Sobre goleiros e erros de comando

Uma verdade inegável: Rogério Zimmermann e Roger Machado são bons treinadores. Entendem de futebol e conseguem fazer do Brasil de Pelotas e do Grêmio dois times competitivos nas competições que disputam. Agora, outra verdade: eles e seus goleiros foram os destaques negativos da rodada de sábado (19), em que o Xavante perdeu em casa para o Guarani e o Tricolor foi superado pelo Palmeiras em São Paulo.

Comecemos pelo que aconteceu no Bento Freitas. Retornando aos seus domínios e sem vencer na Série C há 42 dias (seis rodadas), o time falhou. Fracassou. Entregou. Com a defesa instável — algo que não é de hoje, pois tomou 20 gols em 17 jogos –, esbarrou mais uma vez na falta de criatividade, dependendo apenas do centroavante. Antes, Leandrão salvava. Agora, Nena marca. Mas só isso não adianta quando zaga e, principalmente, o goleiro entregam. Martini fez duas pixotadas que decidiram o jogo. Não tem desculpa.

Porém, Zimmermann foi pior que o goleiro. No fim do jogo, ao invés de analisar o fraco desempenho, preferiu despejar na imprensa a frustração pela derrota em casa e o cenário nebuloso que pode deixar o clube fora da próxima fase da competição. Reclamou mais espaço na mídia. Mais do que o Brasil vem tendo?! Há anos o clube não ocupava tantas manchetes em TV, jornais e rádios locais e de todo o RS. Duvido que algum outro clube de terceira divisão tenha tanta cobertura.

Aliás, tamanha é a atenção da imprensa ao clube que até mesmo a liberação das arquibancadas móveis após um show de incompetência múltipla ganhou espaço. Até foto “comemorando” teve, antes de serem vetadas pela CBF.

E no Tricolor…

No Grêmio, Roger tem recebido só elogios. Merecidos, a maioria deles. Porém, também tem errado com frequência e teimado no equívoco. Sua campanha além das expectativas no Brasileirão tem feito com que a insistência em manter o goleiro Tiago seja pouco ou nada cobrada. Cheios de dedos, alguns poucos torcedores e comentaristas questionam.

Contra o Palmeiras, o goleiro repetiu a falha na saída de gol. No primeiro lance, erro técnico gritante. No segundo gol palmeirense, também poderia ter intervido. Se uma bola alta na pequena área não for passível de uma saída do arqueiro, melhor pregar as chuteiras sobre a linha e ficar como goleiro de futebol de botão.

Roger, apesar disso, tenta convencer que a intervenção em bolas cruzadas é uma qualidade de Tiago. Assim como tenta convencer que Bressan pode compor a dupla de defesa na falta de Geromel. O mesmo Bressan que há pouco tempo saiu do Grêmio abaixo de críticas, agora é solução. Se a escalação dele e Tiago — pelo menos nesse momento — não são falhas de avaliação técnica, então o que seriam?

Em resumo: a frustração de xavantes e gremistas neste final de semana esteve na defesa, debaixo das traves. Mas não somente ali. A origem dos erros técnicos que custaram pontos importantes esteve nas casamatas. Na teimosia e falta de autocrítica de dois grandes técnicos. E que talvez por saberem muito, pensam nunca errar.

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