Organizações, profissionais e a era das redes

Fábio Cunha
Jan 2, 2020 · 6 min read
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Uma nova realidade

O trabalho em rede já é uma nova realidade. Este novo modo de trabalho permite que as pessoas se conectem independente de uma estrutura formal e hierárquica, se alinhem em torno de propósitos comuns e trabalhem por projetos de forma remota e distribuída, transcendendo espaço físico, distância, e tempo, permanecendo sempre ativos e conectados globalmente.

É para este modelo que todas as organizações estão indo, em velocidades diferentes e de diferentes maneiras. Algumas talvez não consigam chegar lá e fiquem pelo caminho.
Em muitas organizações, o mundo externo (fornecedores, parceiros e clientes) já é mais conectado do que seus departamentos internos. Isso dificulta o desenvolvimento de projetos que ultrpassam as fronteiras da organização, que é justamente onde estão as melhores oportunidades de conexão e inovação.

Saindo dos limites rígidos de cada organização, neste espaço onde diferentes organizações e profissionais podem se conectar para trabalhar juntos, experimentando novos modelos de trabalho e uma nova economia (compartilhada, multimoedas) tudo ainda é um pouco indefinido, existem poucas regras, pode até ser caótico.
Mas justamente as maiores e mais valiosas oportunidades emergem do caos. Nada é garantido, exceto o fato de que não entrar nesse jogo vai colocar qualquer organização em desvantagem significativa.

Solucão de Problemas

Todos os estudos sobre o futuro do trabalho apontam a capacidade de solucionar problemas como uma das principais habilidades para os profissionais nas próximas decadas.
Quando lidamos com problemas relacionados ao trabalho, podemos categorizar a resposta que podemos dar como conhecida ou nova.
Problemas conhecidos requerem acesso às informações corretas para resolvê-los. Essas informações podem ser mapeadas e algumas ferramentas de gestão de conhecimento podem nos ajudar a fazer isso. Também podemos criar sistemas para automatizar este trabalho e não ter que aprender novamente o conhecimento necessário para uma tarefa que já foi realizada antes.
Novos problemas, cujas respostas ainda não existem precisam de conhecimento tácito para resolvê-los. Os sistemas (IA, Machine Learning, etc) lidam com as coisas rotineiras e são somente as pessoas e geralmente trabalhando juntas, é que lidam com os problemas novos e exceções.
À medida que essas exceções são abordadas, parte ou toda a solução pode ser automatizada e, portanto, o processo evolui.
O tratamento de exceções está se tornando o principal trabalho para as pessoas no ambiente de trabalho em transição.

Problemas complexos e novos não podem ser resolvidos usando métodos padronizados. O trabalho que exige soluções personalizadas para cada contexto é justamente o domínio das pessoas, não de máquinas ou software.
As pessoas são a melhor interface para lidar com a complexidade, mas precisam estar conectadas e não trabalhar de forma isolada. Isso aumenta a necessidade de mais cooperação (compartilhamento livre sem objetivo específico) como atividade primária de longo prazo e colaboração (trabalhando juntos em um determinado problema) para projetos específicos de curto prazo.

Outro desafio para as organizações é fazer com que as pessoas percebam que o que elas sabem atualmente tem valor cada vez menor.
O sucesso profissional não é mais determinado pelo conhecimento e informações que possui, mas sim pelo domínio de como resolver problemas complexos juntos. Compartilhar e usar o conhecimento é onde está o verdadeiro valor para os negócios agora.
Com sistemas de computador que podem lidar de forma cada vez melhor com o conhecimento humano acumulado e já conhecido, os trabalhadores na era da rede precisa passar para a extremidade complexa e caótica da organização para realizar o trabalho valioso de manipulação de exceções e criar soluções inovadoras.

Três grandes mudanças são necessárias para preparar as organizações e profissionais para a era das redes:

Primeiro, o poder deve ser distribuído.
A autonomia e tomada de decisões distribuída permite um tempo de reação mais rápido, para aqueles que estão os mais próximos da situação possam agir. Em situações complexas, não há tempo para escrever uma avaliação detalhada. Os mais capazes de lidar com a situação já se encontram há algum tempo nela. Eles não poderiam explicar de forma o suficiente todo o contexto para um superior que está longe do problema mesmo se quisessem.
O poder compartilhado gera confiança.

“Um dos grandes desafios para as empresas é que, diferentemente dos fluxos de informações ou dados, o conhecimento não flui facilmente — pois depende de relacionamentos baseados em confiança de longo prazo.” — John Hagel.

Segundo, a transparência deve se tornar a norma.
A transparência garante que haja uma compreensão do que todos estão fazendo. Significa narrar o trabalho feito, tornar a informação acessível e se apropriar dos erros.
A transparência gera confiança, elimina a conversa de corredores que mina o clima e ajuda a organização a aprender com os erros.
É claro que isso é muito difícil para qualquer organização que baseia a sua gestão no modo de comando e controle, com seu organograma fixo e títulos de trabalho imutáveis e sacrossantais. A transparência é uma lufada de ar fresco que limpa as teias de aranha da hierarquia.

O compartilhamento de informações, poder e a transparência permitem que o a organização se liberte de muitos trabalhos burocráticos, complicados e que muitas pessoas se sentem confortáveis e protegidas em manter, mas que agora podem ser automatizados e distribuídos.
Vão restar poucos trabalhos estáveis e confortáveis nas organizações, mas sempre haverá problemas complexos que não podem ser resolvidos através da automação. Isso exigirá profissionais ativos, engajados e em constante aprendizado com autonomia e acesso às informações.

Terceiro, todos na organização devem assumir o controle de seu aprendizado.
O aprendizado não poderá mais ser deixado para o Departamento de Treinamento.
A aprendizagem contínua agora é uma habilidade crítica no local de trabalho. Trabalho é aprender, e aprender é o trabalho. Esse é um processo contínuo de transferência de conhecimento de fora da empresa para dentro e de dentro para fora, não há mais limites claros. Tudo pode ser ferramenta de aprendizado, desde redes sociais e qualquer ferramenta de colaboração até a participação em projetos fora da organização e estudar temas aparentemente sem conexão com o negócio.
Conectar o que acontece fora ao núcleo interno é um grande desafio para as organizações. Isto significa trazer para os seus processos internos práticas emergentes e comportamentos cooperativos, para que o trabalho flua de forma cada vez mais colaborativa e baseado em projetos.
Parte da solução consiste em tonar as estruturas de gerenciamento mais abertas mas outra parte são as habilidades e aptidões individuais. As redes tem se tornado além de uma nova forma de trabalho, uma oportunidade de se conectar com pessoas e instituições para aprendizado contínuo.
Este aprendizado deixa de ser estático e passa a ser vivo, aprendido, debatido e experimentado em um processo contínuo de conexão a redes buscando interesses e conhecimentos, aprofundamento em comunidades de prática, criação de sentido e aplicação de novos modelos nas organizações e o compartilhamento de volta, das experiencias obtidas para fora da organização nas comunidades de prática e nas redes, gerando novo conhecimento para ser compartilhado.
É um movimento como inspirar e expirar continuamente.

Se você se interessa sobre o tema e assim como eu é um profissional tranformador por natureza, te convido a participar deste Workshop que estarei oferecendo junto com o time da TalkB4, para um pouco sobre redes e as habilidades necessárias, para trabalharmos juntos e melhor com quem quer que escolhemos estar ao redor, atuando em negócios mais sustentáveis e saudáveis, em todos os aspectos. Inscrições no link:

Este artigo foi inspirado no artigo publicado por Harold Jarcher em https://jarche.com/2014/06/learning-to-breathe-in-the-network-era/

Descomplicando o trabalho remoto e a autogestão

Fábio Cunha

Written by

Explorador do novo mundo das organizações. Especialista em soluções de comunicação e colaboração. Facilitador de práticas de autogestão.

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