Cerrado Manifesto raises the bar / Manifesto do Cerrado representa grande passo para Conservação do Cerrado

Image: Cerrado in the Chapada dos Veadeiros National Park (a Protected Area in Brazil)

(Please see below for Portuguese)

Efforts to tackle deforestation in the Cerrado have been given a boost with 23 global companies signing up to support the Cerrado Manifesto. But, if the Cerrado is to be protected, there is a need to engage and put pressure on the majority of companies still to make any kind of commitment.

The manifesto calls for immediate action by members of the private sector to protect this vitally important region and biodiversity hot spot through adopting effective policies that eliminate deforestation and the conversion of native ecosystems from their supply chains and investments.

According to WWF, between 2013 and 2015 an area of almost 19,000 square kilometres was lost to soy production and other agricultural activities. Equivalent to an area the size of Greater London disappearing every two months.

The 23 global companies, including major retailers and food chains such as Tesco, Marks & Spencer, Carrefour, McDonald’s, Nestle, and Unilever have recognised the critical importance of the Cerrado and committed to work closely with other key industries and governments to halt deforestation and habitat loss in the Cerrado.

These companies are important actors in global forest risk commodity supply chains; 18 of the 23 signatory companies are included in the Forest 500 due to their exposure to soy in their supply chains.

To assess their readiness to implement the Cerrado Manifesto commitment we used the Forest 500 to evaluate the effectiveness of their policies to eliminate deforestation from their supply chains. The analysis focused on soy policies as soy accounts for 90% of the croplands in the Cerrado and is a major driver of deforestation. The results show that of these 18 companies, nearly 80% already have specific policies to procure sustainably produced soy*, including measures that apply to the Cerrado.

In comparison, of all the 133 companies linked to soy that have been assessed by the Forest 500 in preparation for the 2017 rankings, only 32% have sustainable policies in place.

Having strong policies is an important first step, but implementing them is a challenge. For instance, only four of the 18 companies’ policies contain measures to develop and implement soy-specific traceability systems — fundamental in verifying that the commodity was produced sustainably.

This is where transparency tools like Trase are critical. Trase maps the trade flows of soy from the municipalities where it is produced through ports and traders, to the countries that import the soy. It can support companies, governments and civil society to identify risks and monitor whether they are meeting sustainability commitments.

The private sector has a critical role to play in the future of the Cerrado. Under Brazil’s Forest Code and current environmental laws, roughly 40 million hectares could be legally deforested.

Support for the Cerrado Manifesto is therefore welcome, but swift action and improvements in reporting and disclosure are required by all the companies linked to soy supply chains.

* More information on the companies’ performance will be provided early next month with the launch of the 2017 Forest 500 Report

This piece was written by Andre Vasconcelos

In Portuguese:

Manifesto do Cerrado representa grande passo para Conservação do Cerrado

Esforços para combater o desmatamento no Cerrado foram recentemente alavancados com o compromisso assinado por 23 empresas globais em apoio ao Manifesto do Cerrado. Porém, para que o Cerrado seja de fato protegido, ainda há necessidade de envolver e pressionar a maior parte das empresas que ainda não assinaram compromissos ambientais.

O manifesto convoca o setor privado para tomada de ações imediatas para conservar essa região de vital importância para a conservação da biodiversidade através da adoção de políticas efetivas para eliminar o desmatamento e a conversão de ecossistemas naturais de suas cadeias de suprimento e de investimento.

De acordo com o WWF, entre 2013 e 2015 cerca de 19.000 km2 de vegetação nativa foram convertidos em plantios de soja e outras culturas agícolas. O que equivale a uma área do tamanho da cidade de São Paulo desaparecendo a cada 2 meses durante esse período.

As 23 empresas multinacionais, incluindo grandes redes de supermercados e de empresas de alimentos, como Carrefour, Walmart, McDonald´s, Nestle e Unilever reconheceram o papel fundamental do bioma Cerrado e se comprometeram a trabalhar juntos e combinar esforços com o setor público e outros setores para acabar com o desmatamento e a perda de habitat no Cerrado.

Essas empresas são consideradas peças-chave nas cadeias de suprimento que estão diretamente ligadas a riscos de desmatamento. Entre as 23 empreas signatárias, 18 estão incluídas no projeto Forest 500 do Global Canopy devido à importância das mesmas na cadeia de suprimento de soja.

Para analisar o potencial dessas empresas de implementarem os compromissos do Manifesto usamos os dados do Forest 500. O projeto fornece informações para avaliar as políticas ambientais adotadas por essas empresas para eliminar o desmatamento associado as suas cadeias de suprimento. Nossa análise se focou nas políticas ambientais de empresas de soja já que a commodity representa 90% da área destinada à agricultura no Cerrado e é considerada o principal vetor de desmatamento. Os resultados mostram que dentre as 18 empresas, 80% possuem políticas de sustentabilidade específicas à aquisição de soja, incluindo medidas que se aplicam ao Cerrado.

No entanto, quando olhamos para as 133 empresas associadas à cadeia de suprimento de soja avaliadas pelo Forest 500, observamos que somente 32% possuem políticas de sustentabilidade em 2017.

A adoção de políticas robustas de sustentabilidade é um passo importante, mas a implementação das mesmas é um grande desafio. Por exemplo, somente 18 empresas possuem políticas para desenvolver e implementar sistemas de reatreabilidade específico para a cadeia da soja — o que é fundamental para verificar se a commodity foi produzida de maneira sustentável.

Nesse sentido, iniciativas que contribuem para o aumento da transparência dessas cadeias de suprimento, como o projeto TRASE, são fundamentais. O TRASE mapeia os fluxos comerciais de soja desde os municípios onde a soja é produzida, passando por portos e traders, até o país importador. É uma ferramenta que pode auxlilar empresas, governos e a sociedade civil a identificar riscos e verificar se as empresas estão cumprindo seus compromissos ambientais.

O setor privado possui papel de extrema relevância na preservação da vegetação nativa no Cerrado. Porém, as políticas de sustentabilidade precisam ir além da lei, já que o cumprimento do Código Florestal Brasileiro e demais legislações pertinentes permitem o desmatamento de cerca de 40 milhões de áreas remanescentes do Cerrado.

O apoio ao Manifesto do Cerrado é muito bem-vindo, mas ações imediatas precisam ser tomadas para promover transparência e divulgação de informações de todas as empresas ligadas à cadeia de suprimento de soja.

Mais informações sobre a performance ambiental dessas e outras empresas serão divulgadas ainda na prόxima semana através da publicação do Relatório 2017 do projeto Forest 500.

Esse artigo foi escrito por André Vasconcelos

Imagem: Parque Nacional Chapada dos Veadeiros