Diario de John Mcgregor

Eu nem podia me conter.

Eram milhares de fãs se contorcendo aos solos estratosféricos de Dave Murray.

Cada nota, eu já havia tirado na minha guitarra de segunda mão. Que eu comprei com o trabalho part time servindo feitas. Comprei essa guitarra na Lica do seu Sullivan.

Que show. Impactante. Por alguns minutos eu esqueci todos os problemas de casa. E daquela merda de escola.

Estou no ônibus. Ainda sinto a multidão em uníssono cantando todas as musicas. Volto pra casa.

Do ônibus vejo uma névoa estranha. O que está acontecendo com essa merda de cidade?

Meu Walkman parou de funcionar. Alguém vem correndo em minha direção.

O QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO?

Meu amigo. Descer naquele esgoto e ver todos os nossos familiares ao redor de um enorme fosso. Foi algo estranho. Parecia um show de heavy metal. Não obstante de naquele momento eu ter perdido praticamente minha audição. A turba de entes queridos nos arrastou. Caímos no poço. E tudo acabou, acabou mesmo?

Ou estamos conectados em tubos flutuando em cadeiras estranhas. Como o nosso professor.

Tudo soa como uma música do Iron Maiden para mim.

Eu sinto. Eu vejo.

O incrível kraken. O senhor das moscas. Belzebu carcomido. Quanto mais eu penso sobre o que aconteceu. Mais eu me sentia como um estranho em uma terra estranha. Me sentia um nomade. Ninguém parecia lembrar. Nem se importam. As pessoas sumiram das lembranças alheias.

É um mundo paralelo? É um devaneio adolescente? Quem somos, se não peões no tabuleiro…

Cara. Vou ser bem sincero contigo. Nem um shrink me ajudaria nesse caso. Eu vivi a mesma situação duas vezes. Achei até que seria capaz de mudar alguma coisa. Mas na verdade mudei. Só perdi parte da audição duas vezes. E vi pessoas morrerem. Mas quem acreditaria em um

Adolescente que diz que um enorme kraken vai invadir a cidade e comer nossos cérebros? Ninguém acreditaria em mim. Me internariam num madhouse. às vezes eu me sentia numa música do Anthrax.

Teve um momento que roubamos um carro, acho que era o carro do pai de um de nós, ou era o do diretor da escola. E a radio que não funcionava desde que eu havia posto os pés fora do ônibus. Que meu Walkman não funcionava, que minha vitrola não saia música nas caixas, apenas na agulha. Eu estava completamente desnorteado. O heavy metal me acalmava e me deixava mais focado. Nessa hora que estávamos no carro roubado, dirigindo feito adolescentes bebados. O rádio voltou a funcionar. E ouvimos de relance algumas musicas que eu nunca ouvira na vida. Elas pareciam do Iron. Me soavam como Iron. Mas eu não fazia a menor ideia de qual musica estava sendo tocada no rádio. E quem estava transmitindo. Acho que nessa hora estávamos indo pra estação de rádio descobrir porque os sons não saiam dos autofalantes.

A verdade é a seguinte. Pouco importa. Eu já vi faces familiares e já vivi isso outras vezes. Eu sinto e prevejo o dejavu. Sinto as sombras à espreita. Serei capaz de jogar rpg novamente? Ou minha vida para sempre será esssa alucinação repleta de complicações?

Quem é este James Guillen? Não lembro dele. Estou muito perturbado pra lembrar exatamente como cada um de nós terminou nossas alucinações coletivas.

Aquele maluco lá pegou um ônibus e se mandou. E nós? Nos estamos aqui presos com nosso professor jogando rpg. Jogando rpg? Estamos é presos em outra dimensão. Isso sim. Quem é que vai acreditar em um garoto como eu!

A única coisa que penso, será que o sétimo filho do sétimo filho vira? Será que somos filhos da lua? Será que posso usar a loucura ao meu favor? Sonhei com sonhos infinitos e na maldade do homem. Neste sonho um vidente me disse uma profecia que apenas os bons morrem jovens. Acho que este ano é o ano de minha morte.