Eu não faço a mínima ideia do que estou fazendo

Sério, não faço mesmo.

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Demorou quase vinte e dois anos mas finalmente estou admitindo. Eu não faço ideia do que eu estou fazendo. Não faço ideia de quem eu sou. Não sei como será meu dia amanhã. Não sei nem o que vou comer na minha próxima refeição. E tudo isso me assusta muito!

Sempre fui do tipo de pessoa que gosta muito da segurança. Que gosta de saber que as coisas estão certas. Que quer que um plano criado seja seguido a risca. Sempre existiu em mim uma grande dificuldade de lidar com imprevistos e agir em uma situação onde as coisas são completamente incertas.

Pensar que algo está certo, que um plano que eu fiz vai dar certo me dava uma segurança de que eu estava fazendo a coisa certa para a minha vida. O que foi uma coisa boa para que eu conseguisse sobreviver a minha adolescência, mas começou a ter um peso negativo muito forte desde que entrei na minha fase adulta (que considero que aconteceu entre os meus dezenove e vinte anos de idade).

Eu sempre gostei de estar segura de algo de saber que algo que foi apresentado a mim é uma verdade ou uma mentira absoluta. As coisas tinham que estar sempre no preto ou no branco. Não podia existir meio termo. Até que um dia eu consegui falar que as coisas não são tão certas assim e que meio termo e imprevistos existem.

Usei o verbo falar propositalmente. Desde os dezoito ou dezenove anos de idade eu repetia isso para mim e para quem quisesse ouvir que nada estava certo, mas eu não tinha internalizado isso.

Essa segurança falsa me causou muitos tipos de frustração, tanto na minha vida pessoal quanto na minha vida profissional. Estava em relacionamentos que não levaram a absolutamente nada e alguns foram negativos para a minha vida. Gastei muito tempo tentando me preparar para uma carreira na qual eu não me via no futuro.

Finalmente agora eu reconheço que meu futuro é totalmente incerto. É claro que não parei de planejar. Uma vida sem o mínimo planejamentos é você ir de nada a lugar nenhum. Mas agora eu tenho a consciência que meus planos podem e vão falhar, que muitas vezes eu vou ter que criar uma rota alternativa para atingir meus sonhos porque a estrada que eu planejei estará interditada.

E toda essa consciência ao mesmo tempo que me dá um alívio me dá muito medo. Porque não sei se as ações que estou tomando hoje são suficientes para atingir o que eu quero para o meu futuro. Também não sei se o futuro que eu imagino hoje é o futuro que eu terei e agora vou ter que aprender a lidar com isso.


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