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Anotação: O termo produto digitais ainda faz sentido? — Blog do Diego Eis

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O texto a seguir é uma anotação. Crua. Sem pretensão alguma de virar um artigo ou um capítulo de livro. É uma anotação feita para guardar uma ideia. Então, achei que seria legal compartilhar para você o que tenho ruminado nos últimos meses.

Quando falamos sobre Produtos, diretamente pensamos em algo físico, palpável, que você consegue usar e manipular com as suas mãos. Num mundo digital, isso complica um pouco, porque um Produto não necessariamente existe no mundo físico, ele é digital. Você pode até usar algo físico (celular) para usar algo digital (software). A partir daí temos o termo Produtos Digitais para tentar tangibilizar algo que tecnicamente não existe no mundo físico. Então, o termo Produtos Digitais serve mais como uma analogia para algo do mundo real… como acontece com quase tudo no mundo da tecnologia. Copiar, colar, recortar, pastas, janelas, etc… tudo não passa de uma analogia do mundo real para conseguirmos tangibilizar algo do mundo digital.

Mas a grande sacada é que o termo Produtos Digitais fez o seu trabalho. Na verdade, ele fez pela metade. Se você chegar para os clientes do Spotify, eles vão conhecer o Spotify como um app. Eles vão dizer que são usuários de um serviço de streaming de música e não “eu uso o produto digital do Spotify pelo celular pra ouvir música”. Outro ponto é que o termo Produtos Digitais remete a uma coisa que é o produto da empresa. A gente aprisiona o uso a um produto e isso não é verdade. Nos usamos um serviço que não está preso ao celular, mas que pode ser acessado e usado por vários canais. O próprio serviço do Spotify pode ser acessado pelo celular, desktop, relógio, Alexa, etc… Logo, você faz uso do serviço por meio do produto.

Esse não é um conceito novo, pelo contrário, é algo bem antigo. Se você já leu sobre Service Dominant Logic já deve ter se deparado com isso. Ou melhor, se você já leu sobre Service Design ou Business Design, já conhece todo esse contexto.

A Apple deixou isso mais evidente agora, se posicionando como uma empresa de Serviços e não mais como uma empresa de hardware que junta software. A Apple usa o seu produto (físico ou digital) como um meio de execução e entrega do serviço que ela presta. Seus produtos são um meio para “desafiar o status-quo”. É a forma com que ela trabalha para executar o seu propósito e por fim a sua visão.

Um Product Manager deveria se chamar Service Manager. Veja como a visão fica mais ampla e mais complexa para essa cadeira.

A sua peça de hardware ou de software faz parte de um conceito maior que se chama serviço. Do mesmo jeito que o Marketing saiu da ideia antiga de Bens de Consumo para Serviços, o mercado de software deve passar pelo mesmo processo de adaptação e amadurecimento, se familiarizando com um modelo de negócio baseado em serviço e não mais de produto.

Originally published at https://diegoeis.com.

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