A Inteligência Artificial irá superar a capacidade humana no futuro?

Por Redação

Especialistas respondem se estamos realmente próximos da singularidade tecnológica

A inteligência artificial está progredindo em ritmo cada vez mais acelerado, o que nos leva a supor que seu impacto em nossas vidas só aumentará nos próximos anos.

Hoje, ainda há muitas coisas que os seres humanos podem fazer que os computadores não podem. Mas será sempre assim? O que esperar para os próximos anos? Será que devemos nos preocupar com um futuro em que as capacidades das máquinas rivalizam com as dos humanos em geral?

O que esperar da inteligência artificial?

Para contribuir com a discussão, a organização IEEE Spectrum entrevistou um grupo de especialistas sobre os impactos que a inteligência artificial promoverá nos próximos anos, e se a singularidade tecnológica — o momento no tempo em que a inteligência artificial ultrapassará a inteligência humana — realmente acontecerá no futuro.

A edição especial de junho de 2017 contou com a participação de nove visionários, tecnólogos e futuristas:

A Redação do Futuro Exponencial fez uma síntese das respostas aos questionamentos formulados. Confira:


1. Quando teremos computadores tão capazes quanto o cérebro?

Robin Hanson: “Dentro de um século ou mais, se conseguirmos emulações cerebrais, 2 a 4 séculos, se não”.

Martine Rothblatt: “No século 21”.

Ruchir Puri: “Embora o impacto da inteligência artificial na sociedade se acelere ainda mais para alcançar novas alturas na resolução de problemas que são atualmente grandes desafios para a sociedade humana, será um pouco antes que possamos responder holisticamente a essa pergunta”.

Ray Kurzweil: “Eu acredito que os computadores irão se igualar e, em seguida, superar rapidamente as capacidades humanas em 2029, nas áreas em que os humanos ainda são superiores hoje”.

Nick Bostrom: “O avanço dos algoritmos é mais difícil de prever, mas a noção de que poderíamos ter inteligência artificial de nível humano dentro de um pequeno número de décadas parece plausível, embora exista uma grande incerteza”.

Rodney Brooks:Não em nossas vidas, nem mesmo na vida de Ray Kurzweil, e apesar de seus desejos fervorosos, assim como o resto de nós, ele morrerá dentro de apenas algumas décadas. Levará bem mais de 100 anos antes de vermos esse nível em nossas máquinas. Talvez centenas de anos”.

Gary Marcus: “Os computadores já são muito mais capazes do que os cérebros em muitos aspectos (por exemplo, aritmética e memória), mas acho que ainda pode levar de 20 a 50 anos antes que as máquinas tenham a capacidade de ler, compreender e argumentar sobre situações inovadoras tão fluentemente quanto as pessoas o fazem”.

Jürgen Schmidhuber: “Em breve. A cada cinco anos a computação está ficando aproximadamente 10 vezes mais barata. (…) Em breve, teremos dispositivos baratos com o poder computacional bruto de um cérebro humano”.


2. Como os “cérebros computadorizados” vão mudar o mundo?

Martine Rothblatt: “As pessoas não morrerão mais, porque a versão computadorizada de si próprias insistirá que ainda estejam vivas, mesmo que seus corpos físicos tenham expirado”.

Ray Kurzweil: “A inteligência artificial já está acelerando a nossa capacidade de encontrar curas para doenças, melhorar os rendimentos das culturas e outras formas de produtividade para reduzir a pobreza e encontrar soluções para problemas ambientais. Ela já representa um extensor cerebral. Quem hoje pode fazer seu trabalho ou estudar sem essas extensões à nossa inteligência?”.

Rodney Brooks: “Uma vez que não teremos computadores inteligentes como os seres humanos antes de 100 anos, não podemos fazer projeções sensatas sobre como eles mudarão o mundo, pois não entendemos como será o mundo em 100 anos. (…) Assim, uma questão equivalente bem fundamentada teria que ser algo mais simples, como De que forma os computadores/robôs continuarão mudando o mundo? Resposta: Dentro de 20 anos, a maioria dos baby boomers terão dispositivos robotizados em suas casas, ajudando-os a manter sua independência à medida que envelhecem. Isso incluirá Ray Kurzweil, que ainda não será imortal”.

Gary Marcus: “Se as máquinas são capazes ler e raciocinar em níveis humanos enquanto podem calcular em níveis sobre-humanos, poderemos ver avanços sem precedentes na ciência e na medicina”.

Jürgen Schmidhuber: “A pesquisa mais atual de inteligência artificial diz respeito ao uso de redes neurais artificiais para criar AIs amigáveis ​​que tornem seus usuários mais saudáveis, felizes e mais viciados em seus smartphones. Mas já sabemos como implementar princípios de curiosidade e criatividade em AIs para buscar seus próprios objetivos. Isso escalará”.


3. Você se preocupa com um futuro em que computadores tenham inteligência de nível humano (ou maior)?

Robin Hanson: “Esta é uma mudança enorme (…). Se você não tem preocupação sobre uma mudança tão grande, você realmente não está prestando atenção.”

Martine Rothblatt: “Eu não, porque estou confiante de que os computadores serão esmagadoramente amigáveis; (…) Não há mercado para um robô ruim, assim como não há para um carro ou avião ruim”.

Ray Kurzweil: “Eu acredito que nossa melhor estratégia para manter a inteligência artificial segura e benéfica é essencialmente se fundir com ela. Já estamos nesse caminho.”

Carver Mead: “Sempre que houve progresso na tecnologia, as pessoas previram que seria o fim da sociedade como a conhecemos e nunca foi. O mundo de hoje é um mundo muito melhor para todos do que o mundo de 100 anos atrás. Na verdade, a tecnologia tem sido a única força que propagou a prosperidade em todo o mundo.”

Nick Bostrom: “Uma das dimensões de preocupação é que não conseguiremos resolver o problema do controle escalável (…), de modo que [a inteligência artificial] continue a se portar como pretendido e aja como uma extensão da vontade humana, mesmo que sua inteligência seja aumentada em níveis arbitrariamente altos”.

Rodney Brooks: “Não há qualquer preocupação, já que o mundo evoluirá tanto nos próximos 100 anos, que não podemos imaginar o que será, então não há porque nos preocuparmos”.

Gary Macus: “Claro, mas minha maior preocupação é que as máquinas tenham muito poder”.


Embora os nove especialistas entrevistados tenham ideias diferentes sobre a inteligência artificial e seus possíveis desdobramentos, todos reconhecem que a singularidade tecnológica realmente acontecerá em algum momento no futuro e que, definitivamente, está mais próxima do que imaginamos.

Fonte: Futuro Exponencial