Por que encorajar seu filho a ser jornalista?


O fim do jornal O Dia é mais do que anunciado. A Ejesa, empresa dona do diário, já tinha dado cabo de toda a redação do portal IG, e cerrou as portas do Brasil Econômico. Há muitos meses o jornal só sai graças à ajuda dos concorrentes, que emprestam o papel para a impressão, mesmo sabendo que o pagamento dificilmente virá.

Na última semana, setores inteiros do jornal — jurídico, administrativo, almoxerifado, etc — foram convocados para uma reunião com o objetivo de limar todo mundo de uma vez.

Da redação, razão de ser da firma, mais de 40 foram para o olho da rua. Como muito bem explicado por Bruno Torturra em seu já clássico texto O Ficaralho, o passaralho é tão cruel que a agonia é maior para quem permanece empregado, e precisa acumular as funções de todos que saíram. Spoiler: o resultado é uma merda.

Nunca trabalhei lá, não conheço a história do jornal a fundo, e não me cabe fazer um obituário d’O Dia.

Mas faço questão de repetir o que tem sido meu mantra nos últimos meses (e que a própria Bruna ~mencionou~ anteontem): A crise não é do Jornalismo, a crise é dos Jornais. É das grandes empresas jornalísticas.

Olha quanta coisa tem surgido, só no Brasil:

Jota
Um site de notícias, reportagens e análise a respeito do Poder Judiciário e assuntos pertinentes a quem vive de Direito. Funciona com um sistema de assinatura.

Agência Pública
Agência de reportagens sobre as grandes questões do país, bancada por fundações estrangeiras e via financiamento coletivo no Catarse, mesma plataforma usada pelo Gente Extraordinária. Suas matérias são republicadas sob a licença creative commons por dezenas de veículos, de blogs a grandes portais.

Jornalistas Livres
Coletivo de jornalistas espalhados em rede por todo o Brasil especializado em Direitos Humanos e democratização da mídia (eu sempre me pergunto se a própria internet já não é a democratização da mídia).

Brio
Revista multimídia de grandes reportagens e textos narrativos longos. Inovou no modelo de negócios, e vende cada matéria isoladamente (por enquanto está tudo grátis!)

Outra Cidade
Veículo dedicado a tratar de cidades: de como a tecnologia pode ser uma aliada dos centros urbanos a reflexões sobre as aglomerações humanas, passando pelo que as cidades brasileiras podem aprender com iniciativas de sucesso pelo mundo.

Think Olga
Nasceu como uma revista online sobre mulheres, mas hoje produz documentários, e-books e já vende conteúdo corporativo

Torcedores.com
Portal sobre esportes que encoraja a contribuição de leitores como fornecedor de conteúdo.

Ponte
Portal criado para levar holofotes para temas de Direitos Humanos, Segurança Pública e Justiça.

Fluxo
Nesse eu vou pedir ajuda na definição deles próprios: “Fluxo é um processo, não a forma final. Buscaremos modos alternativos de investigar a realidade, sendo transparentes com o leitor a respeito de nossos dilemas e escolhas. Cada pauta formatará sua abordagem, podendo se tornar um debate transmitido via streaming, uma reportagem de fôlego, um artigo de opinião, um programa de rádio, uma matéria fotográfica, uma experiência editorial.”


Então se seu filho quiser ser jornalista e isto te deixar em pânico, fique tranquilo. Ele dificilmente vai ter um emprego em uma empresa centenária e enorme, é verdade. Mas terá uma liberdade de atuação que poucas carreiras proporcionam, e um vasto novo mundo para explorar, inovar e empreender. É assustador e passa pouca segurança, mas é muito mais recompensador do que vocêpode imaginar.


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