Opeth

09/04/2017, Carioca Club, São Paulo.

O Opeth entrou no palco pontualmente às 20h e abriu o show com a ótima “Sorceress”, do álbum homônimo lançado em 2016. Felizmente o som da casa estava excelente (e alto, como deve ser). Cada detalhe dos arranjos complexos desta música puderam ser ouvidos, mesmo com o público — que lotou o Carioca Club — cantando junto com a banda. Seguiram com “Ghost of Perdition”, de Ghost reveries, de 2005, e “Demon of the fall”, de My arms, your hearse, de 1998. Três músicas que foram feitas em momentos diferentes na história da banda e mostraram grande unidade ali tocadas em sequência. O Opeth é uma daquelas bandas que evolui, mas permanece a mesma.

A banda sueca é formada por Mikael Åkerfeldt (vocal, guitarra), Fredrik Åkesson (guitarra, backing vocals), Martín Mendez (baixo), Joakim Svalberg (teclados, backing vocals) e Martin Axenrot (bateria). O Opeth mantém esta formação há seis anos, o que contribui para o enorme entrosamento entre eles.

Conhecida por combinar música pesada com passagens mais leves oriundas do folk, a banda tem músicas com alterações bruscas de dinâmica e timbre, e eu estava bastante curioso para conferir o desempenho deles ao vivo. Fiquei bastante impressionado com a precisão com que todos tocam essas passagens complicadas. Interessante, também, é acompanhar as mudanças de timbre nas guitarras quando chegam as partes de violão. Mikael e Fredrik usam guitarras PRS com captadores piezo que os permitem mudar de um timbre distorcido para um som acústico bastante convincente com uma simples mudança na chave de captadores.

A banda sueca seguiu misturando músicas de seus álbuns mais novos e antigos. “The wilde flowers”, também de Sorceress, “Face Of Melinda”, de Still Life (1998), “In My Time Of Need”, de Damnation (2003), o momento mais calmo do show com suas belíssimas melodias.

Mikael interagiu bastante com a plateia. Diante do coro “Opeth! Opeth! Opeth!” ele reagiu com um bem humorado “You’re right. The name of this band is Opeth”. também disse ser um colecionador de discos antigos de metal brasileiro, citando bandas da primeira geração como Sarcófago, Chakal e Vulcano. Queria entender como ele alterna perfeitamente os vocais guturais com os mais melodiosos sem perder nada da voz.

Seguiram-se os riffs angulosos e passagens jazzísticas de “The Devil’s Orchard”, de Heritage (2011), “Cusp Of Eternity”, de Pale Communion (2014), que tem um solo excepcional de Fredrik Akesson, e brutal “Heir Apparent”, de Watershed (2008), provavelmente a mais death metal do show.

Depois desta sequência, Mikael anunciou que tocariam a última música, “The drapery falls”, do álbum de 2001 Blackwater Park, dizendo que aquela música é a melhor do set para o público cantar junto com a banda. Nem precisava falar. O público ali era de fãs e vi muita gente cantando todas as músicas o tempo todo.

O Opeth ainda voltou para o bis, a longa “Deliverance”, do álbum de mesmo nome de 2002, uma música que sintetiza bem o que é a banda sueca. Partes rápidas e pesadas com vocais guturais, alternadas por momentos melodiosos e até delicados.

Com tantos anos de carreira, é fácil encontrar muito material do Opeth na internet. Seus álbuns são facilemente encontrados no You Tube e em plataformas de streaming. Para quem quer sentir como é a banda ao vivo, encontrei este vídeo muito bem gravado e editado de um show de 2015:

Não foi muito fácil fotografar o Opeth da plateia. Além da quantidade impressionante de gente que acha imperativo gravar uma parte de todas as músicas com um celular, a iluminação do Carioca Club não estava das melhores, deixando a banda muitas vezes no escuro, iluminada por trás. Mesmo assim deu pra reunir 20 fotos do show em um álbum da minha conta do Flickr. Vai lá: https://flic.kr/s/aHskSDTcf9

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