Por dentro do jogo: Os novos profissionais do mercado esportivo

Leonardo Cerqueira em sua mesa, em Londres

Hoje começa uma série de entrevistas com jovens profissionais que focam seus esforços e estudos para dar a nova cara do mercado esportivo. Conversamos com Leonardo Cerqueira, executivo brasileiro que foi para Londres e hoje é Business Development Executive na Leaders.

A Leaders é uma empresa que tem como objetivo organizar eventos com a cúpula dos mais prestigiados profissionais e empresas do meio esportivo no mundo, e que procura incentivar o desenvolvimento do mercado esportivo produzindo um conteúdo diferenciado e conectando pessoas através do esporte.

1 — Fale um pouco sobre você: de onde você é, e o que gosta de fazer?

Sempre fui muito ligado à prática de esportes e atividades físicas desde muito pequeno. Obviamente comecei pelo futebol, jogado na rua de terra onde eu morava em Itaipu, Niterói. O gol era o portão de casa. Aos 12 fui apresentado ao Jiu Jitsu através do meu irmão. Ele abandonou um mês depois, eu sigo até hoje. As chuteiras eu meio que aposentei — jogo uma pelada aqui ou outra acolá, em ocasiões especiais, não faço feio; mas o kimono está em uso praticamente todo dia e já não me imagino sem o jiu jitsu, ele me ensinou muitas lições que colaboraram na minha formação pessoal e até mesmo profissional.

2 — Como foi a sua formação acadêmica? Que passos importantes você deu para entrar no mundo do marketing esportivo?

Sempre fui dedicado aos estudos e procurei aproveitar as boas escolas que meus pais puderam me proporcionar. Quando criança não apreciava muito as aulas de inglês, mas felizmente minha disciplina em manter o foco em algo que não me dava muito prazer me abriu portas inestimáveis na minha vida e carreira.

O espanhol aprendi mais naturalmente, no colégio mesmo, e finalmente francês e italiano foram produtos de grande interesse e dedicação da minha parte, quando entrei para a faculdade, aproveitei o ambiente acadêmico para aprender novas línguas, além do curso que estava fazendo na universidade (Estudos de Mídia — UFF). Outro marco na minha história acadêmica foi a intercâmbio que realizei no ano de 2005, quando fui para o Texas — EUA para me formar em uma High School Americana.

Foi uma experiência enormemente especial que foi um divisor de águas na minha vida. Vi o mundo de outra forma e com outros olhos, ali estava plantada a semente que me faria viajar tantas outras vezes para conhecer diversos lugares no mundo.

3 — Como e quando você decidiu que sairia do país para fazer a extensão em marketing esportivo? Fale um pouco das dificuldades e barreiras que encontrou pelo caminho.

A decisão de morar fora do país não foi das mais fáceis, por mais que a vontade sempre tivesse existido dentro de mim — já havia morado em outras ocasiões, mas nunca por mais de 6 meses. Tal decisão requer muita abdicação, determinação e obviamente alto investimento financeiro. Outro dia lendo um livro passei pela seguinte frase: “quando você deseja conquistar uma ilha, queime os seus barcos”.

Acho que ela ilustra bem a minha situação e de tantos outros que seguem este caminho, a conquista de um novo local demandará que você deixe pra trás muito, senão tudo que se tem em casa, na sua zona de conforto, para reverter todo seu foco e esforço naquele objetivo.

No meu caso, já havia trabalhado em diversas áreas, em algumas fui muito bem sucedido e remunerado, porém jamais havia encontrado um trabalho que me fizesse chegar em casa sorrindo e satisfeito — nem mesmo quando trabalhei com turismo, que é uma das minhas duas paixões. Foi então que decidi dar uma chance à minha outra, que é o esporte.

É inegável que o business esportivo é imensamente melhor estruturado em locais como Europa e EUA do que no Brasil, sem contar o mau momento político-econômico do país. Após análises e pesquisas optei por um Mestrado em Sports Business Management na International University of Monaco. Imaginei que mais do que aprendizado, ali eu poderia ter a visibilidade e ser absorvido melhor pelo mercado de trabalho internacional do que se possuísse um diploma de alguma instituição brasileira.

4 — Como você conheceu a Leaders?

Logo no primeiro mês de Mestrado eu decidi mapear a indústria esportiva para começar a ver de fato quais profissões eu poderia exercer e para quais empresas eu gostaria de trabalhar. Coincidentemente ou não — eu creio em situações articuladas pelo destino — a Leaders foi a primeira empresa que me saltou os olhos e considerei, numa pesquisei que se estendeu por meses e chegou a mais de uma centena de achados.

Entrei no site — o qual o convido a entrar também, achei bem interessante o produto que eles desenvolvem: cúpulas envolvendo grande líderes e cabeças do mundo do esporte. Eu sempre apreciei muito um intelecto bem desenvolvido e a relação interpessoal. Justamente o coração e a alma dos eventos da Leaders: insights e network.

5 — Como foi sua entrada no mercado esportivo? Como surgiu seu interesse pela área?

Foi fruto de muita perseverança, foco e crença naquilo que eu mais queria. Minhas aulas acabariam em junho e a universidade oferecia aos alunos a oportunidade de se formar com uma experiência de trabalho em vez de uma dissertação, era opcional. A larga maioria optava por buscar um estágio ou emprego pois fazia muito mais sentido. Em fevereiro comecei a enviar currículos, cartas apresentação etc… ao longo de dois meses cheguei a mais de uma centena de “tentativas”… mas infelizmente a Leaders não estava com nenhuma vaga em aberto — cujo eu monitorava sistematicamente pelo website. Entre muitos “não’s” e resposta alguma eu resolvi tentar algo diferente.

Como Albert Einstein disse “tolice é realizar os mesmos processos e esperar resultados diferentes”; entrei no Linkedin e comecei a conectar todos aqueles que lá trabalhassem, os que me aceitavam eu escrevia uma mensagem explicando o meu interesse e apreço pela empresa. De todos apenas um me respondeu, era o Diretor de Conteúdo — que aliás, é casado com uma brasileira, o que particularmente eu acho que foi um dos fatores que o impulsionou a me dar ouvidos. Era tudo que realmente eu precisava, alguém que me ouvisse.

Felizmente ele gostou da minha história, postura e determinação e levou meu caso adiante internamente, foi quando eu conheci o Diretor Comercial que sugeriu que tivéssemos um bate papo por telefone no final daquela mesma semana. As coisas estavam começando a clarear pra mim e foi quando eu tive um insight audacioso — eles dizem que foi genial, além de loucura; Eu pensei que um simples telefonema não seria o suficiente para que eu demonstrasse minhas qualidades, por exemplo comunicação e relacionamento interpessoal.

Foi aí que eu pensei em ir de Mônaco a Londres somente para a entrevista (que no caso não existia, mas eu “forcei a barra” para acontecer).
Basicamente o que eu precisava era uma passagem de avião ida e volta, e convenhamos, 1h30 dentro de um avião não é nada, e naquele momento o investimento de 70 euros não era assustador — menos do que algum dos meus amigos de classe gastavam em bebidas nas boates, foi uma questão de priorizar meus objetivos, isso se chama foco.

Minha decisão foi muito bem sucedida, a entrevista foi ótima e durou mais de uma hora (com certeza mais do que um telefonema teria durado) e o principal, eu pude conhecer de perto o escritório e sentir uma energia muito boa. Dizer que eu tinha certeza que daria certo seria exagero, mas saí de lá muito otimista, pois as peças de um extenso quebra-cabeça estava se encaixando ali na minha frente.
Finalmente, eu consegui o estágio e em um mês já havia sido efetivado.
O resto é história.

6 — Fale um pouco da Leaders, que é enormemente conhecida fora do Brasil, mas ainda pouco conhecida pelos brasileiros.

A empresa é relativamente nova (menos de uma década de existência) porém seu sucesso já é notório no Reino Unido, Europa como um todo e mais recentemente nos EUA, onde a empresa está muito focada em expandir cada vez mais. (Inclusive um novo escritório foi recém-inaugurado na Charlotte para facilitar as operações referente aos eventos que ocorrem em solo Norte Americano).

O que a Leaders se propõe a realizar são cúpulas voltadas para assuntos referentes ao mundo dos esportes, reunindo grandes líderes (daí o nome) e personalidades influentes nesta seara. Contudo, nos anos mais recentes as cúpulas têm tomado uma magnitude tão grande que empresas não diretamente ligadas aos esportes estão se envolvendo a fim de aprender com lições deste universo e/ou de alguma forma entrar nele. As cúpulas (summits) são dividias em duas categorias: Business e Performance, desta forma então segmentando a audiência e definindo melhor o conteúdo direcionado.

Além disso há outros eventos de menor escala, porém de relevante importância também, como por exemplo o Leaders Under 40, ocorrido em Outubro passado no National History Museum onde 5 jovens (abaixo de 40 anos) líderes do esporte foram premiados pelos seus feitos em suas respectivas áreas naquele ano. Outro bom exemplo é o Leaders Meet Innovation, ocorrido agora em Janeiro, quando NBA, SAP, CISCO e Leaders se reuniram para desenvolver um evento de alto gabarito para debater soluções tecnológicas aplicáveis ao basquete.

Em suma, a Leaders se trata de uma formadora de atmosfera que possibilita a difusão de insights e expansão de network entre altos diretores, executivos, CEOs etc.

7 — Fale um pouco sobre o seu dia-a-dia na Leaders. O que você faz? Quais são suas maiores responsabilidades?

Minha função na empresa é tecnicamente na área commercial e desenvolvimento de novos negócios, sobretudo na América Latina, região da qual eu oriundo e portanto tenho maior conhecimento socio-cultural, além dos idiomas é claro.

Porém, dois dos valores da empresa são justamente Colaboração e Participação, o que pressupõe que todos internamente se ajudam e há constante crossover entre departamentos. Logo, com frequência eu me pego realizando uma tarefa referente a Operações, Marketing ou Conteúdo, por exemplo.

8 — Fale um pouco dos clientes que a Leaders in Sport tem hoje, quem são e algumas ações.

A lista de partners, speakers e delegados da Leaders é deveras muito extensa.

Para citar alguns dos mais ilustres:
Partners: IBM, Delta Airlines, SAP, Lagardère.
Speakers e Delegados estão representados pelos maiores clubes do futebol europeu que você puder imaginar (Real Madrid, Bayern Munich, Chelsea, Arsenal, Barcelona etc), grandes Ligas e Federações (The FA, La Liga, MLS, NBA, NFL etc) e empresas como Facebook, Snapchat, Eletronic Arts, DraftKings, Twitch, Twitter, Google, Levi’s etc).

Aos interessados, entrem no site ou diretamente em contato comigo e eu poderei fornecer listas com nomes das organizações envolvidas, tanto no passado quando para o futuro.

9 — Há algum cliente que você admirava antes de trabalhar com esporte, e que hoje representa motivo de alegria por você ter a oportunidade de trabalhar em conjunto?

Um dos delegados que eu fui responsável por trazer para o último evento de Performance, no Emirates Stadium (Arsenal FC) foi o Edu Gaspar do Corinthians.

Aquilo foi especial para mim porque sei que ele foi um grande ídolo no Arsenal e para ele foi especial atender a um evento naquele estádio. Além é claro de estar representando um grande clube brasileiro, na ocasião o virtual campeão de 2015.

Outro que participou desta mesma cúpula foi o Vitor Estima, um dos grandes lutadores do Jiu Jitsu na atualidade. Para mim foi muito satisfatório não só por admirá-lo mas por levar para este universo Jiu Jitsu. Me lembro que o Vitor saiu se rasgando em elogios sobre o evento e garantiu bater pontos nas próximas edições.

Mais um dia de trabalho para Leonardo Cerqueira, visitando um de seus clientes.

10 — Já aconteceu algum fato engraçado ou curioso com você, quando em contato com clientes ou parceiros de trabalho?

No Leaders Sport Business Summit de Londres, em Outubro, eu encontrei com um delegado que na verdade eu havia conhecido meses antes, ainda na universidade. Ele tinha ido lá (em Monaco) para ministrar um workshop e dar conselhos de como entrar no Mercado de trabalho esportivo.

Ele representava uma agência que faz head hunting de altos executivos e tem grande know how da indústria. Ele ficou muito surpreso em me ver em tal patamar em um curto espaço de tempo, na verdade ele mal pôde acreditar. Humildemente eu o agradeci, dizendo que de certa forma ele tinha ajudado.

Mas o mais satisfatório foi perceber que ele estava extremamente encantado com a plataforma de networking que aquele evento estava o proporcionando. Palavras dele: “eu costumo ir a eventos parecidos como este, mas uma audiência tão alta e importante como esta eu jamais havia visto antes! Isto aqui é perfeito para o meu trabalho.”

Outro fato curioso que me ocorreu foi no Leaders Under 40; infelizmente um dos vencedores acabou marcando a passagem de avião para a semana errada e não compareceu na noite de premiação. A noite de gala não poderia ter uma quebra de protocolo e decidimos ali no calor do momento que alguém teria que subir no palco para receber o troféu e ser o guardião do mesmo até que ele fosse enviado ao seu dono de direito.

Sim, fui eu o escolhido para subir no palco, receber o prêmio das mãos de ninguém mais ninguém menos que Clarence Seedorf, e então ser ovacionado pela plateia, à minha frente estavam Xavi e Ancelotti aplaudindo. Essa é pra contar pros netos!

11 — Fale um pouco sobre o LSBS NY e LSBS UK.

LSBS NY

– Quando: 1 e 2 de Março de 2016
– Onde: TimesCenter — New York
– Quem participa: As grandes ligas americanas estarão em grande peso (NBA, NFL, MLB, Nascar, NHL, MLS etc). Além de vários outros de mais de 30 países. A lista é extensa, num total de 700 delegados em média.

LSBS UK

– Quando: 5, 6 e 7* de Outubro de 2016
– Onde: Stamford Bridge (Chelsea FC), Londres.
– Quem participa: Num total de 1600 delegados, representantes europeus e dos quatro cantos do mundo atendem a este que é considerado a mais prestigiosa cúpula esportiva do mundo.

12 — Qual é a dica ou a mensagem você deixa para quem sonha em trabalhar com o mercado esportivo?

Seja um apaixonado pelo o que faz tal qual foi, ou é, por algum esporte. Se você não é fã ou praticante de esporte será mais difícil suceder neste meio. Você precisa entender e falar com propriedade de pelo menos uma modalidade. Busque algo que você genuinamente goste de fazer, e jamais perca seu foco.

Jamais se abale por “não’s” que você venha a receber. Persevere. Leia bastante, sobre atualidades, mas também sobre o passado, busque conhecimento e inspiração, o esporte te oferece centenas de história de superação e glória. Vá em frente e escreva a sua.

Leaders are BORN or MADE?

Como entrar em contato com Leonardo:

Email: leonardo.cerqueira@leadersinsport.com — Whatsapp: +44 7946 735 864 — Linkedin