A importância de um título

É certo que todo título é imensurável. Não há como calcular quanto vale o sabor de levantar o troféu de campeão. Mas é certo também, por mais incoerente que que possa ser, que os títulos deste domingo (3) foram mais importante para alguns clubes do que para outros. As torcidas de Santos (SP), Vasco (RJ), Fortaleza (CE) e Operário (PR) sabem bem disso e valorizam suas conquistas. Elas têm motivos distintos e não menos importantes para comemorar seus títulos.

Por mais que os campeonatos estaduais sejam contestados e algumas vezes subestimados, todos os times participantes almejam o troféu. É a essência dos clubes e agremiações esportivas. A existência delas estão pautadas em uma só razão: títulos. Isso é o que move os times de futebol e as suas apaixonadas torcidas.

Muito mais do que ultrapassar o São Paulo (SP) em títulos estaduais (21 a 20), a conquista do Santos (SP) é importante por ser a vitória de um time desacreditado por todos, desde seus próprios torcedores até a imprensa. Foi também o primeiro título após a Era Neymar.

A atual diretoria assumiu o clube no início do ano e desde então realiza uma política de reduções salariais e retenção de gastos. Isso no futebol significa poucas — e baratas — contratações. Assim foi montado o time que conquistou o Paulista. Perdeu jogadores importantes, mas manteve o ídolo Robinho, que capitaneou o time rumo ao título, e contratou Ricardo Oliveira, que de esquecido passou a artilheiro do certame.

A saída de ídolos sempre esteve presente na Vila Belmiro. Primeiro foi o maior de todos, o Rei do Futebol, que deixou o clube em 1974. O primeiro título Pós Pelé só veio em 1978. Mais tarde, o Santos (SP) perdeu outro ídolo: Robinho, que foi para o Real Madrid em 2005. A transição foi menos traumática e o Peixe foi campeão Paulista no ano seguinte, mas não sem antes passar por um momento delicado em sua história com a vexatória derrota para o Corinthians por 7 a 1, no Brasileirão de 2005.

O título deste domingo (3), diante do Palmeiras (SP), mostra mais uma vez que a grandeza do clube está acima de qualquer jogador que venha a brilhar com a mítica camisa branca. Entra e sai craques e o Santos (SP) continua gigante.

A conquista do Carioca pelo Vasco da Gama (RJ) é um ressurgimento. Mais importante do que a reforma político-administrativa que o clube atravessa, para o clube da Cruz de Malta estava em jogo um jejum que durava 12 anos sem títulos estaduais, o maior entre todas as equipes grandes do futebol brasileiro. Neste período, foram dois rebaixamentos para a Série B do Campeonato Brasileiro, dois vice-campeonatos cariocas e um da Copa do Brasil — em todos esses, o campeão foi seu principal rival, o Flamengo (RJ), que aproveitou a má fase do Vasco (RJ) para assumir a hegemonia no Estado, com seis títulos.

A vitória sobre o Botafogo (RJ) foi a melhor maneira de ratificar um título que, para o torcedor vascaíno, começou a ser desenhado na semifinal. Quebrando um outro tabu — talvez tão importante para a torcida quanto o título -, o Vasco eliminou o Flamengo (com um empate sem gols e uma vitória por 1 a 0) e acabou com a série de dez jogos sem vencer o rival (seis derrotas e quatro empates) que já durava três anos.

Por tudo isso, o título vascaíno dá início a um novo capítulo a uma das rivalidades mais fortes do futebol brasileiro. E assim os jogadores do Vasco transformaram em conquista a frase cunhada pelo novo-velho presidente, Eurico Miranda: O respeito voltou.

Um sabor semelhante veio do Nordeste. O Fortaleza (CE) amargava um domínio de quatro anos do seu principal rival, o Ceará (CE). No ano passado, na final, após dois empates sem gols, o Tricolor de Aço não conseguiu evitar o tetracampeonato do Ceará (CE). Para piorar a situação, sua torcida viu o grande rival sagrar-se campeão da Copa Nordeste no meio da última semana, o que deixou os jogadores do Vozão motivados e confiantes para mais um título Estadual. Ao Fortaleza (CE) só restava o título para quebrar e hegemonia do rival e dar uma alegria a sua torcida, que já se acostumara com a festa dos adversários.

E assim foi feito. Em um jogo dramático, com gol do título no último minuto, o Fortaleza (CE) conseguiu o empate (2 a 2) e sagrou-se campeão Cearense, mostrando ao Brasil que o Estado do Ceará tem também uma Fortaleza firme e forte.

O que dizer de uma torcida que esperou 103 anos para levantar seu primeiro troféu? Pois a torcida do Operário, de Ponta Grossa (PR) está em êxtase. O Fantasma, como o clube é conhecido, venceu o Coritiba (PR), maior campeão do Estado (37 conquistas), nas duas partidas: 2 a 0 em casa e 3 a 0 em pleno Estádio Couto Pereira, em Curitiba (PR) e sagrou-se Campeão Paranaense.

O Operário (PR) acabou com um jejum, conquistou seu primeiro título e ainda bateu o maior vencedor do Estado. Qual o preço dessa conquista para a torcida do Operário (PR)?

Para Atlético (MG), Internacional (RS), Santa Cruz (PE), Bahia (BA), Goiás (GO), que também foram campeões neste domingo (03), as conquistas representam um troféu estadual a mais em suas já ricas galerias. Caso perdessem as decisões, não mudariam suas rotinas.

Mas para Santos (SP), Vasco (RJ), Fortaleza (CE) e Operário (PR) os títulos significam muito mais do um troféu.

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