Palavras e Futebol


Irecê-Ba, inicio dos anos 1990!

Existem diversas passagens em nossas vidas das quais nos arrependemos de algo. Comigo nunca foi diferente. O ano era 1994, Romário destruindo na copa do mundo, um monte de crianças empolgadas e vários clubes da capital buscando talentos pela região…

Nessa época, educação física na escola se resumia a um aquecimento e futebol por duas horas. Então, como sempre os mais habilidosos eram os primeiros a serem escolhidos (até hoje é assim) e o resto completava o time, e lá estava eu, com toda a minha falta de técnica, porém sobrava vontade de marcar e cumprir a função de estar dentro de campo.

Um certo dia, fiquei sabendo que o professor iria selecionar alunos para um treinamento diferenciado. Fiquei alucinado! Pela primeira vez na história, alguém ia passar instruções de verdade. E o melhor, era para praticar outros esportes além do futebol.

Corri para perguntar ao professor e em 9 segundos ele acabou precocemente minha carreira e trouxe com o fim dela, minha primeira frustração com o futebol (terei mais duas aqui para contar). Ele me disse: vou escolher só os bons e você não é muito bom. Ele escolheu só os “bons de bola” e o projeto dele, não resultou em nada, infelizmente. A frustração foi por conta de nunca ter tentando uma peneira. Iria conseguir? Provavelmente não.

Continuei jogando futebol onde podia, na rua, nas quadras com as crianças da rua, mesmo contra a vontade da minha mãe. E lá um garoto, um ano mais velho que eu, torcedor do vasco (lembro do meião preto e branco listrado), que fabricava as suas caneleiras com cano, era o mais disputado pelos que iam escolher os times. Seu nome? Humberto, popular pela região, Zé de Goia.

Zé de Goia no América-RJ

Hoje, acredito que eu seria capaz de identificar uma criança que teria potencial para tornar-se um jogador profissional, mas naquela época, meus olhos enchiam de água vendo Goia jogar, mas sabia que seria difícil, pois não teria ninguém para investir na carreira dele e minha segunda frustração com o futebol foi o fato de não vê-lo atuando pelo campeonato brasileiro da primeira divisão. Quando soube que ele chegou até o América-RJ, um pouco tarde, meu coração se encheu de alegria. Disputou muitos campeonatos estaduais e divisões de acesso do brasileiro e hoje ele joga campeonatos regionais.

A terceira e última frustração, foi por não ter ido assistir a partida entre Bahia e Fast Club pela Série C do campeonato brasileiro em 2007, com gol de Charles no fim do jogo. Me sinto covarde por isso. Desse dia então, nunca mais me acovardei de ir ver resultado ruim do Bahia, e olha que não são poucos.

Hoje quando vou para o jogo muito amador com meus amigos, popular baba, de certa forma, me sinto realizado por uns 90 min, me sinto atleta, mesmo fora de forma.

E quanto a você, tem alguma tristeza com o futebol para compartilhar conosco?