Escola “Dona Lindu” completa três anos qualificando trabalhadores

Localizada em Diadema, escola foi fundada em 2013 (Foto: Adonis Guerra)

por Girrana Rodrigues

Em 5 de outubro de 2013, foi fundada a Escola Livre para Formação Integral “Dona Lindu”, do Sindicato.

Na inauguração, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ter valido a pena viver para ver a Escola se tornar realidade e, na ocasião, agradeceu a homenagem à mãe dele.

Três anos depois, o diretor de Organização do Sindicato, José Roberto Nogueira da Silva, o Bigodinho, acredita que o diferencial é a origem na classe trabalhadora.

“Não podemos esquecer nossas raízes, que é a formação política. O grande desafio é trazer a sociedade para dentro da escola. Ter formação cidadã, qualificação e requalificação profissional e dar oportunidade para aqueles trabalhadores que não tiveram chance de estudar”, afirmou.

Em relação ao futuro, Bigodinho destacou a assinatura de novos convênios com as universidades da região. “É importante buscarmos cada vez mais qualificação profissional, discutir tecnologia e criar cursos para o setor aeroespacial, de petróleo e gás e no setor automotivo”, ressaltou.

Caminho para a universidade

Laiane, filha de um ex-metalúrgico, se preparou no Enem em cursinho oferecido pela escola (Foto: Edu Guimarães)

Uma das beneficiadas pelos convênios da Escola nesses três anos, foi a estudante Laiane Queiroga Silva, de 17 anos. Ela frequentou o cursinho preparatório para o Enem, da Poli.

Laiane prestou o Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM, nos dias 5 e 6 de novembro e contou que apenas com o conteúdo que aprendeu na rede pública não conseguiria realizar a prova.

“Em biologia, química e física o que vi na escola não era o suficiente para fazer uma prova tão concorrida. O que eu sabia responder eu aprendi no cursinho”, disse.

A preparação para a redação foi outro ponto forte do cursinho. “Nas aulas de português treinamos temas sobre intolerância racial e bullying. O tema da redação foi intolerância religiosa e fiquei tranquila por já ter escrito sobre outras situações em que isso acontecia”.

O pai de Laiane, o ex-metalúrgico, Antônio Adão da Silva, levava a filha todos os dias para o curso. “Trabalhei na Volks por 19 anos, fiz alguns cursos na Escola e conhecia o trabalho realizado. A “Dona Lindu” agrega a cidadania, que é um dos eixos do Sindicato, e ajuda quem é desfavorecido economicamente a conquistar uma vaga no ensino superior”.

A estudante deseja fazer o curso de Direito, inspirada pelo pai que é formado na área. Ela pretende utilizar a nota do Enem para ingressar em alguma universidade federal, ou conseguir bolsa em uma instituição privada. “Eu lia os livros dele de direito penal, civil e tributário. Peguei gosto pelo conteúdo. Agora é esperar o resultado do Enem. Acredito que fui bem”.

Texto produzido em dezembro de 2016 para o jornal Tribuna Metalúrgica:

(http://www.smabc.org.br/smabc/materia.asp?id_CON=39500&id_SEC=12&busca=dona+lindu)

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Girrana Rodrigues Teixeira’s story.