Conheça as previsões de Ray Kurzweil para o futuro da humanidade

Por Redação

A singularidade tecnológica está realmente próxima?

N a década de 60, Gordon Moore escreveu o artigo intitulado Cramming more components onto integrated circuits (Comprimindo mais componentes em circuitos Integrados) com algumas previsões que acabariam, mais tarde, transformando o mundo como o conhecemos.

Capa da Electronics Magazine (1965)

No texto, publicado em 1965 na Electronics Magazine, Moore observou que o número de componentes de circuito integrado em um chip de computador dobrava a cada ano, e a tendência prosseguiria por, no mínimo, dez anos.

Embora bastante ousada para a época, a previsão de Gordon Moore não apenas se confirmou, como se manteve precisa por cinco décadas. Tornou-se tão durável que passou a ser conhecida como Lei de Moore.

A Lei de Moore afirma, em síntese, que a cada 18 meses o número de transistores em um circuito integrado dobra. Significa dizer que a cada 18 meses os computadores ficam duas vezes mais rápidos pelo mesmo preço.

Você lembra aquele computador que deixou de comprar por causa do preço elevado? Aquela mesma máquina que depois encontrou em uma loja qualquer com as mesmas características, mas custando bem menos?

Pois bem. Naquele exato momento, você presenciou os reflexos da Lei de Moore. (E é provável que tenha novamente deixado de comprar o computador, já que havia uma máquina mais rápida para a qual direcionou sua atenção.)

O constante aumento da potência, velocidade e memória dos computadores, associado à queda de preço, diminuição de peso e redução de tamanho, é um caso típico de mudança exponencial. É justamente este cenário acelerado e explosivo, em que a escassez vira abundância da noite para o dia, que torna o crescimento exponencial tão poderoso.

O grande problema é que, embora as revoluções tecnológicas da atualidade exijam um novo olhar, insistimos em pensar de forma linear. Como fomos ensinados a pensar assim desde sempre, nossos cérebros locais enxergam o crescimento exponencial como algo chocante e assustador.

Tanto foi assim que, nos anos que seguiram, a Lei de Moore foi interpretada sob a ótica linear. Mas, à medida que ela se confirmava, alguns pesquisadores começaram a se indagar: se a Lei de Moore influencia claramente os transistores, será que esse padrão também afeta as tecnologias baseadas na informação?

As previsões de Ray Kurzweil

Na década de 80, Ray Kurzweil provou que sim. O estudo conduzido pelo futurista identificou que as invenções baseadas nas tecnologias atuais estariam ultrapassadas no momento em que chegassem ao mercado.

Como inventor e detentor de diversas patentes, Kurzweil se preocupava com o futuro do comércio tecnológico. Passou, então, a estudar as tendências técnicas e delinear suas próprias curvas do crescimento exponencial.

As projeções de Kurzweil foram compiladas no livro The Age of Intelligent Machines (1990). Na obra, demonstrou que dezenas de tecnologias estavam seguindo um padrão de evolução exponencial. A diferença fundamental entre o crescimento linear e exponencial pode ser observada no gráfico a seguir:

A diferença “sutil” entre o crescimento linear e o crescimento exponencial

A maioria das previsões teve uma precisão extraordinária: dentre as mais importantes estavam a queda da União Soviética, a vitória de um campeonato mundial de xadrez por um computador, e o surgimento da World Wide Web.

Em seu segundo livro, The Age of Spiritual Machines (1999), Kurzweil fez novas projeções para os anos 2009, 2019, 2029 e 2099. Embora estejamos muito longe de 2099 e brevemente distantes de 2019, o autor acertou 89 de 108 previsões para 2009, um recorde inédito na história do futurismo (confira aqui a relação de acertos).

A Singularidade está próxima?

Enquanto muitos pesquisadores respeitados acreditam que Kurzweil é um profeta dos tempos modernos, outros afirmam que o inventor está completamente louco. Mas, simpatizando ou não com Kurzweil, o fato é que não há como simplesmente ignorar suas visões para o futuro, que continuam sendo compartilhadas até os dias de hoje.

Uma das mais recente previsões de Kurzweil foi registrada durante a SXSW Conference, em Austin, Texas. Na ocasião, o futurista afirmou que a singularidade — o momento no tempo em que a inteligência artificial ultrapassará a inteligência humana — acontecerá até 2045.

Para Kurzweil, a inteligência artificial atingirá os níveis humanos por volta de 2029, quando será capaz de passar por um Teste de Turing válido. Mas a Singularidade acontecerá somente em torno de 2045, quando multiplicaremos nossa inteligência efetiva bilhões de vezes por fusão com a inteligência que criamos.

Segundo Kurzweil, a singularidade tecnológica acontecerá nos próximos 30 anos

Neurotecnologia

Mas a visão de Kurzweil sobre o futuro não termina com a singularidade. Para ele, a neurotecnologia é um dos grandes campos que revolucionará nossas vidas. No futuro, conectaremos nossos cérebros a computadores por meio de redes neurais, o que possibilitará aprimorar as habilidades cognitivas dos seres humanos.

Cientistas, pesquisadores e empreendedores estão se dedicando para estabelecer essa interface cérebro-máquina. Iniciativas como a Neuralink, de Elon Musk, e a Kernel, de Bryan Johnson, apontam para um futuro no qual criaremos conexões duradouras entre o mundo digital e o neocórtex humano.

Realidade virtual e realidade aumentada

Segundo Kurzweil, a realidade virtual e a realidade aumentada avançarão tanto que os locais de trabalho físicos se tornarão uma coisa do passado. Essa mudança de paradigma poderá ter consequências interessantes.

Dentre elas, as populações se tornariam mais descentralizadas porque não precisaríamos viver em nenhum local específico em razão de nossos empregos. As pessoas não necessitariam mais “acampar” nas grandes cidades para trabalhar ou ficar atreladas a um local específico, muitas vezes longe da família.

Por via de consequência, Kurzweil estima que a descentralização aliviaria a ameaça de ataques terroristas.

Vida eterna

Para Kurzweil, a tecnologia não somente nos permitirá repensar o local de trabalho moderno, como também nos dará a capacidade de interromper a morte — ou, pelo menos, retardá-la. No futuro, qualquer pessoa que tenha um corpo saudável e uma conta bancária também saudável poderá a chance de enganar a morte uma década por vez.

Segundo o futurista, poderemos ir, de tempos em tempos, até uma clínica e receber um tratamento inovador para curar doenças, regenerar tecidos e aumentar a eficácia de nossos sentidos. Não seríamos imortais, mas amortais — ainda poderíamos morrer em uma explosão ou acidente de trânsito, mas não mais teríamos “data de validade”.

Hiperconectar o mundo

Nem todas as previsões de Kurzweil são tão drásticas, e algumas parecem mais prováveis ​​de se concretizar. É o caso da sua previsão de um Wi-Fi onipresente.

A conexão de todo o planeta para estar na iminência de se tornar realidade, sobretudo após o recente anúncio de Elon Musk, de que a SpaceX lançará 4.425 satélites ao espaço para transmitir Internet para todos.

Ray Kurzweil imagina um futuro excitante, assustador e um pouco aterrorizante ao mesmo tempo. Somente o tempo dirá se suas previsões estarão realmente corretas ou se o futuro tem outros planos para a humanidade.

Fonte: Futuro Exponencial