Uma semana missionária na Cantuária

Este ano, o GBU organizou pela primeira vez a semana missionária “Deus? Só Visto!”, com eventos no Porto, em Coimbra e em Lisboa. Como parte da preparação, duas estantes portuguesas estiveram no Reino Unido, onde as semanas missionárias são comuns. Talvez já tenham lido o relato da Diana Brás. Este é o relato da Patrícia Matos, que esteve na Canterbury Christ Church University no início de março.

Medway Campus na Canterbury Christ Church University

Numa manhã de janeiro recebi uma chamada da assessora do GBU Lisboa, Emily Lange, com um convite que consistia em escolher uma de quatro semanas missionárias em Inglaterra com o intuito de ir ajudar, mas principalmente aprender e trazer auxílio para a semana missionária em Portugal. Após alguma pesquisa e reflexão, escolhi a bela cidade que é a Cantuária. Durante o período que antecedeu a minha viagem tive alguns receios, principalmente porque seria a primeira vez que sairia do país sozinha e era durante as aulas (o que poderia trazer problemas a nível académico), mas ignorei esses medos e fui em frente com os olhos postos em Deus. Ter escolhido confiar em vez de me preocupar ajudou naquela que viria a ser uma das semanas de mais impacto da minha vida.

Cheguei à Cantuária e fiquei maravilhada de imediato pela união entre os estudantes da Christian Union de lá. Era o primeiro ano em que as duas universidades da Cantuária se uniam para proclamar o evangelho. Alguns nem se conheciam, mas parecia que sempre tinham trabalhado juntos. Esse também é o poder do Espírito Santo, fazer com que pessoas que nem se conhecem trabalhem de forma unida e organizada para que o “Ide” seja cumprido.

Os dias começavam com uma reunião de oração pelas 7h40 da manhã num café local. Todos os dias tinha de andar 30 minutos até lá chegar. O impressionante foi o café estar cheio de estudantes locais que tinham de fazer o mesmo percurso que eu ou maior. As reuniões tinham cerca de 70 alunos reunidos em oração e louvor. Uns que estudavam na universidade mais próxima (Christ Church) e outros que estudavam na universidade de Kent no cimo da montanha, que todos os dias desciam e voltavam a subir para as suas aulas e atividades de evangelização. Acho que os estudantes portugueses têm muito a aprender com isto, porque sinceramente não consigo imaginar um café cheio de estudantes portugueses pelas 7h40. Foi também durante uma reunião de oração que tivemos a prova de que esse esforço não era em vão. Num dos dias, enquanto cantávamos alguns coros, uma cliente do café subiu ao andar de cima e ficou em lágrimas. Alguém foi falar com ela, partilhou com ela o amor de Jesus, convidou-a para os eventos e no final do dia ela estava a dizer “Sim” a Jesus! Portanto, a missão não foi feita só nas universidades, mas também num café e mudou a vida de uma senhora de quarenta anos que de nenhuma maneira está envolvida no meio académico.

Passei a maior parte do tempo em Christ Church (só estive um dos dias em Kent). Na parte da manhã eram distribuídos folhetos, feitas perguntas como “Achas que Jesus votaria em Donald Trump?” e “Achas que Deus permite o mal?” (todas as perguntas estavam relacionadas com o tema da palestra da hora de almoço). Ainda oferecíamos café ou chá grátis e havia música ambiente. Às 13h, começava o almoço (também grátis) onde apareciam muçulmanos, ateus e até uma rapariga dividida entre o cristianismo e a crença nos deuses gregos do seu pai. Nesse almoço era dada uma palestra, oferecidos evangelhos de João, e havia conversas que chegavam a durar mais de uma hora. No segundo dia, tivemos 70 pessoas a almoçar connosco.

Havia ainda um jantar direcionado a estudantes internacionais que cada dia tinha mais e mais afluência. Esses estudantes iam depois connosco para o local do evento da noite. Num dos dias, três muçulmanas passaram o dia a ouvir falar de Jesus como Deus, pois foram aos três eventos. No jantar era dada a refeição principal e a sobremesa era no evento.

Era durante o evento da noite que o Michael Ots e o Michael Green (um jovem de 87 anos) partilhavam Jesus com estudantes através do evangelho de João, desde a mulher samaritana à desconfiança de Tomé. Nesse evento havia testemunhos de estudantes, trabalhadores locais e peças de teatro (tive o privilégio de participar numa), música e spoken word.

Na minha opinião, o que teve mais impacto foi ver tantos improváveis ir a estes eventos, pessoas que foram no primeiro dia a ir aos restantes, saber da conversão de dez estudantes e do interesse de tantos outros em continuar a descobrir mais sobre Jesus. Há histórias impressionantes como a do Chris, um rapaz com um passado familiar traumático e uma má impressão dos cristãos, que acabou a semana com um livro devocional na mão. Ou como a Xen, a tal rapariga cujo pai adorava deuses gregos, e o seu melhor amigo Brandon, que na sexta à noite disseram: “Deus meu e Senhor meu”. Estes dois últimos são muito especiais para mim porque fui eu que os convidei para o evento do almoço, passei o dia com eles e ainda tive o privilégio de orar por eles.

Concluindo, a mensagem que quero partilhar com o GBU é que o Deus que trabalhou na Cantuária é o mesmo que trabalha em Portugal. Temos de confiar que ele pode fazer o mesmo num país mais pequeno. O meu desejo é que os estudantes universitários sejam mais unidos e empenhados na proclamação do evangelho. E já me ia esquecendo, o exemplo deve ser dado durante todo o ano. Uma das noites esteve cheia de jogadores de futebol porque um dos estudantes era um exemplo diário de apoio e amor cristão na sua equipa e conseguiu levar todos os colegas.

Ter ido à Cantuária mudou, sem dúvida, a minha vida. Agradeço a Deus, todos os dias, esta oportunidade e só quero ver o mesmo a acontecer em Portugal.

A Patrícia Matos é estudante de Línguas, Literaturas e Culturas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas na Universidade Nova de Lisboa.