Páscoa, Cristo se faz vivo na gente.

Recentemente voltei a fazer bolos. O primeiro que fiz foi de trigo e hoje fiz outro de fubá. Este fiz, deixando em cima da mesa para quando alguém aparecer possa comê-lo, sem cerimônias. Afinal, um bolo é feito para ser consumido e que seja, na alegria quente de uma xícara de café, ou mesmo, alegria gelada de um copo de suco.

Mas, algo tem sobressaltado os meus pensamentos… uma alegria em fazer comidas para os outros (e pra mim, logicamente). Assim, mais do que ligeiro, cozinho e arranjo uns pratos diferentes em meio aos sabores e as cores dos legumes, das carnes e dos temperos. Tem sido um sucesso, já que isso é contagiante: o colocar-se a serviço do outro, com sorrisos nos lábios e com os olhos grudados em quem saboreia a comida feita por ti.

E assim confesso que fico esperando os elogios, ficando até provocando alguns para quase sempre ouvir alguém da minha turma dizer isso: “Não vai elogiar, senão ela vai explicar como fez e quais temperos etc e tal.”

Um fato que para mim não é irrelevante é ver filhos (os meninos) também saberem fazer comida ou, às vezes, fazermos juntos; e, nesse momento a cozinha vira palco de muita zoeira, brincadeiras, zangas, reclamações e elogios para somente depois surgirem pratos diferentes, sem arroz, sem farofa, sem massas em demasia. Tentamos usar o princípio da simplicidade, sem temperos muito elaborados ou caros. Usamos curry, orégano, sal grosso moído, açúcar mascavo, ovos e manteiga, entre outros, dependendo da receita.

Na massa do bolo de fubá de hoje pela manhã, eu coloquei duas colheres generosas de manteiga, duas xícaras [grandes] cheias de açúcar mascavo; três ovos brancos [claras batidas em neve]; três xícaras de fubá e uma xícara de leite líquido.

Bolo de fubá. By Fran.

Olhe a imagem, notando que foi passado um pouco de pasta de chocolate numa metade, deixando outra sem, pois alguns não gostam de bolo melado. E esta comida ficará em cima da mesa no prato, tendo um faca para que possa ser comido quando se quiser comer, mesmo que seja antes do almoço.

Isso me fez escrever sobre a Páscoa, pois creio que Cristo exige mudanças radicais, pois Ele é visceral na simplicidade e na relatividade dada ao valor das coisas que se negocia com as pessoas. No meu caso, é um bolo.

Por isso, fique sabendo que você pode vir aqui em casa e comer conosco, confraternizando no pouco e [ou] no muito que tivermos. Isso sim, parece ser radical e nós nem sempre estamos prontos a ceder para fazer do outro o nosso irmão, em Cristo.

Sempre olhei Jesus Cristo desse jeito. Sempre percebi que Ele não estava nem aí para as mesas cheias de comidas caras ou feitas para satisfazer apenas os nossos amigos e familiares. Observei também que muitos, dificilmente, se abrem ao serviço, sem querer receber algo em troca. Porém foi isso que Jesus fez.

Ele sentou-se à mesa com pecadores, deixando-se tocar por eles (pois pela lei eram impuros; J.C. tornou-se impuro também de acordo com o julgamento da época). Ao fazer a ceia Ele tomou o pão e deu pão e o vinho aos discípulos dizendo que era o corpo e o sangue Dele.

Eu não creio em J.C. das igrejas, pois lá pregam um cara que não é o mesmo que leio nos evangelhos. Em alguns templos querem barganhar o amor de Jesus: “Este carro, foi Jesus que me deu”. E toda vez que leio isso em algum carro, fico me perguntando se Jesus é dono de concessionária ou de algum bingo. Principalmente, por questionar ao visitar idosos e crianças deixadas [abandonadas] em asilos e orfanatos, se foi Jesus que se esqueceu daquelas gentes. Eu sei que não foi ELE.

Assim te digo que este texto não poderá ser concluído, pois ele quer é abrir uma discussão sobre o valor da Páscoa nesta sociedade consumista e trocadora de presentes materiais, sendo que, às vezes, na maioria das vezes, a sociedade nos faz mesmo é esquecer de Jesus verdadeiro, deixando-o fora das nossas casas e mesas.

Eu creio que estou com uma dívida com esta sociedade, e que ela nunca será paga; do mesmo modo que a minha dívida com Ele, não o será. Além disso, te digo que prefiro acreditar Nele do que viver sem acreditar, achando que viemos do nada e que voltaremos ao nada.

Quando eu observo o tempo passando e fico vendo os meus filhos e filha crescendo, aprendendo a fazer um bolo comigo, bem como, aprendendo a serem generosos com os outros, eu chamo isso de Bondade e Felicidade. E eu só posso ser boa por acreditar que Ele me faz assim. Sei que sou humana e limitada, um ser errante que bate cabeça diariamente, mas eu sinto FÉ.

Sei que também sou culpada pelas injustiças sociais, mas ser justo e bom é uma opção. E nem sempre tenho coragem de assumir toda a justiça e bondade que este mundo pede e exige de mim. Porém, preciso contar com Ele para me dá sabedoria, pois sou um nada que pensa que é inteligente e que tem algo [material] nesta vida passageira.

Então, cê quer um pedaço de bolo?

Pode vir.


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