Inclusão ou exclusão digital? A realidade não é aquilo que se vê.

Cloud gate, em Chicago — Perspectivas diferentes de acordo com o ângulo.

A era da informação veio para ficar. Tempos onde todos podem tudo, sabem tudo e, ao mesmo tempo, nem podem e tampouco sabem. Aliás, sabem menos! A miscigenação do conhecimento não foi tão longe quanto imaginávamos, assim como a própria percepção acerca dos fatos. As redes sociais prometiam franco reforço à liberdade de expressão, papel cumprido; porém apontavam, também, quanto à possibilidade, e tenra probabilidade, de uma massa mais capaz e competente, especialmente no que diz respeito às futuras gerações.

Engano nosso. O que encontramos, hoje, é uma juventude de julgamento raso, com alta capacidade de repetição de discursos pré-moldados. Mais que isso, dia após dia nos deparamos com grandes “choques” no que diz respeito à suscetibilidade e irrisória comprovação de acontecimentos que, previamente, nos foram apresentados como fatos irrefutáveis. Vide a “pouco provável”, do meu ponto de vista, eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. O que há de ter mudado, portanto? Veja bem, nada. Será que tal vantagem um dia existiu ou foi uma ideia que plantei em minha cabeça por assim acreditarem aqueles ao meu redor?

Em 2015 mochilei pelo US. Passei por mais de 15 estados e digo sem medo de errar: nenhum dos cerca de 40 norte-americanos com quem fiz amizade publicou, em minha timeline, mensagens de apoio a Trump. Aliás, digo mais: 95% desta pequena amostragem realizou publicações de repúdio ao charlatão em época de derby eleitoral. O que pode ter havido, portanto?

Situações como essa, e outras incontáveis, mostram um fator que na grande maioria das vezes passa despercebido: nas redes sociais, assim como na vida, tendemos a nos aproximar daqueles que pensam da mesma forma que nós. Ou seja, o espaço virtual é, sim, apto a debate, porém a inexistência de opiniões contrárias devido, justamente, à manutenção de nossas crenças e ideologias, por seleção natural de nossas escolhas, acaba por inviabilizar a necessidade de conflito. E quando o mesmo surge é rapidamente esfriado por uma série de unfollows. O próprio algoritmo do Facebook foi criado de modo a “apartar” pessoas com perspectivas distintas acerca de todo e qualquer assunto.

O que ganhamos com isso? Basicamente uma sociedade cada vez mais autoritária e dividida, onde cada um crê que sua opinião vale mais que a do outro. O que se vê são pessoas que não se dão o trabalho de debater e crescer. Indivíduos que entram cada vez mais de cabeça na bolha daquilo que acreditam e se ausentam de forma implacável a ambientes propícios para argumentação.

Quem era contra Trump sequer cogitou sua vitória pelo simples motivo de que, em sua timeline, sobravam mensagens de repúdio ao presidenciável, fruto de sua crença, que o aproximou de pessoas assim.

Quem era a favor de Trump sequer cogitou sua derrota pelo simples motivo de que, em sua timeline, sobravam mensagens de apoio ao presidenciável, fruto de sua crença, que o aproximou de pessoas assim.

É a era da exclusão digital.

Fuerza Studio

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Tomás Bezerra Dos Passos

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Redator de expediente e escritor de horas vagas. Não, pera…

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