Em 2030, os alunos irão aprender online com robôs e 10 vezes mais rápido que hoje

Por Redação

Para o futurista Thomas Frey, as maiores empresas do futuro serão as escolas online

Estamos vivendo uma era volátil, complexa e acelerada. Embora a trajetória humana tenha sempre sido turbulenta, nunca a escala e a velocidade das mudanças foram tão expressivas como hoje. A maioria das mudanças de nossa história aconteceu nos últimos duzentos anos e, em especial, nas últimas cinco décadas.

As novas tecnologias estão transformando nossa forma de pensar, trabalhar e nos relacionar com outras pessoas. Ao mesmo tempo, a população da Terra está aumentando mais rápido do que em qualquer outro momento da história.

Muitos dos desafios que enfrentamos resultam da poderosa combinação entre esses dois fatores. O problema é que, enquanto todas essas transformações ocorrem, os procedimentos consolidados e adotados nos negócios, no governo e na educação continuam sendo pautados por antigos padrões de pensamento.

Longe de olhar para o futuro, o olhar está teimosamente fixado no passado. E isso é perceptível nos sistemas de educação em massa de todo o mundo, que acabam afetando gerações e gerações.

A questão da educação hoje

No livro Out of Our Minds (2011), Ken Robinson refere que os atuais sistemas educacionais não foram projetados para atender às demandas que enfrentamos hoje, mas foram criados para satisfazer necessidades de uma era que já passou. Os sistemas padronizados, mecanizados e lineares de outrora não fazem sentido no mundo atual.

Pessoas, empresas e organizações estão desenvolvendo iniciativas todos os anos para enfrentar a crise da educação global. Mas talvez um dos maiores avanços recentes sejam os chamados MOOCs (Massive Open Online Courses), plataformas de cursos abertos para qualquer pessoa com conexão à Internet.

O ano 2012 foi marcado por um verdadeiro boom dos MOOCs. Algumas das principais plataformas, como Udacity, edX, Cousera e FutureLearn, surgiram no período e hoje concentram milhões de estudantes em todo o mundo. O conhecimento então restrito às universidades, passou a estar disponível ao alcance de um clique.

O crescimento dos MOOCs desde o boom de 2012

O futuro da educação

Para o futurista norte-americano Thomas Frey, os MOOCs não apenas apenas irão se expandir nos próximos anos como receberão uma versão amplamente aprimorada até 2030.

A diferença fundamental é que, no futuro imaginado por ele, os instrutores não serão humanos com vozes e imagens transmitidos por meio de vídeos; os instrutores serão robôs — inteligentes o suficiente para personalizar os planos de aula para cada criança sentada na frente da tela, de acordo com as necessidades individuais.

Para o futurista Thomas Frey, em 2030 os alunos irão aprender online com robôs

Para Frey, os bots online poderão capturar os pontos fortes e fracos de um estudante e usar uma série de algoritmos para adaptar as aulas com base nos dados coletados. Este método de aprendizagem personalizada será eficaz para entender o progresso do aluno, tomar decisões instrucionais e aumentar a realização de modo geral.

Frey baseia sua antevisão principalmente nas recentes pesquisas desenvolvidas no campo da inteligência artificial. As perspectivas do Google com o DeepMind e as conquistas da IBM com o supercomputador Watson levam o futurista a acreditar que o setor educacional será beneficiado com todos esses avanços tecnológicos.

Para Frey, esse tipo de eficiência permitirá que os alunos aprendam em taxas mais elevadas do que se tivessem de competir com outros estudantes pela atenção do professor. Com o aumento da velocidade no aprendizado, ele estima que a graduação poderá ser completada em menos de meio ano.

Ele [o sistema de AI] aprende quais são suas propensões, aprende quais são suas idiossincrasias. Ele aprende quais são seus interesses, seus pontos de referência. E descobre como ensinar você de maneira mais rápida e rápida ao longo do tempo. — Thomas Frey

Complementar ou substituir?

Frey não chega ir tão longe a ponto de argumentar que os robôs irá substituir a educação tradicional de forma definitiva. Ele os enxerga mais como um suplemento, como uma espécie de tutor. Caso uma criança tenha dificuldade em álgebra, por exemplo, os bots ofereceriam ajuda durante o tempo em casa ou no final de semana.

Embora a previsão possa parecer difícil de se concretizar em tão pouco tempo (13 anos), o futurista lembra que a Internet estava apenas começando a entrar nas casas das pessoas há 13 anos. Mas, em 2007, muitos já estavam navegando na rede em seus iPhones e agora a Internet é quase onipresente no cotidiano.

As aplicações da inteligência artificial nos sistemas educacionais ainda têm um longo caminho a percorrer. É preciso que as máquinas dominem a linguagem e compreendam as interações sociais. Mas Frey está confiante de que a inteligência artificial terá uma grande trajetória no espaço educacional.

Para ele, as maiores empresas da Internet do futuro serão de educação. E ainda não existem hoje.

Prevejo que, até 2030, a maior empresa da Internet será uma empresa educacional de que ainda não ouvimos falar. — Thomas Frey

Fonte: Futuro Exponencial