Mas afinal, o que é solidão?
Rafael Leonel para o Frestas Convida
Quando saí de casa, aos 17, estava realizando o grande sonho da maioria dos jovens de tal idade, estava indo morar sozinho. Algum dinheiro no bolso, duas ou três mochilas, o nariz em pé e todas as frases feitas sobre morar sozinho e ser independente prontas na ponta da língua.
Há quem diga que o começo é difícil, há quem acredite que seja depois de um tempo, mas uma coisa é fato, a solidão chega. Independente se você mora sozinho num apartamento ou divide casa com outros 20. Solidão não se trata de ter alguém por perto, trata-se de sentir-se perto.
Solidão às vezes é sentir o peso da própria vida e achar que é demais, é passar um final de semana inteiro sem sair de casa e sentir o ambiente claustrofóbico das paredes. É ligar para os pais numa sexta a tarde e dizer: me busca, eu não aguento mais! É ter insônia, crises de pânico, é encarar o fundo dos olhos da ansiedade e aceitá-la como incômoda companheira.
Mas solidão também tem outros nomes, às vezes tem nome de pizza inteira no sábado à noite, às vezes é uma dança estranha em frente ao espelho, às vezes é roupa suja espalhada pela casa e cama sem arrumar, ahh! Tem dias que é maratona na Netflix de madrugada, também.

Com o passar dos anos fica mais fácil entender que solidão também significa ter responsabilidade, é levantar quando o despertador toca, é fazer café, cozinhar feijão, pagar a internet, é aprender a controlar o tempo entre vida fora e vida dentro de casa.
Solidão é, também, apegar-se ao lar, trocar baladas por filmes, andar prazerosamente descalço depois de uma faxina, é deliciar-se com difusor de ambiente de erva-doce no banheiro. É saber que, estar sozinho é condição momentânea e se durar muito tempo, tudo bem.
Rafael Leonel é produtor rural e, assim como os bisavôs, avós, tios e pai, tem um amor imensurável pela vida no campo, lugar onde nasceu e tenta estar presente sempre que pode. Paralela a essa vida, existe o jornalista, ambicioso por conhecimento e apaixonado por comunicação. No espaço entre o campo e a profissão, existe o confeiteiro: curioso por texturas, temperos e sabores fez do hobby, os Donuts, um pequeno negócio. Segue lá: https://bit.ly/2PUTDj9
