The Zygon Inversion

Resenha do episódio 9x08 de Doctor Who

Alerta: o seguinte texto contém spoilers.

Todo Doutor teve a sua passagem por Doctor Who marcada por momentos emblemáticos, cenas para assistir de novo e de novo por gerações de whovians. Moffat e Harness entregaram para o 12º Doutor um monólogo para fazer Peter Capaldi deixar em definitivo a sua marca na história na série.

Mas antes de chegarmos no monólogo do Doutor, The Zygon Inversion nos entrega uma história consistente, com um ritmo muito bem construído. Enquanto o restante da temporada os episódios duplos são bastante independentes, este arco dos Zygons são muito mais ligados entre si. Os dois episódios do Peter Harness formam praticamente um filme de uma hora e meia.

Ao mesmo tempo, o episódio carrega um clima de série clássica. A história forma um arco que se desenvolve em muitas subtramas que vão elaborando e desenvolvendo o contexto do episódio, o que era fundamental para um episódio tão politizado como foi este.

Mesmo esta mistura de clima clássico e cinematográfico, o episódio teve espaço para muitas cenas divertidas, aliviando um pouco a grande tensão da narrativa. Se destaca a relação entre o Doutor e Osgood — que funcionaria muito bem como companion. Vale citar a revelação do nome da cientistas — Petronella — e os muitos nomes do Doutor, de Basil até Doutor Disco.

Doutor John Disco.

Ao mesmo tempo que Osgood preenchia temporariamente o papel de assistente do Senhor do Tempo, Jenna Coleman entregava um interpretação esplêndida, uma das suas melhores na série, em dois papéis tão opostos. A liderança de Bonnie foi fundamental para tornar os Zygons rebeldes uma ameaça crível e dar a tensão necessária ao episódio. Vale mencionar, quando ela força um dos Zygons a se tomar a sua forma verdadeira. O diálogo deste Zygon, que só queria viver em paz na Terra, é um dos momentos mais chocantes da história recente de Doctor Who.

Também é digno de nota que The Zygon Inversion compartilha de muitas semelhanças com os episódio da quinta temporada The Hungry Earth e Cold Blood, em que os Silurians desejam, em um contexto parecido, dividir a Terra com os humanos.

Outras referências interessantes são o retrato do 1º Doutor na sede da UNIT (já visível no episódio anterior). O episódio também confirma que o gás Z-67 capaz de matar os Zygons, foi de fato desenvolvido por Harry Sullivan. O Doutor inclusive o chama de o “gás do imbecil”, fazendo referências ao famoso grito de “Harry Sullivan é um imbecil”, proferido pelo 4º Doutor em Revenge of the Cybermen. Durante o monólogo do Doutor, também são feitas referências aos eventos de The Day of the Doctor e a Guerra do Tempo.

“Ninguém jamais sentirá esta dor. Não sob minha vigília.”

Apesar de todos estes pontos positivos, nada se compara com o clímax do episódio. Com a solução mais Doctor Who possível: duas caixas Osgoods, ambas vazias. O Doutor arquitetou a defesa perfeita para o tratado de paz, e o defende de modo sem igual.

Quando você dá o primeiro tiro, não importa o quão certo você se sente. você não tem ideia de quem irá morrer. Você não sabe quais crianças que irão gritar e queimar. Quantos corações serão quebrados. Quantas vidas serão quebradas. Quanto sangue será derramado até que todos façam o que deveriam ter feito desde o começo — sentar e conversar!

PS: As Osgoods deveriam proteger o cessar-fogo. Por isso duas delas, uma Zygon e uma humana. Como Bonnie tomou o lugar da que morreu em Death in Heaven, acho seguro supor que a sobrevivente seja humana.


Ficha técnica

  • Roteiro: Peter Harness e Steven Moffat
  • Direção: Daniel Nettheim
  • Elenco principal: Peter Capaldi (12º Doutor), Jenna Coleman (Clara Oswald) e Ingrid Oliver (Osgood)
  • Exibição original: 7 de novembro de 2015
  • Continuação de The Zygon Invasion.