Minha felicidade

Glecem Gaia
Aug 8, 2017 · 2 min read

(Recorte de um romance original)

Louis Garrel & Clementine Poidatz; La Frontiere de L’aube

Agora eu tinha compreendido; eu tinha compreendido o que significava o olhar de Emmy, seus dedos tão carinhosos toda vez que me tocava, eu havia me compreendido. Durante todo aquele momento em que estive com ela eu estava me sarando, ela estava recompondo de cada parte que faltava em mim e agora tudo parecia tão novo; os meus pensamentos tão livres sobre ela, em como Emmy era apaixonante em todos os aspectos, em como a paixão estava se transformando em algo muito maior.

Eu não era um homem que adorava exibir sentimentos, mas Emmy me fazia querer explodir em cada um que se passava em minha cabeça. Eu pensava em como éramos diferentes, no entanto era impossível pensar na minha vida sem ela, e eu sabia que só de olhar para mim Emmy entenderia tudo.

No dia em que fui embora, ou pelo menos tentei, eu estava tentando parar de ser um pouco egoísta. Emmy estava tão apaixonada por mim que eu me senti perdido em suas palavras profundas, eu quis deixa-la e só voltar quando eu estivesse pronto para encará-la e dizer que os sentimentos dela eram recíprocos aos meus.

Mas fui bobo, eu não sabia o que estava sentindo, eu estava perdido naquele mar de olhos castanhos, eu não podia ser mais cego; a confusão, a indecisão, eu não sabia que o que eu sentia podia ser tão forte quanto Emmy sentia. Eu era instável, eu queria ser perfeito para ela e ela não queria perfeição. Eu não estava pronto para falar e ela não estava ansiosa em saber.

Emmy tomou conta de mim e da minha alma, segurou a minha mão e me trouxe de volta a realidade, ela me mostrou o que um sorriso sincero e um beijo cálido poderia fazer com corações quebrados. Emmy não precisava falar nada, ela tinha um espelho em seus olhos, ela conseguia me dobrar e desdobrar só com aqueles diamantes castanhos em seu rosto.

E para que lutar? Eu estava cedendo, eu estava desistindo; eu poderia estar com medo de mergulhar tão fundo em sentimentos tão indescritíveis e profundos, no entanto toda vez que esse medo vinha até mim havia uma mão pequena segurando a minha e arrancando um sorriso meu por um olhar travesso.

Éramos diferentes sim, ela era a parte boa, sua gargalhada, seu olhar sincero. Tudo aquilo me fazia sorrir como um bobo, se eu contasse a minha mãe ela não acreditaria, ela diria que ninguém me faria sorrir com tanta facilidade. Mas minha mãe não conhecia Emmy. Ela não conhecia a minha felicidade.

Glecem Gaia

Devaneios, contos e ensaios

Glecem Gaia

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Jornalista. 24 anos. INFP. Tenho paixões avassaladoras por personagens fictícios e vícios incuráveis em tudo o que embriaga minha alma.

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