Empresa americana cria impressora 3D capaz de funcionar no espaço

Por Redação

Estamos na idade de ouro do desenvolvimento de materiais (Crédito: Made In Space)

Tudo custa dinheiro quando o assunto é viagem espacial. Construir um foguete custa caro. Treinar astronautas custa caro. Em suma, enviar qualquer coisas para o espaço é caro. Em uma época em que a falta de orçamento pode levar a NASA a desistir de Marte, dinheiro é, sem dúvida, algo a considerar.

Um dos fatores que encarece as missões espaciais é a quantidade de materiais que os astronautas devem levar para espaço. Quanto maior o número de itens na aeronave, mais energia é necessária para colocar o foguete em órbita. E quanto mais energia, mais cara fica a missão.

Deixada de lado a questão da energia, há também uma grande probabilidade de que as peças e ferramentas transportadas a bordo jamais sejam usadas durante a missão. Se enviar muitas coisas para o espaço já não é barato, enviar coisas que nunca serão utilizadas é ainda pior.

Por fim, há o risco de que os materiais levados para o espaço não sejam suficientes para resolver problemas que não poderiam ser previstos na fase de planejamento da missão. Nesse caso, só restaria aos astronautas “improvisar”, pois não conseguiriam receber da Terra os itens necessários a tempo.

Imprimindo no espaço

Buscando solucionar todos estas dificuldades, a empresa norte-americana Made In Space está desenvolvendo uma nova maneira de obter ferramentas e peças no espaço: impressoras 3D.

Embora esta tecnologia esteja sendo rotineiramente usada na Terra para criar diversos tipos de itens, a impressão 3D poderia ser usada no espaço para fabricar ferramentas e peças somente quando fossem necessárias. Assim, os astronautas não precisariam transportar itens extras em órbita.

O material desenvolvido pela Made in Space é resistente ao oxigênio atômico (Crédito: Made In Space)

A iniciativa da Made in Space vem ao encontro dos interesses da NASA, que há anos tem procurado maneiras alternativas — e menos onerosas — de produzir materiais para atualizações ou reparos no espaço.

O futuro da exploração espacial

Embora os astronautas já tenham tentado utilizar a impressão 3D a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, do inglês Internacional Space Station), os plásticos aplicados (ABS e Green Polyethylene) não foram capazes de lidar com as tensões do vácuo do espaço.

Por outro lado, o material desenvolvido pela Made in Space é composto por polieterimida (usados em embalagens de alimentos e faróis) e policarbonato (usado em óculos de sol e CDs), e é várias vezes mais forte do que qualquer coisa que os astronautas estejam usando atualmente.

O plástico poderá ser impresso durante caminhadas espaciais fora da ISS (Crédito: Made In Space)

O novo tipo de plástico é resistente ao oxigênio atômico e à radiação ultravioleta, e capaz de ser fabricado em condições de microgravidade. O material foi impresso com sucesso pela empresa, e poderá ser usado até mesmo em caminhadas espaciais fora da ISS.

A Made in Space está testando atualmente uma impressora chamada Archinaut, que deverá ser lançada em 2018. Se tudo correr bem, a máquina poderá operar totalmente em microgravidade e será capaz de imprimir satélites inteiros a partir do espaço.

A impressora Archinaut será capaz de imprimir satélites inteiros em órbita (Crédito: Made In Space)

Se as soluções da Made In Space já oferecem aos astronautas a capacidade de prototipar ferramentas e projetos no espaço com ciclos de iteração curtos, a possibilidade de construir satélites em órbita abriria oportunidades para futuras missões que não poderiam ser realizadas antes.

Sem dúvida, estamos na idade de ouro do desenvolvimento de materiais — tanto na Terra quanto no espaço.

Fonte: Futuro Exponencial