Confidências à minha terapeuta

fazer terapia é como aprender a ouvir a chuva cair

Uma coisa que aprendi contigo foi a ouvir… Antes não sabia.

Saber ouvir me trouxe outras pessoas para perto de mim. Trouxe-me felicidades, então.

Nas terapias tu me ouvias… E eu falava, falava e falava. E ciência explica, dizendo: “Isso deve ser apenas uma terapia”.

Mas se a ciência foi inventada, será que também não possa ser reinventada?
(A ciências e as quebras de paradigmas… Eba!!!!)

E, por isso, uma terapia pode passar a ser também… o envolver-se… o dar de si ao outro, o trocar com o que se tem sobrando em si, dando ao outro o que ele ainda não tem (ou, o que ele ainda não sabe que tem). Será um esvaziar-se de si mesmo, um processo de transferência ao outro [sem ressalvas, sem medos, sem traumas].

Creio que a ciência precisa ainda de teorias repletas de boas práticas. E tais práticas surgem sempre de mentes e corpos sensíveis, àqueles que têm alma, coração e ‘lágrimas’. Já que pergunto se em um processo terapêutico:

Será apenas um ‘paciente’ que fala, fala e depois escuta, escuta? E o que dizer, então, da impaciência dele pela próxima sessão?

Será,que se será apenas um ‘cliente’, igualmente ao negócio frio e calculado, com contrato e papel assinado?

Certamente, fazer terapia é ter gente cuidando de gente… em gestos que se traduzem em delicadeza, inteligência, ponderação e, enfim, resultados.