Documentação Fashionwash: Senac_01

Imersão moda e sustentabilidade: do olhar para o ciclo de vida das nossas roupas à comunicação e marketing das marcas.

Manoela Daffre, Heloisa Valverde, Su Chapiro, Thais Diniz, Isabela Fernandes e Mariana Viana foram as alunas por trás da documentação do curso livre Fashiowash, que aconteceu no Senac Lapa Faustolo, nos dias 25 e 26 de maio. Nove horas de imersão, inquietação e muito diálogo promovidas pelo braço educacional da Futuramoda.

Como nós chegamos e quais nossas expectativas do curso? Porque tiramos nove horas do nosso fim de semana para estar aqui?

Todas buscamos um maior aprofundamento sobre sustentabilidade na moda e como transformar conhecimento em prática dentro da realidade de cada uma. O nosso grande objetivo é disseminar a informação e fazer a diferença.

O que foi abordado durante o curso?

Começamos com um nivelamento do nosso entendimento sobre o que é sustentabilidade. Pipocaram palavras como transparência, consumo consciente, reuso, design inteligente, inovação, ética, reciclagem, redução de impactos, tecidos sustentáveis, entre outros.

Mas percebemos que, na verdade, tudo isso são ferramentas que nos levam à sustentabilidade (destino). Entendemos, por fim, que o termo que melhor se aplica à sustentabilidade e que traduz em palavras sua essência é “holismo”.

O princípio geral do holismo pode ser resumido por Aristóteles, na sua Metafísica, quando afirma: O todo é maior do que a simples soma das suas partes.

Acreditávamos que sustentabilidade era definida por pilares de pesos iguais (econômico, social e ambiental). Agora entendemos que esses pilares têm diferentes pesos — na verdade, o correto é entender sustentabilidade como uma pirâmide, onde o ambiental é a base para sustentação do social, cultural e econômico já que precisamos estar vivos — e para viver precisamos de água potável, ar limpo e terra para plantar, etc — para executar as nossas tarefas sociais e econômicas.

Recebemos o conteúdo de forma mais didática e com mais clareza sobre os termos que aparecem quando falamos, principalmente, de cadeia produtiva da moda. Ex: ciclo de vida, as diferenças entre têxtil, confecção e varejo, pré-consumo e pós-consumo, reciclagem, downcycling, e mais.

Também analisamos algumas campanhas de marketing e falamos sobre greenwashing, feministwashing, socialwashing, marketing filantrôpico e maneiras de unir campanhas com ações reais que promovam mudanças.

Tivemos contado com uma linha do tempo explicando o começo do consumo em massa na Revolução Industrial de produção em massa — a importância dos campos sociais, culturais, econômicos e políticos andarem juntos para uma mudança sistêmica.

Entendemos que os aspectos Social e Cultural são campos mais acessíveis e onde temos maior facilidade e poder de atuar ativamente hoje. Nos aspectos Econômico e Político ainda não conseguimos atuar de forma tão direta, são lugares que permanecem inacessíveis para a grande massa das pessoas.

A mudança só poderá vir com mudança sistêmica.

O que eu aprendi e como estou saindo?

Se quisermos fazer a diferença ser ativo e ajudar, nós temos que perguntar, entender o outro e o campo, ter responsabilidade na hora de desenhar um plano com valor e resultado. Tanto no âmbito pessoal quanto no âmbito empresarial e político.

Precisamos assimilar a necessidade de mudança do nosso sistema político-econômico, e perder o medo de falar sobre o tema. Temos que questionar e desafiar as estruturas postas e buscar alternativas ao modelo de negócio baseado em “extrair-transformar-vender-descartar” e criar novas possibilidades de gerar valor para a sociedade.

Valores como coerência, transparência e ética são essenciais.

Nosso sentimento, apesar de vir acompanhado de muita ansiedade, angústia e tristeza frente à complexidade do desafio, vem também com uma grande sensação de responsabilidade e muitas possibilidades de ação. Vamos fazer!

Bibliografia indicada:

Livros em PT:

  • Sociedade da Transparência (2012) — Byung-Chul Han (Editora Vozes)
  • Muita Além da Economia Verde (2012) — Ricardo Abramovay (Editora Planeta Sustentável)
  • A Quarta Revolução Industrial do Setor Têxtil e de Confecção (2016) — Flavio da Silveira Bruno (Editora Estação das Letras e Cores)
  • Sem Logo (1999) — Naomi Klein (Editora Record)
  • Consumidores e Cidadãos (1995) — Néstor García Canclini (Editora UFRJ)

Livros em EN:

  • Captains Of Consciousness: Advertising And The Social Roots Of The Consumer Culture (1976) — Stuart Ewen (Editora Basic Books)
  • Stitched Up: The Anti-Capitalist Book of Fashion (2014) — Tansy Hoskins (Editora Pluto Press)