Será que a Rappi será o WeChat da América Latina?

Acredito que pra gente aqui do Ocidente, quando alguém pergunta “Você conhece o WeChat?”, poucas pessoas vão responder que sim. O WeChat (https://www.wechat.com/en/) é um aplicativo onde os chineses conseguem fazer “praticamente” tudo, desde trocar mensagens como no Whatsapp, até marcar um horário num cartório para se divorciarem, sim, o app já tem essa funcionalidade.

https://www.flickr.com/photos/inmediahk/8265755699/

Esse tipo de aplicativo é um super-app: um app em que você consigue ter acesso a uma variedade de serviços que vão te permitir organizar quase todos os aspectos da sua vida. Acredite ou não, atualmente, mais de 900 milhões de pessoas o utilizam diariamente. O WeChat mais que mudou a vida dos chineses, ele se tornou um meio de vida deles.

Hoje, o que temos mais perto disso no Brasil, é a Rappi (https://www.rappi.com.br). A Rappi surgiu em 2015 na Colômbia e já está presente em 6 países da América Latina e no México. Ela se intitula “Delivery de tudo em minutos” e aqui no Brasil, começou oferecendo compras em supermercados e restaurantes, onde nesse segundo segmento, concorre diretamente com o iFood.

Pouco mais de um ano de operação em terras brasileiras, e o serviço já permite, além de você comprar qualquer coisa em qualquer lugar, realizar entregas de documentos, alugar um patinete da Grin, comprar um remédio qualquer hora do dia e da noite, contratar qualquer serviço que a getninjas ofereça, comprar outras moedas, reservar hotéis, fazer saques, agendar uma massagem e muitos outros serviços, além de ações específicas que entram no app de tempos em tempos.

A empresa vem também expandindo sua base de parcerias, restaurantes e supermercados e também chegando em outras cidades num ritmo bastante acelarado, principalmente depois de ter levantando mais uma rodada de investimento e ter se tornado um unicórnio (https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2018/09/14/internas_economia,705852/empresa-de-entregas-rappi-cresce-e-ja-vale-us-1-bilhao.shtml).

O fato é que a Rappi vem mudando a maneira como seus usuários compram. Eu mesmo, por exemplo, quase não vou mais no mercado, compro tudo que consigo por lá. Eu uso o serviço Prime deles, onde por R$ 20,00 mensais, você tem entregas gratuitas ilimitadas acima de R$ 20,00, o que me faz, em quase todas as vezes, usá-los ao invés do iFood.

Outro segmento que eles estão entrando também é o de pagamentos, através do que eles chamam de Rappi pay.

https://fintechs.com.br/o-massacre-das-maquininhas-de-cartoes-o-fim-do-pos/

A ideia é que o aplicativo funcione também como uma carteira virtual e você possa fazer pagamentos com seu celular através de um QRCode, trazendo pra cá, a experiência que já existe na China há anos, diminuindo muito a fricção no pagamento. A imagem acima é um teste piloto que uma loja da Ofner está fazendo no momento, onde seus clientes já conseguem utilizar a Rappi para fazer os pagamentos. Outras empresas como o Mercado Pago também estão entrando nesse mundo de pagamentos com QRCode, que tem potêncial a longo prazo, de acabar com as maquininhas.

É certo que a Rappi tem grandes desafios de logística e margens extremamente baixas à sua frente para conseguir fazer com que o seu core business atual seja lucrativo. Ela tem também, grandes desafios com a experiência que ela entrega para seus usários, pois são multiplas variáveis que influenciam nessa jornada e que ela não necessariamente consegue controlar. Eu já tive experiências bem ruins com o aplicativo, mas no geral ele melhorou a minha vida e me faz poupar tempo para fazer aquilo que é realmente importante.

Olhando para o tamanho dos desafios, o caminho é bem longo, mas tudo indica que esse é o caminho que a empresa está seguindo. Se ela conseguir encontrar a solução para o equilíbrio de tantas variáveis, tem uma grande chance de ser o próximo super-app que dará certo no mundo. Será a Rappi o próximo WeChat das Américas?