sejam reproduzidas na nossa cadeira”, relata o pesquisador.

Realização dos testes

Os testes são realizados com voluntários ligados ao curso de Letras Libras da UFPB e à Fundação de Apoio ao Deficiente (Funad) e acontecem duas vezes por mês. O projeto também aceita outros voluntários com deficiência auditiva. Atualmente, fazem parte do trabalho pessoas com diferentes níveis de surdez e ouvintes que dão apoio ao estudo.

A partir dos testes, os pesquisadores já conseguiram observar aspectos de reconhecimento de músicas em alguns surdos, como a identificação de gêneros musicais. Os deficientes auditivos também conseguem reconhecer ritmo, melodia e harmonia das músicas. A parte rítmica, baseada em percussão, foi um dos pontos fortes reconhecidos pelos usuários surdos.

Também já foi possível identificar diferentes reações nos deficientes auditivos, mas, em geral, as expressões são de felicidade e surpresa. Como relata o estudante de Ciência da Computação, Felipe Alves, um dos responsáveis pela aplicação dos testes. “Alguns conseguem compreender rapidamente o que está acontecendo, conseguem sentir melhor a música e outros ainda estão em processo de adaptação, porque basicamente para alguns é tudo novo, para outros, que já ouviram, fica bem mais fácil”, explica.

Possibilidade de inclusão

A área de estudo de “música para surdos” ainda está em desenvolvimento e a tradução das músicas ainda tem complicações. Ainda há muito o que ser desenvolvido no que diz respeito à tecnologia de experiências musicais para deficientes auditivos. Porém, os idealizadores do projeto se empenham para que os surdos tenham um certo grau de experimentação da música.

“Levamos um arranjo de experiências sensoriais para uma pessoa que muitas vezes foi socialmente excluída daquilo, já que muitas vezes o surdo se sente excluído de situações onde o som, o áudio é o mote. Existe esse aspecto social e nós estamos procurando viabilizar isso do ponto de vista da tecnologia. Então, esse é o grande objetivo do projeto, levar a música para as pessoas que se sentem excluídas dela”, diz Carlos Eduardo.

Mais informações sobre o projeto podem ser conferidas aqui.

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