Nas salas em que habitei [em 2016].

Habitar uma sala de aula é envolver-se com os habitantes dela…

Um novo ano letivo iniciou, trazendo consigo muitas expectativas quanto à relação de jovens estudantes e seus professores. Mas, ao imaginar nossas idas e vindas para as salas de aulas para fazer a transposição didática, não bastará levar somente os conteúdos aos cadernos.

É preciso de muito mais. Por exemplo, em meu caso, desenvolvi relações quase parentais com aqueles tomados sob empréstimos de familiares. E, por isso, havendo sonhos, conflitos e (des)interesses.

Na sala de aula, além das minhas próprias dúvidas em saber se havia, de fato, gerado aprendizagem depois daquelas aulas planejadas, desenvolvidas, exercitadas e avaliadas.

Você, talvez seja mais entendido do que eu em docência ou então apenas concordará com as muitas irregularidades neste processo (de ensino e de aprendizagem) já que na intencionalidade entre o ensinar e o aprender, nem sempre haverá casamentos perfeitos. (Até porque não há casamentos perfeitos, não é mesmo?) Neste sentido, temas indesejados, a exemplo da indisciplina — esta que cansa (e culpa) o professor pela não aprendizagem ou até mesmo que fazem surgir os problemas de “ensinagem”.

Então vejamos, em 2016, eu tendo habitado em três salas de aula, nelas imprimi meu estilo, deixando marcas nos pupilos. Ressalto, certamente, que tenho comigo guardadas as marcas positivas deixadas por eles.

Gente, eu professei, sempre imersa em sentimentos de gratidão para com a

galera que deixou a minha onda invadi-los em (forma de) explicações,

demonstrações, descobertas, relatos, músicas, atualidades, exercitação das tarefas do livro e das gramáticas.

E o que dizer dos debates (ou dos muitos embates)? Estes ficavam rebelados (e revelavam-se a cada dia) em minha presença. É nestes meninos e meninas que, às vezes, preferiam os diálogos sobre sexualidade, conflitos familiares ou sobre os diferentes tipos de violências — contra à mulher, à criança, ao idoso, aos hetero e aos homoafetivos — sintomáticas nesta realidade brutal que precisou ser confrontada pelas poesias, pelos contos e romances — estes últimos de Machado, de Drummond ou de Meireles… Todavia, assim aprenderiam também as diferentes gramáticas na tradução de atos comunicativos e, por isso, humanizados.

Enfim, bastando lembrar da sala de aula que não foge das evoluções tecnológicas, sem o risco de tornar-se obsoleta e desmotivada. Então, mestres já não nais desejosos deste espaço e ficam até o rejeitando temerosos de embates pedagógicos (ou será, antipedagógicos?).

Neste será desafio de habitar uma sala de aula, inicia aceitando tais argumentos, sendo um bom começo reconhecer as éticas necessárias às relações humanas. Por isso, em salas em que habitei conheci muitas pessoas, agora mais crescidas, ou até de mais idade neste virar de ano…

Mas será que as deixei como gente grata e curiosa? Pois é tão bom quando voltam depois de terem passado em seleções para outra escola, dizendo assim:

“Bom dia professora, aqui é a Sarah, hoje saiu o gabarito da prova do Militar 2 de Julho, a qual participei, e após conferência dos pontos, senti necessidade de agradecer-lhe, pois acertei 19 das 20 questões de português, resultado que não seria possível sem a senhora; Obrigado, por tudo.”

Será, então, que quando se ensina um conteúdo não se estará também ensinando gratidão e compromisso em ser gente legal, amiga e comprometida com a felicidade da vida?

Pois é Sarah, bem que eu poderia ter te dito outras tantas palavras, mas optei pela simplicidade: — “Oh! Sarah, super feliz aqui!” Para em seguida também dizer: “Te amo, minha linda! Sucessos, muita luz pra ti.”

Precisa de algo mais? Creio que não, pois a Sarah, e muitos outros colegas das salas em que habitamos, apenas precisarão da renovação da nossa amizade em 2017, 2018…, não é mesmo?

— —

E você? É um professor ou conhece alguém que seja? Então me ajuda a compartilhar este texto, pois quem sabe servirá de ajuda para gente continuar acreditando que educar vale a pena.

Abraço, da Fran.