Fontes de Inovação

Este é o post número 2 de uma série sobre gestão da inovação

“palavras, palavras, palavras” — Hamlet

As empresas são a principal fonte de inovação*, seja através de dar a indivíduos as condições e recursos para pesquisar, validar e testar ideias no mercado, seja fomentando parceiros de pesquisa externos. Ao longo do tempo, no entanto, ideias bem-sucedidas podem solidificar a organização de forma que acabam impedindo-a de inovar e ter sucesso novamente. O papel da gestão é identificar as fontes de inovação e certificar-se de que novas ideias são técnica- e economicamente avaliadas antes de serem descartadas.

Ao realizar uma análise ambiental, as empresas podem identificar muitas fontes de inovação. Os parceiros externos (clientes da empresa ou fornecedores, universidades, governo, etc) são tipicamente uma fonte fecunda de novos conceitos, mas “a inovação é mais do que a geração de ideias criativas; é a implementação dessas ideias em algum novo produto ou processo “(vide 1). E é aí onde a ação da gestão torna-se crucial.

Ideias que chegam ao mercado com sucesso tem três componentes principais: um inventor, um sponsor, e um ambiente aberto para a mudança. O inventor domina as ferramentas básicas de um determinado campo (mas tipicamente não apenas um campo), é curioso e interessado nos problemas, perguntas dos pressupostos anteriormente feitos e faz com que todo o conhecimento seja unificado. O gerente traz à equação o componente tácito, a porção de conhecimento que não está realmente codificado, muitas vezes trazendo vários inventores juntos para resolver um problema do cliente.

Já o ambiente aberto não é fácil de encontrar. A empresa de sucesso pode acabar consolidando seus processos internos e portfólios de produtos em uma tentativa de congelar vitórias passadas. “Os seres humanos estão conectados ao conhecido” (vide 2) e as pessoas tendem a identificar-se, individualmente e como um grupo, com suas formas tradicionais, acreditando que o sucesso pode ser ensinado com velhas formas a uma nova geração – e temendo que mudar possa trazer o fracasso. Aqui, a ação para a gestão é identificar como se tornar uma cultura adaptável e promover a mudança, selecionando as melhores ideias do passado e traduzindo-as em novos avanços.

O paradoxo acima indicado (uma vez que uma empresa inova com sucesso, ele corre o risco de consolidar seus produtos e processos, o que dificulta o próximo ciclo de inovação) descreve o desafio para a gestão: como estabelecer um ambiente sustentável enraizado com uma cultura da inovação da mudança? Isso exigiria a abordagem pouco ortodoxa de administrar por ficar fora do caminho, ou “tomar-se a maior parte do que sabemos sobre gestão e virá-la de ponta cabeça” (vide 2). Isso pode ser aplicado a processos adversos, desde contratação, onde o objetivo seria impedir os recém-chegados de se tornar “uma imitação perfeita de todos os outros na empresa” (vide 2), até a definição de metas, em que a empresa tem de aprender a lidar com a possibilidade de falha.

Quanto a gestão de sucesso, Sanjay Jha, Chairman e CEO da Motorola Mobility, em entrevista a Geoff Colvin da Fortune Magazine (04 de julho de 2011, página 63, transcrito na página pessoal de Geoff) sugere que “você tem que criar uma cultura em que as pessoas estão preparadas a falhar de vez em quando — se você não está preparado para falhar, não há qualquer chance de sucesso de forma sustentada”. A Motorola Mobility usa um processo de revisão retrospectiva, pelo qual os colaboradores são avaliados com base em como eles tomaram decisões, e não sobre os resultados que trouxeram suas decisões. Isso pode ser uma dica interessante sobre como lidar com o medo do desconhecido, e remover as resistências internas.



Referências e trabalhos citados:

(1) capítulo 2 de Schilling, Melissa A. 2010. Strategic Management of Technological Innovation, 3rd. Ed. Boston: McGraw-Hill Irwin. ISBN 978–0–07–338156–5.

(2) capítulos 5 e 19 de Tushman, Michael L., and Anderson, Philip (Eds.). 2004.Managing Strategic Innovation and Change: A Collection of Readings, 2nd. Ed. New York: Oxford University Press. ISBN 978–0–19–513577–0.

Crédito imagem: nuvem com palavras do post original em inglês, gerada em wordle.net

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