Um pequeno ponto de vista sobre o mercado de games no Brasil.

Sempre quando falo para as pessoas que trabalho com desenvolvimento de games, alguns olham com cara de surpresos, ficam quietos por alguns segundos e me fazem as seguintes perguntas:

  • Ah, você faz aqueles joguinhos, como aquele jogo de quebrar balas?
  • Existe empresas que desenvolvem jogos?
  • Ah, mas você fazem mais o que?

Acho curioso que essas perguntas são frequentes mesmo tendo jogos como exemplo que o país não é faz só jogos para celular e web.

Por causa dessas, e demais questionamentos filosóficos, penso de uma forma muito diferente o que é o mercados de games brasileiros e vamos aos pontos.

Jogos para celular é o futuro desde 2010

Desde o lançamento do Angry Birds e o sucesso que ele fez, ouço as pessoas querendo fazer jogos para celular e ficarem ricos. Ok, existem caso e tem pessoas com interesse para desenvolver jogos para celular, mas será que poderíamos nos atualizar?

Por causa da facilidade de desenvolver jogos e publica-las, mudou a dinâmica do mercado de jogos de celulares. Será que alguém se pergunta quanto jogos para celular saem por dia? Eu iria falar uns 400 jogos por dia. Agora imagina ter que concorrer com pelo menos uns 12 mil jogos por mês?

Já se passou o tempo para jogos de celulares serem o futuro, realmente há algo acontecendo e acredito que é importante saber um pouco sobre esse mercado, mas existem novas portas e caminhos a serem descoberto e quanto ao futuro? Deixamos ele chegar, afinal, ninguém tem uma bola de cristal ou a capacidade de enxergar através da dimensão do tempo para saber o que vai acontecer no futuro.

Brasil só sabe fazer jogos para celular e advergames

Para quem não sabe, advergames são jogos propaganda, são jogos feitos para divulgar algum produto ou marca para os consumidores de forma divertida. Em parte eu concordo, mas acreditar em toda essa frase sem questionar, já considero um pequeno erro.

Não temos muitos veteranos com desenvolvimento de jogos para PC e consoles, na qual é um processo diferentes e mais complexo de realizar (ou não), mas existem exemplos de jogos que foram para PC e mostram a capacidade do país desenvolve-los, entre eles estão os dois clássicos: Incident of Varginha e Amazônia.

Além disso, surgem mais e mais tecnologia que facilita no desenvolvimento de jogos em plataforma mais complexa. Há um limite evidente na flexibilidade, mas dependendo da sua criatividade, é possível fazer algo diferente e competitivo no mercado.

Continuar acreditando nessa frase cegamente é desconsiderar o trabalho duro do pessoal da área de games, como o pessoal da ABRAGAMES, do Pérsis Duaik, um dos fundadores da empresa Duaik, que se tornou representante do ID@Xbox e de todos esse desenvolvedores que estão dentro da Steam, ou pelo menos tentando entrar.

Existem muitos jogos para celular que é brasileiro, porém, não devemos só acreditar mais nisso, porque estamos competindo no PC e Console.

Os jogos brasileiros precisam de um jogo Triple A, igual ao Call of Duty

Eu não acho que precisamos de uma Triple A, na verdade o que precisamos é confiar um pouco mais no nosso taco e aprender a fazer os jogos a nossa maneira. Tentar competir com um Triple A é uma loucura, não temos nenhuma base para competir, não sabemos nem como lidar com a parte da contabilidade e nem com questões jurídicas, então como poderíamos fazer um projeto grande como esse sem ter uma base empresarial voltado nesse setor?

Para mim, sempre senti que era errado pensar dessa maneira, ainda mais nos tempos de hoje. Será que não conseguimos fazer uma grana criando uns jogos mais “simples” ou encarar o desenvolvimento de um jogo com uma visão diferente?

Para ganharmos respeito, precisamos mesmo fazer um jogo onde irá vender milhões de cópias? Eu gostaria de me apoiar na base dos jogos menores, como o Gang Beats ou Mini Metro. Não seremos ricos e nem milionários, mas acredito que será o suficiente para manter a empresa e ter um prato de comida todos os dias, o que para mim é o mais importante.

Nenhum brasileiro vai comprar o nosso jogo, porque é brasileiro

E assim que funciona a síndrome do vila-lata. Tá certo que os brasileiros não vão pagar mais do que 30 reais no seu jogo, porém acha certo só deduzir que ninguém do país vai comprar o seu jogo?

Parem por um momento e pensem: Qual é o custo de produzir um jogo em português brasileiro? É somente isso que os jogadores querem. Não precisa fazer um jogo com um tema brasileiro, é só colocar legendas em português que já é um bom começo.

Existe um tempo de desenvolvimento, porém, acredito, seria mais fácil fazer um jogo em português e depois traduzir para inglês do que o inverso. Então qual seria o problema? Isso não vai afetar a sua estratégia de vender no mundo inteiro, não acha?

Jogo brasileiro tem que refletir a cultura brasileira

Como definir a cultura brasileira se ela é uma mistura de cultura de diversos país mais a cultura indígena? Será que é necessário fazer um tema sobre algum elemento brasileiro nos jogos para ser considerado jogo brasileiro?

Por mim, limitar e força os desenvolvedores a fazer um jogo de temática brasileira é mesma coisa que forçar uma criança a comer verdura pura porque é a maneira correta e que não pode picar e misturar com carne não.

Existem muitas maneiras de refletir a cultura brasileira nos jogos e não precisa ser só pela temática, pode ser pela música, os elementos nostálgicos, criticas, cotidiano, ambiente, elementos visuais e assim vai.

Então definir um jogo por elementos da cultura de seu país, é uma péssima maneira de incentivar o mercado. Deixamos as pessoas desenvolverem jogos com maneiras que se sentirem mais confortável, com certeza terá desenvolvedores fazendo jogos sobre temas brasileiros com boa vontade.