Ele vai fazer de novo

Glecem Gaia
Jul 25, 2017 · 3 min read

A violência doméstica contra a mulher atravessou séculos e, como um círculo vicioso, essas agressões continuam sendo banalizadas e tornando esse ato desprezível em algo corriqueiro.

Segundo dados da organização Compromisso e Atitude, cerca de três em cada cinco mulheres já sofreram agressões, enquanto 56% dos homens já admitiram ter agredido uma mulher. Não é necessário que haja uma lente de aumento para perceber que esses números são alarmantes, esses dados deveriam ser inaceitáveis na sociedade atual.

Acredito cada vez mais que a violência é inerente ao ser humano. Não há outra forma de tentar entender como essas agressões diárias contra as mulheres são, simplesmente, ignoradas. A Lei Maria da Penha veio para mudar este cenário, porém — como uma das muitas coisas que não funcionam no Brasil -, esta lei ainda não fez o barulho necessário. Não acredita? Eis a prova: 33,2% do homicídio de mulheres foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros. Algumas mulheres relataram também que são agredidas diariamente ou semanalmente.

Aprofundo-me na teoria de que a violência doméstica virou algo normal. Você, leitor (a), muito provavelmente, conhece uma mulher que já foi agredida pelo marido, namorado, etc. E agora, lhe faço uma pergunta objetiva: o que você fez? Eu não lhe culpo. Você, provavelmente, segue aquele famoso ditado: “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher.”. Porém, há sempre outro lado. Às vezes, tudo o que uma mulher precisa é de ajuda, uma mão amiga.

Portanto, querida leitora que já sofreu agressões: eu também tenho certeza de que ele pediu perdão e disse que nunca mais faria aquilo novamente. Sinto muito, mas ele fará de novo.

Agressões não são apenas físicas, mas também verbais e psicológicas. As mulheres que sofrem diariamente nas mãos de homens violentos, não têm apenas hematomas físicos. Elas estão só cacos por dentro, feitas de tristeza, angústia e medo. A violência doméstica precisa ser encarada com seriedade no Brasil, assim como as mulheres brasileiras. Mulher não é um sexo frágil, mas sim explorado. São desvalorizadas no mercado de trabalho e em suas próprias casas (mas temo que este seja um assunto para uma outra longa discussão).

A corda sempre quebra para o lado mais fraco e, por conta disso, muitas pessoas julgam as mulheres por se sujeitarem a homens violentos. Aparentemente é muito mais fácil colocar a culpa na mulher do que educar uma inteira geração machista.

E fique claro desde já que, de forma alguma, generalizo esse perfil machista a todos os homens. Apenas aponto que a maioria tem seguido à risca essa conduta. Qual seria a outra razão por trás de tantas mulheres agredidas diariamente?

Aos homens agressores, digo-lhes: É muito fácil provar a masculinidade no punho. O que é difícil, de verdade, é continuar firme e forte como mulher em uma sociedade que só exalta os homens.

Revisão: Narel Desiree

Glecem Gaia

Devaneios, contos e ensaios

Glecem Gaia

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Jornalista. 24 anos. INFP. Tenho paixões avassaladoras por personagens fictícios e vícios incuráveis em tudo o que embriaga minha alma.

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