Como anda esse tal de Venture Capital?

Insights e tendências do segmento

Este ano me juntei ao time da 500 Startups depois de 5 anos empreendendo e passados quase 10 anos do meu primeiro contato com Venture Capital ainda na faculdade.

Quase que por instinto, uma de minhas primeiras iniciativas foi rever a maior quantidade possível de literatura focada no segmento, de reports a white papers acadêmicos, e logo de início já pude perceber algumas tendência bastante marcantes que outrora passavam por mim despercebidas.

Em maior ou menor grau, acredito que muitas dessas tendências irão influenciar as vidas de empreendedores, gestores, investidores e demais segmentos relacionados ao redor de todo o planeta. Veja você mesmo:

Diversificação Geográfica

As primeiras startups avaliadas em U$1bi estão surgindo fora dos EUA - na Europa, Sudeste Asiático e há quem discuta que no Brasil estamos prestes a ver a primeira onde startups de 1 bi de Real (yep, R$). O capital de risco, por sua vez, tende a acompanhar essas oportunidades. Os números falam por si só:

  • Na última década, o venture capital aumentou 2.5x nos EUA — de U$ 29.1 bi para U$ 72.
  • Fora dos EUA, o crescimento foi de 14.2x na última década — de U$2 para aproximadamente $55.4 bi, com a Asia contabilizando U$ 39 bi e Europa U$16.

Este número me leva a imaginar o que nos aguarda no futuro em termos de eixo de inovação — será que continuará concentrado no Vale do Silício? Para quem ainda não viu o documentário da WIRED sobre Shenzhen, na china, fica o convite, ele ilustra bastante este questionamento.

Tomando como exemplo a própria 500 Startups, em 2016 lançamos diversos fundos ao redor do mundo, a exemplo do Sudoeste Asiático, Canadá, Oriente médio e Norte da Africa, Turquia, LATAM, entre outros, visando assim alcançar essas oportunidades. Para mim, o Silicon Valley virou muito mais um Mindset do que um local, e o mesmo está se disseminando em todo mundo.

Risco e especialização

Para evitar risco, muitos VCs estão escolhendo entre:

  • Rounds mais tardios, os quais embutem menos risco porém maiores preços, ou;
  • Investimentos em portfolios maiores e mais diversificados de startups early-stage.

Portfolios maiores ajudam a reduzir o viés cognitivo na seleção das startups, ou seja, ajudam a reduzir “padrões de pensamentos baseados em observações e generalizações” que muitas vezes eliminam empresas vitoriosas porém mal compreendidas. Além disso, um maior volume reduz a volatilidade e cria para o fundo economia de escala em termos de estruturas de suporte.

Considerando os investimentos em rounds mais tardios, incluindo os “mega-rounds”, uma das justificativas plausíveis é o fato de serem realizados em negócios com modelos já “provados”, entretanto cuja necessidade de caixa supera a capacidade atual de financiamento.

Tamanho dos Fundos

Uma grande novidade para mim foram os Micro Fundos, os quais saltaram de 50 em 2011 para quase 250 in 2015 . Estes fundos geralmente são mais ágeis, fáceis de criar e tendem a ser mais eficientes para investimentos early stage.

Por outro lado, fundos maiores, de +U$ 500 milhões, ainda seguem fortes — em 2016, eles contabilizaram quase 25% dos fundos, dando suporte aos rounds maiores e mais caros.

Corporate Venture

O Corporate Venture deixou de ser um mito. As grandes corporações estão comprando startups— “if you can’t beat them, buy them”. Em 2016, o corporate venture contabilizou 15% do total investido no mundo.

Fonte: Venture Pulse Q4 2016 KPMG

Estamos vendo uma multiplicidade de estratégias, de venture arms a parcerias com players estratégicos, como aceleradoras, espaços de coworking, agencias governamentais, entre outras.

Fora dos EUA, o Corporate Venture está crescendo a todo vapor. Trazendo para a realidade da 500 Startups, anunciamos este ano um programa em parceria com a Deloitte na França, chamado Upside, o qual une instituições financeiras europeias e Fintechs para criarem em conjunto provas de conceito focadas em desafios reais dessas empresas.

Em meados de 2016, a brasileira CETIP, fornecedora de serviços integrados de custódia, negociação, e intermediação eletrônica da bolsa de valores anunciou a sua associação com uma aceleradora local, a Darwin Starter. O Itaú foi um dos pioneiros em termos de Coworking e comunidade, com o desenvolvimento do Cubo, e não demorou muito para que o Bradesco entrasse com sua linha de programas — recentemente o banco anunciou um fundo de R$ 100 milhões formado com capital proprietário do banco para investimento em Startups.

Tudo indica que iremos engatar uma marcha ainda mais acelerada nos próximos anos. Com a entrada de tantas corporações neste segmento e com o foco cada vez mais amplo em termos de geografia, opções de financiamento e setores, a tendência é que o mundo das startups seja cada vez mais relevante e presente no nosso dia-a-dia.