Chamados para a EBUlição

Ao longo da sua história, o GBU tem promovido uma ideia revolucionária: a de que, independentemente do contexto onde estejamos, temos uma chamada da parte de Deus para, na autoridade e no poder de Cristo, ir e ensinar o evangelho a todas as nações (Mateus 28:19–20). Sendo assim, como universitários, vivendo no contexto da Universidade, somos automaticamente chamados para ir e ensinar o evangelho na Universidade. Esta verdade correspondente impõe-se igualmente no mundo profissional (e em todos os outros contextos em que estivermos inseridos na nossa vida neste mundo): se formos profissionais numa área, somos chamados para ir e ensinar o evangelho nessa área profissional. Se nos movermos numa dada comunidade, somos chamados para ir e ensinar o evangelho nessa comunidade.

Se não vamos e ensinamos o evangelho onde quer que estejamos, estamos simplesmente em desobediência. Como disse Samuel Escobar, o evangelismo é a razão de ser do nosso movimento. O GBU não é um grupo de jovens cristãos. É um grupo de jovens missionários cristãos. Se somos estudantes universitários cristãos e não estamos a proclamar o evangelho como um missionário é chamado para fazer, estamos a viver equivocados… E se participamos no GBU, temos de entender que o propósito do GBU nunca foi ser um gueto, um refúgio ou um esconderijo de cristãos na Universidade. Foi ser um grupo de discípulos que conspiram para virar a Universidade do avesso para Jesus.

Mais do que um mandamento para cumprir, o evangelismo é a razão principal para estarmos nesta terra. O próprio Jesus disse que iríamos receber o dom do Espírito Santo — a sua presença e o seu poder em nós — para sermos testemunhas (Atos 1:8). Há um propósito para ainda estarmos cá depois de sermos transformados por Jesus: esse propósito é glorificar Deus fazendo discípulos em todas as nações.

Mas quando pensamos em ir e ensinar o evangelho — e antes de falarmos sobre como o GBU está a tentar promover o evangelismo e apoiar os estudantes nisto — há duas questões-chave que temos de ter em conta, sob pena de não sermos eficazes, ou mesmo de sermos contraproducentes.

O contexto

Em primeiro lugar, esta chamada é para ser respondida e vivida num contexto particular. Para sabermos viver a chamada de Deus, temos de perguntar primeiro: “Onde estamos, e para onde fomos enviados?”. Porque não passa pela cabeça de ninguém ensinar em Marrocos o evangelho em norueguês, ou na China o evangelho em espanhol… já para não falar no conhecimento da cultura. Mesmo de Espanha para Portugal, a mesma palavra pode significar algo completamente diferente, e a forma de estar em cada situação cultural varia de país para país — às vezes de cidade para cidade!

Fórum de Formação GBU (março, 2017. Foto: Alexandra Carmo)

O apóstolo Paulo deu-nos um modelo precioso disto, registado por Lucas no livro de Atos dos Apóstolos: Paulo chega a Atenas, uma cidade pagã, e partindo de elementos culturais (a profusão de deuses) e com conhecimento profundo da cultura (ele cita poetas gregos!), ele prega o evangelho (Atos 17).

O tipo de resposta que ele teve é irrelevante: o evangelho foi pregado, e o mandamento de Jesus obedecido. Isso é a única coisa que nos cabe fazer. O fruto, deixamo-lo nas mãos de Deus.

O que o GBU tem dito é o seguinte: na Universidade, não podemos ensinar o evangelho usando a mesma linguagem que usaríamos com um grupo de pessoas que cresceu na igreja e conhece uma cultura e linguagem específicas. Esta cultura e linguagem comunicam tão mal com universitários como um missionário europeu num país africano sem preparação nem conhecimento da cultura. Isto é verdade mesmo se esse missionário falar a mesma língua, como nós falamos a mesma língua que a maioria dos estudantes. Sem que muitas vezes o percebamos, vivemos em mundos diferentes e fazemos parte de culturas diferentes. Por vezes, a questão é que, provenientes de uma minoria evangélica que tende a fechar-se sobre si própria como mecanismo de defesa — visando não se deixar engolir pela maioria avessa a Cristo e à sua mensagem — nem sequer atentamos para a cultura portuguesa em geral, quanto mais para a cultura universitária portuguesa em particular.

O caráter integral da missão cristã

Em segundo lugar, quando atentamos para o contexto, algo fantástico acontece: percebemos que existem necessidades que, a acompanhar a nossa proclamação, devem ser abordadas e, na medida do possível, supridas. Como lemos em I João 3:16-18,

16 Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e nós devemos dar a vida pelos irmãos. 17 Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitando, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus? 18 Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade. (JFA)

É a isto que se dá o nome de missão integral: a ideia simples mas incrivelmente revolucionária de que, a par da nossa proclamação do evangelho, não podemos deixar de atentar para o contexto para o qual somos enviados, e, sempre que possível, suprir as necessidades desse contexto. Só assim a mensagem será ouvida e levada em conta por um número significativo de pessoas.

Quantas vezes fez Jesus isso? Sempre! O seu ensino era sempre acompanhado de cura, de libertação, de suprimento de necessidades básicas. É isto o evangelho integral, a proclamação acompanhada da responsabilidade que o cristão tem de ouvir e obedecer à chamada de Deus de vestir quem está nu, dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede, de visitar quem está preso ou doente, de recolher quem é estrangeiro (Mateus 25).

Como viver a fé na Universidade?

Como começámos por dizer, o GBU sempre promoveu esta ideia de viver e proclamar o evangelho independentemente do contexto, mas não de forma desligada do contexto; antes, a mensagem deve ser sensivelmente dirigida, contextualizada, adequada ao contexto específico em que nos encontramos, fazendo assim o nosso estilo de vida corresponder à proclamação.

Fórum de Formação GBU (março, 2017. Foto: Alexandra Carmo)

Mas de que formas o fazemos, e de que formas encorajamos os estudantes a viverem e proclamarem o evangelho? De duas grandes formas:

  1. Como indivíduos: no seu contexto diário, nos seus relacionamentos do dia-a-dia, vivendo e proclamando o evangelho como estilo de vida.
  2. Como comunidades de discípulos: na sua faculdade, unidos como grupo para proclamar o evangelho à comunidade universitária, em eventos especificamente preparados para o efeito.

O formato em que o evangelho é apresentado fica por conta da criatividade dos estudantes, mas é no âmbito desta segunda forma de partilhar o evangelho que decidimos avançar com este projeto de evangelismo, o Projeto EBUlição. Ebulição, porque queremos, enquanto grupo, que o evangelho ferva em nós e na Universidade. Pretendemos, com isto, proporcionar aos estudantes cristãos uma rampa de lançamento para a obediência ao mandamento de Jesus, e à vocação cristã de proclamação e serviço. Pretendemos também dar visibilidade ao GBU e dizer à Universidade que existimos, e que há estudantes que creem e proclamam o evangelho sem vergonha e sem medo. Através deste evento, queremos chegar com o evangelho àqueles que não o conhecem e encorajar aqueles que o conhecem a vivê-lo todos os dias na Universidade, a sair do armário da vergonha, individualmente e como comunidade.

Não estamos muito preocupados com números, ainda que queiramos alcançar o maior número de estudantes possível. Estamos preocupados, isso sim, com obedecer a Deus e cumprir a nossa missão como evangelistas. O resto, confiamos que Ele fará.

O Joel Oliveira é Secretário-Geral do GBU Portugal. Saibam mais sobre o Projeto EBUlição na página do Facebook do GBU.