Rap feminino canta empoderamento e direito das mulheres na PB

Grupo Sinta a Liga Crew. Foto: Leo Thomas

Por Dani Fechine

Criado em 16 julho de 2016, o grupo de rap Sinta a Liga Crew chegou na Paraíba para fazer história na música local. Formado apenas por rappers mulheres, o projeto faz alusão a uma peça íntima do vestuário feminino e também significa motivação, “a liga que reúne os principais nomes do hip hop feminino da Paraíba”. As músicas dominam os estilos do rap, dance hall, reggae, reggaeton e ainda mesclam samba e MPB. Elas utilizam as melodias como forma de empoderamento e luta pelo direito das mulheres.

O Sinta a Liga é formado por Julyana Terto, Kalyne Lima, Camila Rocha e Preta Lange como rappers. Pricila Lima é a grafiteira do grupo, Giordana Leite é a dançarina, e como DJ e produtor musical, o único homem da banda, Guirraiz.

“Trago para minha música esses valores que acredito e me empodero deles, em algum momento isso pode tocar outras pessoas e inspirá-las”, declara Kalyne.

As composições são basicamente autorais e as meninas também já estão gravando o primeiro EP, que deve reunir músicas como Quem Diss, lançada em 2016, e Campo Minado, escrita pelas quatro rappers. “Inicialmente o Sinta a Liga surgiu como um coletivo feminista de mulheres artistas e produtoras, a fim de promover eventos que tinham as mulheres como protagonistas”, conta Camila Rocha, integrante do projeto. Depois, resolveram juntar os talentos e assumir o palco.

“Minha inspiração são minhas convicções”

Para Kalyne Lima, o próprio rap surge como um instrumento de empoderamento da população jovem da sociedade. “Diante disso, qualquer pauta feita traz essa possibilidade”, afirma. Mulher, jornalista, rapper, esposa e mãe, ela aprendeu com a vida e com as escolhas. “No hip hop eu aprendi um lema que me acompanha até hoje, que é o ‘faça você mesmo’, e essa possibilidade de ser autodidata também colabora para um aumento da minha consciência social e cidadã”, completa.

O trabalho ganhou positiva repercussão na cidade de João Pessoa e em todo o estado, principalmente entre as mulheres, que começaram a se sentir representadas e pautadas pela músicas das meninas do Sinta a Liga. As referências são diversas devido a pluralidade do grupo, portanto, consideram até difícil definir um expoente. Mas uma verdade entre elas é que a temática da produção musical feminina sempre terá o seu espaço nas suas músicas.

“Minha inspiração são as minhas convicções, situações que me inquietam, me indignam ou que me toquem de alguma forma”, explica Kalyne, mas confessa que tudo é possível ser cantado, desde que empodere pautas produtivas. “Um exemplo disso é que estou trabalhando numa música que fala de amor, ao mesmo tempo que estou produzindo outra que fala da fila do banheiro feminino nas festas. Antes disso, compus sobre feminismo”, completa.

No entanto, não basta apenas talento para ser mulher e ocupar um espaço predominantemente machista e formado por homens. É preciso coragem e o mínimo de força para não desistir. O hip hop, para o grupo, é uma reprodução da sociedade machista e misógina do século XXI, mas também reproduz a luta e a resistência das mulheres. “A dificuldade é a mesma que ser mulher numa sociedade que odeia as mulheres. Hip hop é um movimento complexo, assim como a vida, tem hora que dá um desânimo, mas da mesma forma que não devemos desistir da vida, procuro não desistir do hip hop”, confessa Kalyne.

Conheça os integrante de Sinta a Liga Crew

As AfroNordestinas foi o primeiro grupo de rap feminino da Paraíba e já ganhou importantes prêmios de música, como o Hútuz, maior festival de hip hop da América Latina. Formado por Julyana Terto e Kalyne Lima, a dupla traz um repertório que transita do samba a MPB, tendo o rap sempre como essência.

Grupo está gravando primeiro EP. Foto: Leo Thomas

Camila Rocha, poetisa de nascença, estruturou o seu trabalho com influências do reggae, MPB e samba. Lançou seu primeiro EP solo intitulado Poesias Recortadas no ano de 2015. Camila é uma das artistas mais provocadoras da cena local, com visual marcante e fortes expressões de resistências.

Preta Lange, dona de um timbre grave e forte, se inspira em estilos como dancehall e reggae. Ela é uma das grandes responsáveis pela música “Quem Diss”, single de apresentação do projeto, em parceria com Camila, Julyana e Kalyne.

Além dessas vozes indispensáveis, Priscila Lima também participa do grupo na cena do gaffiti. Ela criou a personagem “Catrina”, uma caveira que surge em diversos contextos femininos com o objetivo de retratar e empoderar as mulheres. Giordana Leite é dançarina e considerada uma das maiores referências reggaeton do país. E, com grande dedicação na produção musical, o DJ Guirraiz apoia o grupo e já produziu diversos outros artistas relevantes, como o rapper brasiliense GOG e o projeto Vice Versa, que reuniu o cantador Oliveira de Panelas, a Orquestra Sanfônica da Paraíba e a rapper Kalyne Lima.

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