Tipos e Padrões de Inovação

Este é o post número 3 de uma série sobre gestão da inovação

Há sempre a opção de não agir – em alguns milhões de anos você pode ser redescoberto

Os ciclos de inovação podem ser identificados por seus tipos e padrões. Enquanto os tipos de inovação indicam como ela modifica ou deriva da tecnologia atual, os padrões explicam a sequência de eventos que descrevem o próprio ciclo. Os gestores têm de ser capazes de identificar o ciclo tecnológico de sua indústria e agir em conformidade para preparar a empresa para o futuro.

Seja ao analisar o mercado ou a definir estratégias internas, entender os tipos de inovação é importante para a gestão, uma vez que algumas formas de tecnologia podem transformar radicalmente a forma de se fazer negócio. A introdução de novas tecnologias no mercado pode afetar um ou mais linhas de produtos (por exemplo, tablets como substitutos para notebooks e netbooks, ou sistemas cloud como substitutos para servidores). Novos processos podem alterar consideravelmente o aspecto de uma indústria. Algumas dessas mudanças podem exigir ajustes menores, mas com cada vez mais frequência inovações que destroem competências estabelecidas estão chegando ao mercado em um ritmo cada vez mais rápido.

Padrões de inovação, no entanto, são difíceis de prever. Sabe-se da história e por meio de análise que seguem uma determinada sequência, começando com uma descontinuidade tecnológica, uma fase de fermentação (onde a concorrência e a substituição tomam forma), a opção por um projeto dominante, e as consequentes mudanças incrementais para que o design escolhido. A não ser que a nova tecnologia destrua competências estabelecidas (ou seja, o novo produto ou processo torna o anterior obsoleto), os primeiros, ou first-movers, a engajar na fase de fermentação serão tipicamente veteranos da indústria, que têm os recursos necessários para suportar a competição inicial desse mercado.

Mas e se a empresa não adotar uma inovação que torne competências estabelecidas obsoletas a tempo para a fase de fermentação? Isto pode prejudicar drasticamente seu resultado financeiro e ameaçar seu futuro. “Chacoalhões” ou shakeouts tecnológicos têm de ser totalmente compreendidos, mas muitas indústrias tendem a adotar uma abordagem meramente econômica, por exemplo, através da redução dos custos fixos e eliminação de despesas com pessoal. Essas ações, embora adequadas para alguns casos, não resolvem o problema real: o produto ou processo atuais da empresa estão obsoletos (já durante a fase de substituição) e corte de custos não irão parar esse ciclo. O novo ambiente tem que ser avaliado imediatamente, para avaliar a chance de ainda entrar, ou mesmo permanecer, no mercado. Caso não seja possível, provavelmente é hora de redirecionar esforços e buscar alternativas (às vezes tão drásticas quanto uma mudança completa de mercado ou mesmo preparar-se para a falência).

As empresas que se esforçam para a sustentabilidade do negócio tem que esperar estas descontinuidades, e se preparar para o processo de fermentação, participar ativamente no processo de seleção de projeto dominante e melhorar continuamente seus produtos e processos até que o próximo ciclo venha.

A gestão tem que estar ciente de que adaptar-se a velocidade do mercado demanda novas tecnologias e novos modelos de negócios. Sistemas de produção mais complexos são tão afetados quanto os mais simples na corrida para acompanhar os avanços agressivos em tecnologia. Talvez o mais importante, as oportunidades de novos shakeouts tecnológicos pode ser desperdiçada por empresas restringidas por sua história e legado. Aqui, como discutido em posts anteriores, está um papel crucial de gestão: vencer a inércia e o status quo que segura o avanço de uma empresa.


Referências e trabalhos citados:

(1) capítulo 3 de Schilling, Melissa A. 2010. Strategic Management of Technological Innovation, 3rd. Ed. Boston: McGraw-Hill Irwin. ISBN 978–0–07–338156–5.

(2) os capítulos 3, 4 e 8 de Tushman, Michael L., and Anderson, Philip (Eds.). 2004.Managing Strategic Innovation and Change: A Collection of Readings, 2nd. Ed. New York: Oxford University Press. ISBN 978–0–19–513577–0.

Crédito foto: domínio público em picture credit: public domain from http://pixabay.com/en/shell-fossil-old-ancient-stone-219665/

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